Radar Diário Diário de Ações - 10/02/26
Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)
- B3 (B3SA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 18,00
As ações da B3 acumulam alta de 30% no ano e 40% em dólar, configurando o melhor desempenho dentro do universo de cobertura. No mesmo período, o Ibovespa sobe 16%, enquanto XP, BTG e Bradesco avançam cerca de 15%, Itaú 23% e bancos digitais permanecem estáveis. O mercado brasileiro tem se beneficiado da forte entrada de capital estrangeiro em busca de diversificação fora dos Estados Unidos. Esse movimento pode sustentar volumes médios diários negociados mais elevados e favorecer o lucro líquido da bolsa. Nosso modelo já incorpora volumes maiores e o preço-alvo foi elevado para R$ 18. Com a ação negociando a R$ 17,6, equivalente a cerca de 16x P/L estimado para 2026, o potencial de valorização ficou mais limitado. Como resultado, a recomendação foi rebaixada para neutra. A companhia apresenta maior diversificação de receitas, com menor dependência do segmento de ações. As receitas pós-negociação, dados, analytics e renda fixa representam atualmente mais de 80% do total. Mesmo em cenários de volumes significativamente mais altos, o impacto adicional no lucro líquido e no preço-alvo seria incremental. Diante desse contexto, outras alternativas como XP, Stone e bancos digitais são vistas como opções com maior potencial de beta e valorização.
Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)
- BB Seguridade (BBSE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 41,00
A companhia divulgou resultados do 4T25 de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 2,3 bilhões, queda de 10% t/t e alta de 5% a/a, cerca de 4% acima das estimativas. O desempenho foi sustentado por resultado financeiro forte em quase todas as subsidiárias e sinistralidade saudável na BrasilSeg, apesar de receita líquida mais fraca pressionada pelo segmento agro. O lucro líquido anual atingiu R$ 9,1 bilhões, crescimento de 12% a/a. O guidance para 2026 indica lucro líquido de aproximadamente R$ 8,65 bilhões no ponto médio do intervalo. Esse valor está em linha com o consenso, porém 5% abaixo de nossas estimativas, implicando queda anual de 5%. Na BrasilSeg, o lucro líquido foi de R$ 1,3 bilhão, com prêmios emitidos menores, mas compensados por menor resseguro cedido e melhora na sinistralidade. A BrasilPrev reportou lucro líquido de R$ 510 milhões, beneficiado por menor carga tributária, apesar de receitas e resultado financeiro mais fracos. A BrasilCap apresentou lucro líquido acima das estimativas devido a maior resultado financeiro, enquanto a BB Broker teve desempenho mais fraco. O guidance prevê resultado operacional não financeiro de R$ 9,7 bilhões e prêmios emitidos estáveis na BrasilSeg. As reservas de previdência PGBL e VGBL devem crescer cerca de 9,5% a/a. As ações negociam a aproximadamente 8,3x P/L estimado para 2026. Diante de desafios de curto prazo e bases comparativas anuais mais exigentes, reiteramos a recomendação neutra.
Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Motiva (MOTV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 17,00
2025 foi um ano transformacional para a Motiva, além do rebranding da CCR, com a companhia remodelando seu portfólio por meio de movimentos estratégicos que incluíram a saída de Barcas, a reestruturação da MSVia e a venda da plataforma de aeroportos, entre outros. Esse processo também foi acompanhado por mudanças na base acionária alguns anos atrás e pela entrada de novos executivos seniores nos últimos anos. Com isso, a Motiva passou a ter foco mais concentrado nos negócios principais de concessões rodoviárias e mobilidade urbana. A companhia segue comprometida com a agenda de eficiência, com ênfase contínua em otimização de custos, e os resultados do quarto trimestre simbolizaram essa transformação por refletirem a segregação do negócio de aeroportos. No trimestre, os itens relacionados ao segmento de aeroportos foram reclassificados como operações descontinuadas, com apresentação em “Resultado de Operações Descontinuadas” na DRE e como “Ativos e Passivos Mantidos para Venda” no balanço patrimonial. Excluindo esses efeitos, a receita líquida proforma (ex-construção) alcançou R$ 4,3 bilhões (+7% a/a), em linha com a estimativa. O EBITDA ajustado proforma totalizou R$ 2,7 bilhões (+24% a/a), resultando em margem EBITDA de 63% (vs. 54% no 4T24), também em linha. O lucro líquido ajustado foi de R$ 606 milhões (vs. R$ 360 milhões no 4T24 e vs. R$ 632 milhões), abaixo da projeção, principalmente por resultado financeiro mais fraco. O tráfego comparável em rodovias cresceu 4% a/a e a receita líquida de concessões rodoviárias (ex-construção) subiu 12% a/a para R$ 2,4 bilhões, impulsionada por reajustes tarifários em ativos de São Paulo e demanda estável. Em mobilidade urbana, o tráfego comparável de passageiros cresceu 1% a/a, enquanto a receita líquida (ex-construção) caiu 4% a/a, parcialmente explicada por menor Receita de Ativo Financeiro (-24% a/a) após mudança de indexação na ViaQuatro, com impacto aproximado de R$ 63 milhões. A alavancagem permaneceu estável em 3,5x Dívida Líquida/EBITDA ajustado, apesar de capex de R$ 3,1 bilhões no trimestre, e o guidance de capex para 2026 totaliza R$ 8,3 bilhões, reiteramos recomendação de compra com a ação negociando a uma TIR real de 10%.
