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Sacre Investimentos
11 de fev. de 20267 min

Radar Diário Diário de Ações - 11/02/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)

• Smart Fit (SMFT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 30,00

A Smartfit anunciou mudanças na alta administração e no Conselho. A principal alteração foi a eleição de Edgard Gomes Corona como presidente do Conselho, após a renúncia de Daniel Rizardi Sorrentino, que permanecerá como conselheiro. Paralelamente, Diogo Ferraz de Andrade Corona foi nomeado CEO, substituindo Edgard Corona na função executiva, enquanto José Luís Rizzardo Pereira assumiu como CFO no lugar de André Macedo Pezeta. As mudanças não representam um reinício estratégico. A redução gradual da participação do Pátria, atualmente em cerca de 7%, contribui para diminuir riscos de execução e governança. O novo CEO possui mais de 15 anos de experiência na companhia e atuava como diretor de operações, responsável por operações, expansão e marketing de todas as marcas. A nomeação reforça o foco em sucessão interna e executivos com profundo conhecimento operacional. O novo CFO acumulará também as funções de relações com investidores, M&A, planejamento financeiro e tesouraria. O antigo CFO será indicado ao Conselho na assembleia anual de 24 de abril de 2026, reforçando continuidade e governança. A companhia negocia a 14x P/L para 2026 e é uma das teses mais consensuais entre investidores locais. A tese de investimento é sustentada por escala regional elevada, forte retorno por unidade com expansão de margens via alavancagem operacional e exposição a um mercado fragmentado com oportunidades de consolidação. Apesar de riscos de curto prazo, projetamos crescimento composto do LPA de 32% entre 2025 e 2028 e manutenção da recomendação de compra.

Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

• Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00

A produção de carrocerias de ônibus em janeiro refletiu a sazonalidade, com queda de volumes tanto a/a quanto m/m. O desempenho mais fraco decorreu de efeitos de calendário, juros ainda elevados e normalização mais lenta da demanda doméstica e de exportação. O mix também foi menos favorável, com menor participação de segmentos de maior margem como rodoviários e de exportações. A produção consolidada da indústria totalizou 1.512 unidades, queda de 17% a/a e 27% m/m. Os volumes consolidados da companhia somaram 567 unidades, retração de 22% a/a e 47% m/m. A produção doméstica atingiu 1.395 unidades, enquanto as marcas do grupo responderam por 501 unidades no mercado interno. Micro e minibuses representaram 63% do volume, rodoviários 24% e urbanos 13%, indicando menor contribuição de segmentos de maior valor agregado. As exportações totalizaram 117 unidades, alta de 25% a/a, com 66 unidades atribuídas à companhia. O mix externo concentrou-se em rodoviários, que representaram 83% dos volumes. O mix consolidado permaneceu direcionado a segmentos de menor valor agregado, pressionando margens no curto prazo. Programas governamentais, licitações e melhores condições de financiamento podem apoiar volumes adiante. Ainda assim, o momento de resultados permanece pressionado e a recomendação segue neutra, com o yield de dividendos estimado em 9% para 2026 servindo como âncora de valuation.

 

Papel & Celulose (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)

• Suzano Papel e Celulose (SUZB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 62,00

A Suzano reportou resultados do 4T acima das estimativas, superando em 10% tanto as projeções internas quanto o consenso. A diferença foi impulsionada por maiores volumes de vendas de celulose e papel, parcialmente compensados por custos de vendas, gerais e administrativos mais elevados. Preços e custos ficaram em linha com as expectativas. A geração de fluxo de caixa atingiu R$2,3 bilhões, equivalente a um yield anualizado de 15%, apoiada por capex menor e liberação de capital de giro. Excluindo o capex de crescimento, a geração de caixa alcançaria R$3,4 bilhões, ou yield anualizado de 24%. A companhia anunciou programa de recompra de ações de 18 meses equivalente a 6,5% do free float. Também decidiu manter a produção de 2026 em 3,5% abaixo da capacidade anual. As vendas de celulose somaram 3,41 milhões de toneladas, com preços médios de US$538 por tonelada. O custo caixa foi de R$809 por tonelada, beneficiado por capacidade de baixo custo, insumos mais baratos e real mais forte. O EBITDA de celulose atingiu R$4,79 bilhões e o de papel R$785 milhões, ambos acima das estimativas. A alavancagem líquida recuou marginalmente para 3,2x. A companhia mantém posição competitiva em volume e custo, mas o desempenho futuro depende de condições macro como preços de celulose e câmbio, sustentando a recomendação de compra.

Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

• TIM Part (TIMS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 22,00

A companhia apresentou resultados sólidos no quarto trimestre, encerrando um ano de forte desempenho operacional. A receita de serviços cresceu 5,1% a/a, em linha com as estimativas. A receita móvel atingiu R$6,3 bilhões, alta de 4,8% a/a, enquanto a receita fixa avançou 9,3% a/a, acima das projeções. Os custos operacionais recuaram 1% a/a, desempenho melhor do que o esperado. Como resultado, o EBITDA alcançou R$3,67 bilhões, alta de 10% a/a, com margem de 53,1%. O lucro líquido cresceu 29% a/a para R$1,35 bilhão, beneficiado por menores despesas financeiras e impostos. O capex somou R$1,35 bilhão e as despesas de leasing ficaram abaixo das estimativas. A combinação de EBITDA mais forte e menor investimento levou a crescimento de 28% a/a na geração operacional de fluxo de caixa. No segmento pós-pago, a receita avançou 9,5% a/a, apoiada por reajustes de preços, upselling e churn controlado. A receita do segmento pré-pago caiu 6,5% a/a, refletindo migração para planos híbridos. O ARPU móvel cresceu 4,2% a/a e a receita de fibra avançou 6,2% a/a. Em um ambiente competitivo saudável, o setor deve sustentar crescimento de receita próximo à inflação, expansão de margens, capex estável e crescimento consistente do fluxo de caixa e dividendos.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

• Petrobras (PETR4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 40,00

A companhia apresentou resultados operacionais em linha com as expectativas, com produção estável em exploração e menor utilização das refinarias parcialmente compensada por maiores exportações de petróleo. Apesar de spreads de refino mais fortes, a queda do Brent deve resultar em redução sequencial de aproximadamente 5% no EBITDA. A aceleração do capex no fim do ano, estimado em cerca de US$5,5 bilhões, somado a saídas de caixa pontuais de US$1,7 bilhão, pressiona a geração de caixa. Como consequência, os dividendos devem ficar pressionados, com estimativa de US$1,2 bilhão no trimestre, abaixo do consenso de US$1,7 bilhão. Reiteramos a recomendação neutra devido a perspectivas financeiras apertadas, baixa visibilidade macro-política e yield estimado de cerca de 8% em 2026, limitando o avanço do valuation. O EBITDA projetado é de US$11,25 bilhões, queda de 5% t/t, refletindo recuo de 7% no Brent e produção estável. Spreads mais elevados devem sustentar recuperação sequencial do EBITDA por barril na distribuição para aproximadamente US$8,4. O EBITDA da exploração é estimado em US$10,4 bilhões, parcialmente compensado por melhora em RTM e G&P. O fluxo de caixa livre estimado é de US$2,7 bilhões, impactado por desembolsos extraordinários relacionados ao acordo de Jubarte e ao leilão da PPSA. A produção doméstica de petróleo atingiu cerca de 2,50 milhões de barris por dia, estável t/t, com manutenção e depleção compensadas por novos FPSOs e maior eficiência em Búzios. No refino, a utilização caiu para 89% devido a paradas em REVAP, elevando exportações de petróleo em 23% t/t e aumentando importações de diesel e gasolina.