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Sacre Investimentos
12 de fev. de 20267 min

Radar Diário Diário de Ações - 12/02/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)

  • Assaí (ASAI3); COMPRA; Preço-alvo R$ 14,00

A companhia reportou resultados fracos no 4T, com desaceleração da receita líquida levemente acima das estimativas, enquanto o lucro operacional e o lucro líquido ficaram ligeiramente abaixo do esperado. A geração de fluxo de caixa foi sólida e acompanhada de desalavancagem consistente, conforme antecipado. A receita líquida cresceu 3% a/a para R$ 20,8 bilhões, com vendas mesmas lojas avançando 0,9% a/a, impactadas por deflação em categorias como arroz, leite, açúcar e feijão. Foram abertas 10 lojas nos últimos 12 meses, sendo oito no trimestre, elevando a área de vendas em 3%. As lojas convertidas desde 2022 registraram vendas mensais de R$ 28,6 milhões por unidade, alta de 22%, com margem EBITDA pré-IFRS16 de 6,2%. O lucro bruto cresceu 6% a/a, mas o EBITDA ajustado pré-IFRS16 ficou levemente abaixo das estimativas, enquanto o EBITDA pós-IFRS16 ficou em linha. O fluxo de caixa operacional após capex atingiu R$ 2,6 bilhões, reduzindo a dívida líquida para R$ 11,3 bilhões e a alavancagem para 2,56x Dívida Líquida/EBITDA. Para 2026, a agenda inclui novas iniciativas comerciais, expansão digital, serviços financeiros, monetização de créditos tributários, capex disciplinado e foco contínuo na desalavancagem.

Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • Banrisul (BRSR6); NEUTRO; Preço-alvo R$ 13,50

O banco reportou lucro líquido de R$ 657 milhões no quarto trimestre, com ROE de 24%, fortemente impulsionado por efeitos não recorrentes e reversões tributárias. Excluindo esses efeitos, o lucro antes dos impostos ajustado ficou significativamente abaixo das estimativas, pressionado por maiores provisões de crédito e margem financeira mais fraca. A carteira de crédito cresceu 1,5% t/t, com maior participação de empréstimos corporativos e não consignados. A margem financeira, incluindo recuperações, cresceu 3% t/t, mas permaneceu abaixo do esperado devido ao aumento de créditos em estágio 3. As receitas de tarifas ficaram em linha com as estimativas. As provisões para perdas com crédito aumentaram fortemente, refletindo maiores inadimplências e um efeito pontual judicial. O guidance para 2026 indica crescimento moderado da carteira, expansão da margem financeira ajustada ao risco e aumento de despesas operacionais. A rentabilidade estrutural segue pressionada por maior concorrência, mudanças regulatórias e incertezas macroeconômicas, resultando em postura mais cautelosa em relação ao papel.

Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)

  • Totvs (TOTS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 55,00

O segmento de gestão registrou receita de R$ 1,44 bilhão, alta de 17% a/a, com crescimento de receita recorrente de 20% e margem EBITDA de 28,5%. O EBITDA dessa divisão atingiu R$ 410 milhões, superando as estimativas, com expansão relevante de margem. A unidade RD Station apresentou crescimento de receita de 14,4% a/a, com adições líquidas de ARR em linha com o ritmo observado ao longo do ano e margem praticamente estável. A divisão Techfin mostrou desempenho fraco, com originação de crédito estável e EBITDA abaixo das estimativas devido ao aumento de despesas operacionais. No consolidado, a receita cresceu 16,5% a/a e o EBITDA avançou 23,4% a/a, com margem de 26,3%. O lucro caixa atingiu R$ 272 milhões, superando as estimativas e crescendo 15% a/a. A companhia anunciou o lançamento da plataforma de inteligência artificial Lynn, estruturada em três camadas para desenvolvimento, operação e governança de agentes. Para sustentar a estratégia, prevê capex incremental de R$ 75 milhões anuais e cerca de R$ 600 milhões em P&D capitalizado entre 2026 e 2029.