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- São Martinho (SMTO3); COMPRA; Preço-alvo R$ 39,00
O ano-safra de 2026 não deve ser excepcional, com volumes de moagem de cana abaixo do potencial e menor alavancagem operacional. Os preços do etanol se recuperaram recentemente, mas permanecem próximos aos custos de produção de cana. Os preços do açúcar estão em queda, com hedges apenas parcialmente amortecendo esse movimento. Mesmo nesse contexto, a companhia entregou margem EBITDA ajustada de quase 50%, 180 bps acima de um ano antes e 500 bps acima do esperado. O EBITDA foi de R$ 787 milhões, 9% menor a/a e 7% acima da estimativa. O desempenho veio apesar da venda de apenas 710 mil toneladas de ATR equivalente no trimestre, 20% menor a/a e 11% abaixo do projetado. Preços realizados acima do esperado, principalmente no açúcar (R$ 2.237/tonelada vs. R$ 2.089 esperados), elevaram o EBITDA unitário para R$ 1.109/tonelada, 14% maior a/a e 19% acima da estimativa. Nos primeiros nove meses da safra, a companhia produziu 3,3 milhões de toneladas de ATR, mas vendeu apenas 2,3 milhões na forma de açúcar, etanol e outros subprodutos. Considerando mais cerca de 70 mil toneladas esperadas da planta de etanol de milho antes do fim da safra, restam mais de 1,1 milhão de toneladas de ATR para vender no 4T do ano-safra de 2026, o que, mantendo economia unitária similar, implicaria EBITDA próximo de R$ 1,2 bilhão no trimestre, cerca de 40% acima da estimativa atual. A dívida líquida aumentou R$ 383 milhões t/t, levando Dívida Líquida/EBITDA a 1,8x, com consumo de R$ 106 milhões em capital de giro sazonal e R$ 270 milhões em capex de expansão, principalmente a aquisição de Santa Elisa e do projeto de etanol de milho. Para 2027, foram hedgeadas 301 mil toneladas de açúcar, menos de 30% da produção esperada, dado que a economia do etanol está mais atrativa do que a do açúcar, e a expectativa é de mix de etanol maior no início da próxima safra. Com clima mais benigno, projeta-se moagem de 23,6 milhões de toneladas em 2026/27, quase 2 milhões acima da atual, incluindo cerca de 600 mil toneladas de Santa Elisa, e estimativa de queda de 5,6% a/a no CPV caixa total, em linha com ganhos de produtividade.
Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A companhia divulgou os volumes de janeiro, interpretados como um início forte de ano. O volume total reportado atingiu 5,6 bilhões de TKU (+55% a/a; -22% m/m). Apesar da queda sequencial, o patamar ficou acima do que tipicamente se espera para janeiro, que é um mês sazonalmente mais fraco. O principal vetor foi o Corredor Norte, com crescimento sólido em soja, farelo de soja e milho. O resultado é visto como evidência de resiliência de participação de mercado, mesmo com ajustes em sua estratégia comercial. O dado também contribui para reduzir riscos sobre a estimativa de volumes para o ano e reforça confiança no momento operacional. Em média diária, os volumes recuaram para aproximadamente 181 milhões de TKU/dia (vs. ~234 milhões em dezembro), sugerindo operação abaixo da capacidade, em grande parte por maior nível de manutenção concentrado em janeiro. No detalhamento por ativo, o Corredor Norte totalizou 4,8 bilhões de TKU (+67% a/a; -23% m/m). No mês, o corredor transportou 2,4 bilhões de TKU de soja e farelo (>100% a/a) e 468 milhões de TKU de milho (vs. 36 milhões no ano anterior). O Corredor Sul registrou 584 milhões de TKU (+9% a/a), indicando desempenho mais normalizado. O cenário atual com níveis mais altos de estoques de grãos e dólar mais fraco, dinâmica de comercialização deslocada para o fim de 2025 e início de 2026, corrobora a recomendação de compra, com Rumo negociando a 6,5x EV/EBITDA estimado para 2026.
