Radar Diário Diário de Ações - 12/03/26
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- SLC Agrícola (SLCE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 24,00
A SLC teve um ano de atividade intensa, com assinatura de novos contratos de arrendamento, compra e venda de terras, encerramento de parcerias antigas e formação de novas, o que garantiu contratos capazes de expandir a área plantada em cerca de 100 mil hectares e abrir caminho para crescimento de 14% na próxima safra. Em 2025, a companhia investiu R$1,7 bilhão em capex, sendo 68% direcionados à expansão, o que levou a uma queima de caixa de R$930 milhões. A revisão do guidance concentrou-se na área plantada, com manutenção de produtividade e custos unitários, mas com mudanças relevantes no mix, incluindo redução de 1,5% na área de soja e de 13% na área esperada de algodão de segunda safra, em razão das chuvas de janeiro. Os custos por hectare devem subir 9,2% na safra 2025/26, movimento associado principalmente ao maior uso de fertilizantes em áreas recentemente adicionadas, enquanto a companhia ainda não comprou nitrogênio ou potássio para a safra 2026/27. A receita atingiu R$2,4 bilhões, alta de 12% a/a, com maior produtividade da soja compensando preços mais baixos de soja e algodão, enquanto o EBITDA totalizou R$633 milhões, alta de 4% a/a, com margem de 29,5%. No ano, o EBITDA somou R$2,7 bilhões, 13% acima da estimativa, com margem de 31,2%, e a alavancagem encerrou o período em 2,0x Dívida Líquida/EBITDA. A companhia segue combinando crescimento de dois dígitos, alocação contracíclica de capital e atuação em uma das indústrias mais competitivas do Brasil, embora o valuation não pareça especialmente atrativo sem um movimento mais relevante dos preços das commodities.
Construção Civil & Propriedades (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Moura Dubeux (MDNE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00
A Moura Dubeux reportou mais um conjunto forte de resultados no 4T, com margens sólidas que levaram o lucro por ação a superar as estimativas. A receita líquida totalizou R$705 milhões, alta de 92% a/a e 2% acima das projeções, impulsionada pelo reconhecimento de taxas de desenvolvimento de terrenos provenientes de três grandes projetos. A margem bruta atingiu 33,7%, estável na comparação anual e 110 pontos-base acima do esperado, sustentando um lucro líquido de R$112 milhões, alta de 149% a/a e 8% acima das estimativas. O ROE anualizado foi de 29% no trimestre, refletindo a solidez operacional apresentada no período. A companhia reportou queima de caixa de R$14 milhões no 4T, principalmente em função do forte volume de vendas e da coleta de taxas em seu negócio de condomínios. Com balanço sólido, distribuiu R$51 milhões em dividendos e encerrou o 4T de 2025 com dívida líquida de R$330 milhões, equivalente a uma relação Dívida Líquida/Patrimônio Líquido de 22%. Após a conclusão do aumento de capital no 1T, esse nível de alavancagem tende a cair ainda mais.
- Lavvi (LAVV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A Lavvi reportou resultados sólidos no 4T de 2025, em linha com as estimativas da receita ao lucro líquido. A receita líquida foi de R$530 milhões, queda de 8% a/a, apoiada pelo forte desempenho dos lançamentos no período, especialmente do projeto Casa Cerâmica, enquanto a margem bruta ajustada atingiu 35,5%, retração de 210 pontos-base a/a. O lucro líquido somou R$105 milhões, conforme esperado, recuo de 13% a/a sobre uma base de comparação forte, mas ainda garantindo um ROE anualizado de 28%. A companhia registrou queima de caixa de R$45 milhões no trimestre, movimento já indicado na prévia operacional e explicado principalmente por aquisições de landbank, dentro do esforço de recomposição do banco de terrenos ao longo do ano passado. Considerando os R$275 milhões em dividendos pagos no período, a dívida líquida encerrou 2025 em R$398 milhões. Esse valor implica uma relação Dívida Líquida/Patrimônio Líquido de 22%, considerada confortável. Mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador, marcado por taxas de financiamento imobiliário elevadas, a companhia manteve rentabilidade forte e alavancagem controlada no trimestre.
