Radar Diário Diário de Ações - 12/01/26
Saúde (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Saúde
Desde a pandemia de Covid-19, os lucros reportados dos setores de saúde e educação melhoraram de forma relevante, mas a recuperação contábil isolada não é suficiente em um ambiente de juros reais elevados por um longo período. A geração de caixa tornou-se a principal restrição para criação de valor, uma vez que apenas o caixa permite pagamento de dividendos, recompra de ações e desalavancagem. Avaliamos historicamente e prospectivamente o fluxo de caixa para o acionista e seus yields para companhias desses setores, com foco na qualidade, persistência e nos fatores que sustentam essa geração de caixa. Os cálculos consideram ajustes por desembolsos com M&A, dividendos e emissões ou amortizações de dívida para refletir melhor a dinâmica recorrente. No setor de saúde, os últimos anos foram marcados por um ciclo de normalização pós-pandemia, após colapso de utilização em 2020 e forte pressão de custos e sinistralidade em 2021–22. A partir de 2023, houve ajuste por meio de aumentos de preços, subscrição mais rigorosa e ganhos de eficiência, com melhora gradual até 2024–25, apesar de prazos de pagamento estruturalmente piores que no pré-Covid. Nesse contexto, a geração de caixa foi volátil e heterogênea, refletindo variações de capital de giro, carga financeira, custos de integração pós-M&A e intensidade de reinvestimentos. Modelos asset-light apresentaram perfis de caixa mais estáveis, enquanto companhias com maior alavancagem e agendas intensas de integração mostraram fluxo de caixa para o acionista estruturalmente mais fraco. No agregado, o setor de saúde apresentou yields de fluxo de caixa livre reduzidos, tanto em base 12M quanto em 2024. Já a educação entrou em uma fase distinta, após anos de ajustes decorrentes do legado do FIES, excesso de capacidade, M&A agressivo e expansão do ensino a distância. Com juros mais altos e balanços pressionados, as companhias priorizaram desalavancagem, eficiência e preservação de caixa, reduzindo capex e apetite por grandes aquisições. Como resultado, o setor exibiu geração de caixa sólida em 2024–25, com yields elevados e fluxo de caixa para o acionista positivo de forma consistente, ainda que esses indicadores exijam cautela na interpretação.
Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A Rumo reportou volumes recordes em dezembro, totalizando 7,3 bilhões de TKU, com crescimento de 29% a/a, impulsionado principalmente por grãos. No trimestre, os volumes atingiram 22,9 bilhões de TKU, acima das estimativas, o que adiciona viés positivo aos resultados do quarto trimestre. No acumulado do ano, a companhia encerrou 2025 com aproximadamente 84 bilhões de TKU, entregando o ponto médio do guidance e superando as projeções. O desempenho mais forte de volumes sustenta a expectativa de expansão de margem e aumenta a probabilidade de atingir o limite inferior do guidance de EBITDA, apesar de um ambiente de preços ainda desafiador. No corredor norte, os volumes alcançaram 6,3 bilhões de TKU, com crescimento expressivo a/a, enquanto o corredor sul apresentou volumes menores em base mensal, refletindo a normalização após as enchentes de 2024. No quarto trimestre, o mix de produtos e os níveis operacionais diferiram do padrão histórico, em função de dinâmicas contratuais e do ciclo de safra atípico observado no ano. Os volumes de dezembro também se beneficiaram de exportações de grãos acima do usual, estratégia de preços mais agressiva e retenção de soja no sistema até o fim do ano. Em 2025, o ano foi incomum, com menor volume contratado no início, maior exposição ao mercado spot e impacto climático negativo no primeiro semestre, compensado por um segundo semestre mais forte. A companhia também promoveu ajustes de preços ao longo do ano para defender participação de mercado em um cenário tarifário mais difícil. Para 2026, espera-se a continuidade dessa estratégia, ao mesmo tempo em que novas capacidades começam a entrar em operação. Entre os projetos, destacam-se a joint venture no terminal STS11, a primeira fase do LDRV e investimentos adicionais no Porto de Santos e em terminais internos. Mesmo considerando uma safra mais fraca, a expectativa é de volumes de 89 bilhões de TKU ao final de 2026.