Propriedades (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

  • LOG (LOGG3); COMPRA; Preço-alvo R$ 26,00

O 4T foi marcado por números operacionais sólidos, sustentando crescimento relevante de receita líquida, mas o FFO permaneceu pressionado por despesas financeiras. A receita líquida somou R$ 65 milhões, alta de 17% a/a e 3% abaixo das nossas estimativas, enquanto o EBITDA ajustado foi de R$ 48 milhões, alta de 14% a/a e 4% abaixo do esperado. A margem EBITDA ficou em 73%, queda de 180 bps a/a e 100 bps abaixo da nossa projeção. O lucro líquido foi de R$ 70 milhões, recuo de 29% a/a, e o FFO, excluindo efeitos não caixa, ficou próximo de zero, em -R$ 1 milhão, em linha com as nossas estimativas. Três projetos foram entregues no trimestre, totalizando 98.400 m² de ABL, com 88% pré-locado, yield-on-cost de ~14% e ticket médio de R$ 23/m²/mês. A vacância encerrou o período em 3,1% e o aluguel do mesmo cliente avançou 2,7% em termos reais, apoiado pela renegociação de contratos, com 46% da primeira fase concluída e aumento de 43% nos aluguéis. A companhia anunciou a venda de 12 ativos por R$ 1,05 bilhão, com cap rate de saída estimado em ~8%. Reiteramos a recomendação de compra com TIR real implícita de 12%, destacando efeito gerador de valor e redução de alavancagem.

Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • Banco do Brasil (BBAS3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 25,00

O lucro líquido gerencial no 4T foi de R$ 5,7 bilhões, com ROE de 12,4%, alta de 52% t/t e queda de 40% a/a, acima das nossas estimativas e do consenso. O resultado foi impulsionado por uma linha tributária “positiva” de 38%, equivalente a ganho de R$ 1,8 bilhão, ligada a maior constituição de DTA em subsidiárias offshore e perdas de crédito. O EBT ficou 17% abaixo das nossas estimativas, refletindo maiores provisões e despesas operacionais mais fracas, parcialmente compensadas por surpresa positiva em margem financeira. A carteira de crédito cresceu 1% t/t e 1% a/a para R$ 1,2 trilhão, com avanço em consignado privado, cartões e agronegócio, enquanto a carteira corporativa ficou estável. A margem financeira total, incluindo recuperações, ficou 3% acima das expectativas, enquanto receitas de tarifas ficaram estáveis t/t e 3% abaixo das nossas estimativas. A formação de inadimplência permaneceu elevada, com aumento do NPL >90 dias para 5,2%, especialmente no agronegócio, e provisões brutas de R$ 19 bilhões, alta de 6% t/t e 87% a/a. O CET1 subiu para 12,23%, mas há ajustes regulatórios já contratados para 2026, e o banco divulgou guidance de lucro líquido de R$ 22 a 26 bilhões, com payout de 30%. Reiteramos a recomendação neutra diante da baixa visibilidade de normalização do risco no agro.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • JBS (JBSS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 110,00

Os ciclos tendem a seguir o padrão histórico de alta e baixa, mesmo que o timing varie, e o resultado da Pilgrim’s Pride’s no 4T surpreendeu negativamente pela magnitude do desempenho. O EBITDA ajustado foi de US$ 413 milhões, 13% abaixo das nossas estimativas, com margem de 9,1% em linha com a média histórica de dez anos, e itens não recorrentes de US$ 87 milhões ligados principalmente a acordos de litígios nos EUA. O lucro líquido foi de US$ 88 milhões, ou US$ 162 milhões ajustado, abaixo da nossa projeção, com a decepção concentrada nos EUA e no México, enquanto a Europa manteve margens fortes. Nos EUA, a margem EBITDA caiu de 16,8% no terceiro trimestre para 10,6% no quarto trimestre, ajustada por litígios, acompanhando a queda de 36% t/t dos spreads domésticos de frango. A composição de Small Birds, Case Ready e Prepared Foods pode gerar alguma resiliência, mas as margens tendem a convergir para o nível do setor, e a compressão pode não ter terminado com a expansão da oferta. No México, a margem caiu 540 bps a/a e o EBITDA recuou 71% a/a, atribuídos a aumento de importações e fundamentos desequilibrados no mercado da commodity viva. A queda de 410 bps na margem EBITDA t/t foi a mais intensa desde o fim de 2022, com produção de frango nos EUA subindo 3,4% em 2025 e spreads abaixo dos níveis do ano anterior, reforçando a expectativa de novas quedas com maior oferta. Apesar do desafio no setor de carne de frango, a JBS permanece com recomendação de compra por diversificação combinada a geração de caixa e potencial de dividendos.