- Plano&Plano (PLPL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A Plano&Plano apresentou resultados do 4T acima das estimativas, com crescimento do resultado na comparação anual e lucro por ação 8% superior ao esperado. A receita líquida totalizou R$1,08 bilhão, alta de 60% a/a, embora 2% abaixo das projeções, enquanto a margem bruta ajustada ficou em 30,1%, queda de 370 pontos-base a/a, refletindo maiores descontos para acelerar vendas de estoques. O lucro por ação foi de R$0,66, alta de 49% a/a, beneficiado por participação dos minoritários abaixo do esperado. No trimestre, a companhia registrou queima de caixa de R$23 milhões, principalmente em razão do crescimento operacional, com aumento de R$283 milhões em recebíveis na comparação trimestral, mesmo após a securitização de R$123 milhões em recebíveis. Ao final do ano, a dívida líquida somava R$45 milhões. Isso correspondeu a uma relação Dívida Líquida/Patrimônio Líquido de apenas 4%, indicando estrutura de capital bastante conservadora. Apesar da compressão da margem bruta, menores despesas com custos de vendas, gerais e administrativos e menor participação dos minoritários sustentaram o desempenho do lucro no período.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Vibra Energia (VBBR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 31,00
A Vibra entregou EBITDA de R$1,8 bilhão, em linha com as expectativas, mantendo o momento positivo de expansão de margens e ganho de participação de mercado em um ambiente setorial construtivo. A geração de caixa ficou abaixo do esperado em razão de contas não recorrentes e tributárias no capital de giro, e, ajustado por esses efeitos, o fluxo de caixa para o acionista recorrente teria sido de R$800 milhões. O negócio de distribuição de combustíveis continuou forte, com margem EBITDA recorrente de R$167/m³ e volume total de 9,5 bilhões de litros, alta de 5% a/a e 3% t/t, apoiado pela expansão de margens em varejo e B2B e maior penetração de produtos de maior margem no mix de vendas. O volume mensal por posto avançou para cerca de 270 m³ por mês, enquanto o número de postos caiu 466 unidades, para 7.922. A Comerc entregou EBITDA de R$312 milhões, acima da estimativa de R$260 milhões, alcançando o ponto médio do guidance revisado de EBITDA de 2025, com melhor disponibilidade em geração centralizada e desempenho mais forte em geração distribuída. No 4T, o capital de giro consumiu R$29 milhões, ou cerca de R$726 milhões ao considerar contas não recorrentes ligadas a tributos, em um trimestre que normalmente favorece a geração de caixa das distribuidoras. A alavancagem seguiu em trajetória de queda e atingiu 2,4x Dívida Líquida/EBITDA, ante 2,8x no 3T, refletindo maior EBITDA nos últimos 12 meses e redução sequencial da dívida líquida.
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- YDUQS (YDUQ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
A YDUQS apresentou resultados fracos no 4T, com geração de fluxo de caixa livre pressionada por itens não recorrentes e menor desempenho operacional. A receita líquida somou R$1,3 bilhão, crescimento de 3% a/a e abaixo das estimativas, enquanto a margem bruta caiu 60 pontos-base devido ao aumento dos custos com professores relacionados ao novo marco regulatório. Excluindo impairment não caixa de R$44 milhões, o EBITDA ajustado teria alcançado R$406 milhões, crescimento de 3% a/a e abaixo das projeções. O ciclo de captação de alunos para 2026 mostra queda de aproximadamente 7% nas matrículas, refletindo forte redução nos cursos digitais, parcialmente compensada pelo crescimento dos cursos híbridos. O segmento premium, composto por Ibmec e Idomed, foi o principal destaque, com crescimento de receita e expansão significativa de margens operacionais. O fluxo de caixa livre após capex somou R$157 milhões no trimestre, enquanto o fluxo de caixa para o acionista foi negativo em R$59 milhões após despesas financeiras. No acumulado do ano, o fluxo de caixa livre atingiu R$1,05 bilhão e o fluxo de caixa para o acionista ficou em R$500 milhões, no limite inferior do guidance anual da companhia.
- Cogna (COGN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 5,00
A Cogna divulgou resultados do 4T praticamente em linha com as estimativas, com geração de fluxo de caixa livre ainda como destaque positivo, embora os números tenham sido afetados pelo adiamento das vendas do PNLD. A receita líquida totalizou R$2,2 bilhões, alta de 2% a/a, enquanto o EBITDA ajustado caiu 5% a/a, para R$769 milhões, impactado pelo adiamento dessas vendas; excluindo reversões de provisões do 4T de 2024 e as vendas do PNLD postergadas para o primeiro trimestre, o EBITDA ajustado teria crescido 6% a/a. Na Kroton, a receita líquida alcançou R$1,2 bilhão, com crescimento apoiado pela expansão da base de alunos pagantes e pelo aumento do ticket médio, embora a rentabilidade tenha sido pressionada por maiores custos acadêmicos, incluindo investimentos em escolas médicas, maior uso de professores horistas e maturação de unidades recém-abertas. A Vasta apresentou outro trimestre sólido, com crescimento de receita apoiado por vendas B2G e avanço da receita de assinaturas, além de expansão de margem por melhora no mix e ganhos de eficiência. Já a Saber teve desempenho mais fraco, com queda de receita e EBITDA, refletindo principalmente o adiamento de compras do PNLD para o início de 2026, deslocando cerca de R$166 milhões em receita e R$52 milhões em EBITDA para o primeiro trimestre. O fluxo de caixa operacional após capex atingiu R$335 milhões no trimestre, enquanto o fluxo de caixa para o acionista somou R$132 milhões, impactado pelo descasamento temporal dos recebimentos do PNLD, e a dívida líquida encerrou o período em R$2,8 bilhões, com alavancagem de 1,21x Dívida Líquida/EBITDA. O desempenho do próximo ciclo de captação permanece como o principal ponto de atenção, enquanto a desalavancagem em curso e a geração sustentável de fluxo de caixa continuam preservadas.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Embraer (EMBJ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 125,00
