Radar Diário Diário de Ações - 11/03/26
Construção Civil & Propriedades (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
Allos (ALOS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 39,00
A Allos reportou um 4T25 sólido, com DRE amplamente em linha com as estimativas e indicadores operacionais consistentes. A receita foi de R$851 milhões (+3% a/a; 1% acima das estimativas), o EBITDA ajustado totalizou R$630 milhões (+1% a/a; 2% abaixo das estimativas), com margem EBITDA ajustada de 74% (-170bps a/a e -260bps versus as estimativas), enquanto o FFO ficou em R$0,85 por ação (-6% a/a), 4% abaixo do esperado, devido a custos caixa um pouco maiores. Nos indicadores operacionais, o SSS cresceu 3,0% a/a, o SSR avançou 5,7% a/a, a vacância encerrou o trimestre em 2,4% com queda de 90bps a/a, o custo de ocupação dos lojistas ficou em 9,9% das vendas e a inadimplência líquida foi de -1,6%. A companhia também divulgou guidance para 2026, reiterando dividendos mensais de R$0,28–0,30 por ação, capex de R$350–450 milhões, EBITDA de R$2,17–R$2,24 bilhões e geração de caixa esperada de R$539 milhões em projetos multiuso, ante R$433 milhões anteriormente. Resultados do 4T25 sem surpresas relevantes, com números operacionais sólidos e guidance de EBITDA amplamente em linha com o consenso, sustentando a manutenção da recomendação de compra, com a ação negociando a 10x P/FFO 2026 e oferecendo dividend yield de cerca de 11% em 2026.
Cury (CURY3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00
A Cury reportou um 4T25 forte em todas as linhas, com crescimento sólido de receita líquida e lucro líquido na comparação anual e LPA 6% acima das estimativas. A receita líquida atingiu R$1,42 bilhão (+37% a/a; em linha com as estimativas), a margem bruta ajustada foi de 40,6% (+135bps a/a e 60bps acima das estimativas) e o lucro líquido somou R$270 milhões (+63% a/a), favorecido por despesas com custos de vendas, gerais e administrativos menores do que o esperado, implicando ROE anualizado de cerca de 80%. No trimestre, a companhia também registrou geração de fluxo de caixa de R$315 milhões, equivalente a um yield anualizado de 12%, apoiada pelo modelo asset-light e por transferências de recebíveis para bancos no valor de R$1,5 bilhão (+61% a/a). Mesmo considerando a distribuição de R$1,02 bilhão em dividendos e a oferta subsequente de R$574 milhões realizadas no trimestre, a companhia encerrou 2025 com posição líquida de caixa de R$316 milhões. O desempenho do trimestre combinou LPA acima das estimativas com forte geração de caixa, reforçando a manutenção da recomendação de compra, com a ação negociando a 8x P/L 2026.
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
Vale (VALE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 80,00
Em reunião com o CEO, o foco principal foi a oportunidade de criação de valor em cobre, ainda pouco refletida pelos investidores, enquanto a administração buscou moderar expectativas sobre um potencial IPO da VBM e redirecionar a atenção para execução operacional e crescimento da capacidade para acima de 450-500 mil toneladas entre 2030 e 2031 e perto de 700 mil toneladas por ano em 2035. Em minério de ferro, a companhia avaliou que a demanda permanece resiliente, com exportações chinesas de aço atuando como amortecedor, estoques portuários mais ligados a material australiano de menor teor, prêmios mais fortes em alguns produtos e suporte adicional vindo da exaustão natural da oferta, da redução gradual do teor da indústria e do crescimento da demanda da Índia. Em cobre, a companhia reiterou confiança no crescimento de longo prazo da VBM, especialmente em Carajás, afirmou que a expansão é essencialmente autofinanciada, destacou Bacaba em construção e Alemão com licença preliminar protocolada, além da possibilidade de parcerias futuras para apoiar o desenvolvimento dos projetos. Em relação ao Irã, frete e petróleo, a companhia informou que cerca de 75% da exposição a combustível está protegida, que um movimento de US$10 por barril no petróleo implicaria cerca de US$1 por tonelada em custos totais anualizados, que quase 100% dos volumes de frete estão contratados e que eventuais disrupções de oferta dependerão da duração do conflito e dos efeitos sobre a demanda global. A companhia reiterou foco em balanço conservador, retorno ao acionista via recompras e dividendos, baixa disposição para M&A, possibilidade de monetização de infraestrutura, maior aproximação institucional em Brasília e redução de riscos com barragens, reiteramos recomendação de compra com ações negociando abaixo de 5x EV/EBITDA 2026 e yield de geração de fluxo de caixa de cerca de 8%.
