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Sacre Investimentos
10 de mar. de 20267 min

Radar Diário Diário de Ações - 10/03/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

3tentos (TTEN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00

Os resultados recentes da 3tentos trouxeram maior atenção do mercado para o aumento significativo dos custos logísticos, que cresceram 60% a/a e passaram a representar 21% das receitas de grãos e farelo de soja no trimestre. A administração atribuiu o aumento principalmente à necessidade de antecipar compras de milho antes do início das operações da nova planta de etanol de milho, obrigando a companhia a redirecionar parte do volume por meio de transporte rodoviário mais caro. Situação semelhante ocorreu anteriormente durante a inauguração da planta de esmagamento de soja em Vera em 2023, quando os custos logísticos também aumentaram temporariamente antes de se normalizarem. Apesar da elevação recente, não consideramos que o nível atual de custos logísticos represente uma condição estrutural do negócio, uma vez que superaria inclusive o lucro bruto das divisões de grãos e indústria no período. O modelo atualizado assume custo logístico de R$290 por tonelada, abaixo do valor observado no trimestre, porém ainda acima da média histórica, refletindo maior exposição ao Mato Grosso. As projeções atuais indicam EBITDA de R$1,5 bilhão e lucro líquido de R$813 milhões, com expectativa de melhora operacional apoiada por margens mais fortes no esmagamento de soja, normalização do varejo e início das operações da planta de etanol de milho.

Construção Civil & Propriedades (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

Direcional (DIRR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00

A Direcional reportou números em linha no 4T, com ROE anualizado sólido de 44%, embora com geração de fluxo de caixa livre negativa em base recorrente. A receita líquida totalizou R$1,23 bilhão, alta de 33% a/a, enquanto o lucro bruto ajustado atingiu R$524 milhões, alta de 44% a/a, implicando margem bruta ajustada de 42,8%, 350 pontos-base acima do ano anterior. Apesar de uma leve surpresa positiva na receita, o lucro líquido foi de R$211 milhões no 4T, alta de 17% a/a e exatamente em linha com as estimativas, principalmente por conta de uma linha mais pesada de participação dos minoritários, em razão da venda da Riva. Na visão recorrente, houve queima de caixa de R$89 milhões, considerando R$231 milhões em receitas líquidas da venda da Riva e de outras SPEs, R$185 milhões em venda de recebíveis, distribuição de dividendos de R$804 milhões e aumento de R$32 milhões em dívida com partes relacionadas. Com isso, a companhia encerrou o 4T com dívida líquida de R$879 milhões, equivalente a 38% de Dívida Líquida/Patrimônio, alta de aproximadamente R$480 milhões t/t, após antecipar R$804 milhões em dividendos em dezembro para evitar tributação. O trimestre foi marcado por DRE forte, com crescimento de margens e expansão do ROE, mas por fluxo de caixa livre recorrente decepcionante, enquanto a companhia segue negociando a 7,5x P/L projetado para 2026.

Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

OdontoPrev (ODPV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 18,00

A OdontoPrev, que será renomeada Bradsaúde após a transação, divulgou novos comunicados ao mercado com detalhes adicionais sobre a reorganização societária que concentrará todos os ativos de saúde do grupo na nova companhia. Uma assembleia geral extraordinária foi convocada para 6 de abril para aprovação da operação, enquanto autorizações regulatórias adicionais ainda estão pendentes. Os laudos de avaliação indicaram valor aproximado de R$49 bilhões para os ativos da Bradesco Gestão de Saúde, incluindo negócios de seguros de saúde, plataforma de gestão de pagamentos em saúde, participações em diagnósticos e ativos hospitalares. Dentro da Atlântica Hospitais, os principais ativos incluem participações em Atlântica D’Or, Nova Marília, Grupo Santa, Novamed, Croma e novos projetos com MaterDei e Albert Einstein. A avaliação implícita indica potencial de valorização em relação ao valor de mercado atual da plataforma combinada, além de apontar redução gradual da participação do segmento de seguros no resultado consolidado ao longo do tempo. A relação de troca definida na transação implica emissão menor de ações do que a indicada pela avaliação teórica, resultando em menor diluição para os acionistas atuais da OdontoPrev.

Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00

Os resultados do 4T e a teleconferência de resultados contribuíram para alinhar as expectativas do mercado em relação ao ritmo de crescimento, margens e outros fatores relevantes do setor. A companhia manteve crescimento orgânico próximo de 10% a/a, consolidando uma nova fase de expansão e se desvinculando do período de crescimento mais fraco observado entre o final de 2023 e o início de 2025. As margens ficaram abaixo das estimativas recentes, refletindo principalmente custos temporários relacionados à mobilização de novos contratos e ao processo de normalização operacional da GRSA. A administração também destacou que mudanças na regulação trabalhista e a evolução da estratégia de aquisições são fatores relevantes a serem monitorados, embora contratos geralmente permitam repasse de custos trabalhistas mais elevados. As estimativas foram revisadas, com projeção de receita líquida consolidada de R$19,9 bilhões em 2026 e R$22,6 bilhões em 2027, além de EBITDA estimado em R$2,0 bilhões e R$2,4 bilhões, respectivamente. A expectativa permanece de crescimento gradual das margens e continuidade da expansão por meio de aquisições, com múltiplo aproximado de 12x P/L projetado para 2026.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

Grupo SBF (SBFG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 16,00

O Grupo SBF reportou um 4T com melhora nas tendências de receita, com números sólidos em Centauro e Físia, mas com rentabilidade pressionada pelo câmbio na Físia e por maiores despesas com vendas, gerais e administrativas, além de lucro líquido acima do esperado quando ajustado por impairments não caixa de goodwill. As vendas mesmas lojas da Centauro cresceram 15,7% a/a, incluindo vendas digitais, enquanto o GMV da operação online avançou 15,5% a/a e passou a representar 27% das vendas, levando a receita líquida da Centauro a crescer 15,8% a/a, para R$1,28 bilhão. Na Físia, as tendências de receita foram mais fracas, com vendas brutas em alta de 7,8% e receita líquida em alta de 13% a/a, beneficiadas por incentivos fiscais nas operações B2B, enquanto a receita líquida consolidada totalizou R$2,43 bilhões, alta de 12% a/a, em linha com as estimativas. A margem bruta consolidada foi de 47,5%, queda de 70 pontos-base a/a, pressionada principalmente pela Físia, enquanto o EBITDA ajustado pré-IFRS16 caiu 4,9% a/a, para R$225 milhões, com margem de 9,3%, e o lucro líquido ajustado foi de R$162 milhões, queda de 5% a/a. O fluxo de caixa operacional após capex foi de R$27 milhões, ante R$343 milhões no ano anterior, refletindo dinâmica mais fraca de capital de giro e maiores investimentos em capex, enquanto a alavancagem encerrou o trimestre em 0,96x Dívida Líquida/EBITDA pré-IFRS16, ante 0,94x no 3T25 e 0,38x no 4T24. A expectativa é de melhora gradual da receita com iniciativas para elevar vendas por metro quadrado e com vendas de produtos da Copa do Mundo, ao mesmo tempo em que a companhia negocia a 5,8x P/L projetado para 2026.

Track & Field (TFCO4); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00

A Track&Field entregou mais um 4T muito forte, apesar da receita abaixo das estimativas mais otimistas, o que foi totalmente compensado por margens acima do esperado, resultando em EBITDA em linha e lucro líquido ligeiramente acima das projeções. As vendas mesmas lojas cresceram 23,1% a/a, o volume avançou 17,5% a/a e o sell-out total atingiu R$588 milhões, alta de 26% a/a, sendo R$354 milhões via franquias, R$184 milhões via lojas próprias e R$50 milhões via ecommerce direto. A companhia encerrou o trimestre com 60% das lojas no novo formato e abriu 37 lojas nos últimos 12 meses, enquanto as lojas reformadas seguiram apresentando desempenho superior, e a receita líquida consolidada cresceu 18% a/a, para R$323 milhões. O lucro bruto avançou 24% a/a, para R$191 milhões, com margem bruta de 59,2%, alta de 260 pontos-base a/a, enquanto houve diluição de despesas com vendas, gerais e administrativas e a base de usuários da TFSports superou 1,2 milhão. Assim, o EBITDA ajustado pré-IFRS16 subiu 34% a/a, para R$78 milhões, com margem EBITDA de 24,2%, enquanto o lucro líquido ajustado pré-IFRS16 foi de R$56 milhões, alta de 40% a/a, e o fluxo de caixa operacional atingiu R$41 milhões no trimestre. A visão positiva segue apoiada em modelo asset-light de alta margem e alto ROIC, alinhamento com franqueados, presença nacional com formato flexível de lojas e ecossistema de vendas sociais, enquanto a ação negocia a 13x P/L projetado para 2026.