Após a divulgação dos resultados do 4T, as ações da Embraer passaram por um período de maior cautela por parte dos investidores após dois anos de forte valorização, refletindo em parte o tom mais conservador do guidance para 2026 e a transição da companhia para uma fase mais focada em execução e entregas. O ano de 2025 foi um dos mais fortes da história da empresa, com crescimento relevante em pedidos, entregas e desempenho financeiro, com as ações subindo mais de 75% no período e resultados acima do guidance em receita, margens e geração de fluxo de caixa. A carteira de pedidos cresceu de US$26 bilhões para US$32 bilhões ao longo do ano, apoiada por grandes contratos nas divisões de aviação executiva, comercial e defesa. O ambiente de defesa permanece favorável devido ao aumento dos gastos militares globais e à maior relevância de mobilidade aérea e capacidades tecnológicas em conflitos modernos, o que reforça o posicionamento de plataformas como o KC-390. A companhia atualizou suas estimativas incorporando novas premissas macroeconômicas, projetando receita de US$8,3 bilhões em 2026 e US$9,3 bilhões em 2027, com margens e lucro líquido maiores que as estimativas anteriores. Com a melhora gradual das condições da cadeia de suprimentos e foco em eficiência operacional, a empresa busca atingir no médio prazo o objetivo de entregar 100 aeronaves comerciais, 200 jatos executivos e 10 KC-390 por ano. A diversificação dos negócios e o crescimento global da companhia reforçam sua avaliação como uma empresa aeroespacial global, com potencial de redução do desconto frente aos pares internacionais.
- Frasle Mobility (FRAS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 30,00
A Frasle reportou um 4T com receita líquida de R$1,4 bilhão, crescimento de 25% a/a e acima das estimativas, mas com margens menores do que o esperado. O EBITDA totalizou R$220 milhões, praticamente estável a/a, com margem de 16%, impactado por itens não recorrentes como impairment e ajustes relacionados à aquisição da planta de Extrema. Excluindo esses efeitos, o EBITDA ajustado foi de R$214 milhões, queda de 2% a/a e margem de 15%, refletindo compressão de rentabilidade em relação ao ano anterior. O crescimento de volumes foi impulsionado principalmente por componentes para motores, transmissão e powertrain, enquanto o mercado doméstico permaneceu fraco devido à queda nas vendas de veículos pesados para montadoras. O crescimento internacional foi forte, especialmente no segmento de aftermarket impulsionado pela Dacomsa, compensando parcialmente o desempenho mais fraco no mercado OEM. A alavancagem financeira melhorou no trimestre, com dívida líquida/EBITDA de 1,5x, enquanto o ROIC atingiu 14% e capex somou R$68 milhões. Para 2026, a companhia projeta receita líquida entre R$5,6 bilhões e R$6,2 bilhões, margem EBITDA entre 17,5% e 20% e capex entre R$170 milhões e R$210 milhões, assumindo câmbio médio de 5,6 reais por dólar.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Arezzo (AZZA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 40,00
A Azzas reportou expansão fraca de receita no trimestre, com receita bruta consolidada de R$4,1 bilhões, queda de 2,3% a/a e ligeiramente abaixo das estimativas, enquanto o EBITDA ficou levemente acima das projeções devido à eficiência em custos de vendas, gerais e administrativos. O desempenho por divisões mostrou queda nas receitas de calçados e bolsas e da marca Hering, enquanto vestuário feminino foi o principal destaque positivo com crescimento relevante de vendas e forte expansão internacional da marca Farm Rio. A queda em algumas divisões refletiu principalmente a decisão de não antecipar a venda da coleção de outono e a estratégia de reduzir volumes de sell-in para normalizar níveis elevados de estoque em franquias. A companhia detalhou sua estratégia de reestruturação da Hering, baseada em recuperação de margens, disciplina comercial, eficiência operacional e geração de caixa, incluindo iniciativas de reestruturação operacional, revisão de portfólio e melhorias em logística e gestão de estoques. Mesmo com pressão de curto prazo na receita, os fundamentos operacionais melhoraram, com forte geração de caixa no trimestre e redução do ciclo de caixa. O lucro líquido foi sustentado por reversão de imposto de renda, enquanto o EBITDA recorrente totalizou R$501 milhões com leve expansão de margem. A estratégia atual prioriza controle de custos, proteção de margens e otimização de capital, enquanto o mercado aguarda sinais mais claros de normalização das vendas e alavancagem operacional nos próximos trimestres.