Papel & Celulose (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
Klabin (KLBN11); NEUTRO; Preço-alvo R$ 23,00
Em reunião com a CFO, foi indicado que a desalavancagem segue como principal prioridade, com meta de dívida líquida/EBITDA de 2,5x em um horizonte de 12 a 24 meses, apoiada por redução de capex e custos em um ambiente de mercado mais desafiador. A administração afirmou que os fundamentos de celulose, embalagens e kraftliner evoluíram melhor do que o esperado no início de 2026, com recuperação dos preços de celulose, demanda resiliente em embalagens e racionalização de capacidade nos Estados Unidos abrindo espaço para exportações, embora o cartão revestido continue fraco e o real mais forte compense parte dessas melhoras. Como há pouco espaço para novas transações florestais relevantes e não são esperados desinvestimentos significativos, a desalavancagem deve depender cada vez mais da geração de fluxo de caixa, após redução de custos fixos em 2025 e com foco atual em eficiência de custos variáveis e revisão de contratos de fornecimento. As transações florestais anteriores, especialmente após a incorporação dos ativos da Arauco, elevaram o caixa de R$7,5 bilhões em 2024 para R$10,9 bilhões em 2025 e reduziram a alavancagem de 3,9x para 3,3x, enquanto a conversão da MP28 segue em ritmo mais lento e sem expectativa de melhora significativa em 2026 frente a 2025. A alocação de capital continuará subordinada à prioridade de desalavancagem, sem grandes decisões no curto prazo, e novos projetos como uma eventual expansão em fluff pulp só serão considerados após atingir a meta de 2,5x e se os retornos forem suficientemente atrativos, o que sustenta a recomendação neutra diante da visibilidade limitada para uma aceleração mais forte da desalavancagem e para revisões mais relevantes de lucro líquido.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
PRIO (PRIO3); COMPRA; Preço-alvo R$ 56,00
A PRIO reportou EBITDA ajustado ex-IFRS 16 de aproximadamente US$341 milhões no 4T25, em linha com as expectativas, com maior produção e diluição de custos compensando um Brent mais fraco. A produção aumentou 46% t/t para cerca de 128 mil barris por dia, refletindo a retomada da produção e incorporação de participação adicional de 40% em Peregrino, além de reparos no sistema de compressão de gás e substituição de turbina em Albacora Leste, enquanto o lifting cost recuou para US$12,5 por barril, ante US$17,4 por barril no 3T25. O fluxo de caixa para o acionista ficou ligeiramente negativo em US$9 milhões devido ao capex mais elevado, de aproximadamente US$252 milhões, relacionado a perfurações em Wahoo, Peregrino e Polvo, além de manutenção em ABL, ao passo que a dívida líquida subiu para US$4,3 bilhões e a alavancagem atingiu 2,3x Dívida Líquida/EBITDA após a aquisição de 40% de Peregrino. A certificação de reservas mostrou reservas 1P e NPV@10% praticamente inalterados, em cerca de 757 milhões de barris e US$16,4 bilhões, mas a curva de geração de caixa foi postergada por conta de menor produção e capex mais alto no curto prazo, ligados ao atraso no desenvolvimento de Albacora Leste e a mais perfurações em Frade/Bravo. O principal catalisador segue sendo o primeiro óleo de Wahoo, com expectativa de crescimento adicional no curto prazo via os 20% remanescentes em Peregrino, além de desalavancagem ao longo de 2026 e anúncio de política de dividendos no 1S26, o que sustenta a manutenção de PRIO como Top Pick.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00
A produção de carrocerias de ônibus em fevereiro mostrou continuidade de uma tendência mais fraca na comparação anual, embora com aceleração na comparação mensal, refletindo a sazonalidade de janeiro e efeitos de calendário no setor. O mix não apresentou deterioração nem melhora relevante, com a participação ainda baixa do segmento rodoviário no início do ano e a resiliência dos micro-ônibus, enquanto o crescimento das exportações foi mais moderado devido a uma base de comparação mais desafiadora. A produção consolidada total da indústria, considerando mercado doméstico e exportações, atingiu 2.374 unidades (-1% a/a; +57% t/t), enquanto os volumes consolidados da Marcopolo somaram 1.042 unidades (-12% a/a; +84% t/t) entre as marcas Marcopolo, Neobus e Volare. No mercado doméstico, a indústria produziu 2.128 unidades (-3% a/a; +53% t/t), sendo 912 unidades das marcas da companhia (-14% a/a; +82% t/t), com predominância de micro e minibuses, enquanto nas exportações foram produzidas 246 unidades (+17% a/a), das quais 130 foram da companhia (+7% a/a; +97% t/t), concentradas principalmente em ônibus rodoviários. Em fevereiro, o mix consolidado da companhia ficou em 10% urbano, 29% rodoviário e 61% micro e minibuses, e a combinação de crescimento mais fraco nas exportações, desempenho ainda fraco no segmento rodoviário e suspensão do leilão do CdE sustenta a manutenção da recomendação neutra, apesar do múltiplo de 6x P/L 2026 e do dividend yield de 8% neste ano.
