Radar Diário Diário de Ações - 13/01/26
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
Desde o fim do primeiro semestre de 2025, era esperado que o segundo semestre do ano fosse um semestre transitório, com desaceleração mais forte em alguns segmentos, incluindo vestuário, enfraquecimento para varejo alimentar e números positivos para varejo farmacêutico, além de alguns casos específicos. A prévia do quarto trimestre de 2025 confirma que a desaceleração observada no terceiro trimestre de 2025 persistiu até o fim do ano. Juros elevados seguem corroendo a renda disponível, enquanto a alavancagem ainda elevada das famílias limita o poder de compra. Esse pano de fundo é agravado pela inflação acumulada dos últimos anos, que elevou estruturalmente os níveis de preço e reduziu a acessibilidade real. A partir do terceiro trimestre, as pressões foram mais agudas em categorias discricionárias com maior exposição a crédito e a consumidores de renda média e baixa, padrão que permanece no quarto trimestre. O ambiente de consumo é de gasto seletivo, volumes mais fracos e alavancagem operacional limitada. A expectativa é de crescimento de 7% a/a na receita líquida do setor, com EBITDA avançando 8%. No varejo alimentar, as vendas têm crescido abaixo da inflação, com Assaí projetando SSS de 0,8% a/a, vendas de 2% a/a e margem EBITDA 10 bps maior a/a, enquanto Grupo Mateus deve ter vendas líquidas +25% a/a (ou ~7,5% ex-Novo Atacarejo). No farmacêutico, espera-se melhora para Raia Drogasil com receita +16% a/a (SSS consolidado +11%) e margem EBITDA +40 bps a/a, além de SSS de 13% a/a para Panvel e 17% a/a para Pague Menos com margem EBITDA cerca de 100 bps maior a/a, e Smartfit deve crescer receita em 26% a/a com EBITDA (pré-IFRS16) +26% a/a e margem de 31,6%.
Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Rumo (RAIL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
O ano de 2025 foi muito desafiador para a Rumo, com as ações caindo 14% no período, refletindo ceticismo elevado, mudança de dinâmica setorial e volatilidade de preços. O movimento é atribuído a uma postura mais avessa ao risco por parte dos principais clientes, resultando em um ambiente de preços fraco. Mudanças setoriais, como maior capacidade de armazenagem e crescimento da demanda por etanol de milho, também alteraram a sazonalidade de contratação logística. Apesar disso, o desempenho operacional é apontado como destaque positivo, pois as margens conseguiram compensar yields menores. Mudanças relevantes de acionistas na holding adicionaram um senso renovado à tese de investimento em ações. Para 2026, espera-se mudança positiva, especialmente na execução de capex com mais disciplina e alavancagem operacional com margens resilientes, mesmo com preços fracos. Embora a safra de soja pareça forte, a principal preocupação é a safra de milho, em especial a relação exportação/consumo doméstico, dado que a expansão do etanol de milho é negativa para o crescimento do volume exportado. A tese é apresentada com duas formas de posicionamento: (1) compra visando a retomada gradual da competitividade logística e da assertividade operacional e (2) valorização por potencial de aquisição associado ao corredor de exportação de grãos, dado o valuation atual baixo. Os principais vetores a monitorar incluem oferta e demanda da logística de grãos, assertividade do capex com visibilidade de retornos geradores de valor em Mato Grosso e Santos, e atualizações regulatórias sobre concessões que vencem em 2026 (Malha Oeste) e 2027 (Malha Sul).
Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Tcha Chan / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Telecom & Tech
As teles brasileiras tiveram um 2025 com destaque operacional e em retorno ao acionista, com crescimento de receitas acima da inflação, expansão de EBITDA acima da receita via eficiência e crescimento de fluxo de caixa operacional de dois dígitos com capex estável em termos nominais. Analisando o retorno, TIM e Vivo subiram 67% e 50% no ano, respectivamente, contra alta de 34% do Ibovespa. Para o quarto trimestre de 2025, espera-se expansão de margem EBITDA como destaque para TIM e reaceleração de MSR (Receita de Serviço Móvel) para Vivo, e 2026 também deve ser favorável operacionalmente, embora o desempenho de 2025 reduza a assimetria de alta. Na Vivo, o MSR cresceu 5,5% a/a no terceiro trimestre de 2025, 60 bps abaixo da estimativa, o que pressionou a ação no pregão seguinte, e a projeção é de MSR +6,5% a/a no quarto trimestre de 2025 com base de comparação mais fácil devido a um comportamento atípico em 2024. Também se projeta força no segmento fixo, com receitas de R$4,5 bilhões (+7,2% a/a), receita total +6,7% a/a, EBITDA ajustado de R$6,68 bilhões com margem de 42,9% e cerca de R$179 milhões em “Outros” ligados principalmente a vendas de ativos associadas à migração de concessão para autorização. A expectativa é de queda de capex e arrendamentos a/a, levando fluxo de caixa operacional a R$3 bilhões. Na TIM, projeta-se MSR +4,9% a/a, receita do fixo retornando ao crescimento a/a (+3,1%) e margem EBITDA subindo para 52,2% (+180 bps a/a) com opex praticamente estável a/a, com EBITDA de R$3,6 bilhões (+8% a/a). Com capex e arrendamentos bem controlados, o fluxo de caixa operacional deve atingir R$1,5 bilhão (+23% a/a). As projeções incluem distribuição de R$4,8 bilhões para TIM e R$8,7 bilhões para Vivo via dividendos, recompras e juros sobre o capital próprio, implicando yields de ~9% e ~8%, respectivamente, e manutenção de suporte com receitas acompanhando a inflação, expansão de margens e capex estável.
Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Tcha Chan / Bruno Henriques)
- Intelbras (INTB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 17,00
A Intelbras teve um início de ano muito fraco em 2025, com migração de ERP afetando as operações e queda de 11% a/a na receita no primeiro trimestre de 2025. No segundo trimestre de 2025, houve alívio temporário, especialmente em Segurança, que cresceu 17% a/a, o que sustentou uma leitura de que Segurança poderia manter uma narrativa mais construtiva apesar de desafios nos segmentos de Comunicações e Energia. No terceiro trimestre de 2025, o desempenho mostrou que a força no segmento de Segurança provavelmente refletia demanda represada pós-transição de ERP, e, com piora adicional em Comunicações e Energia, a receita caiu 10% a/a, quase repetindo o primeiro trimestre de 2025 sem disrupção de ERP. Para o quarto trimestre de 2025, espera-se normalização sequencial com crescimento t/t em todos os segmentos a partir de uma base muito deprimida, mas queda de cerca de 10% a/a novamente. Quanto ao valuation, anualizando o lucro líquido do terceiro trimestre de 2025 de R$147 milhões sugere quase R$600 milhões e cerca de 6x P/L, mas a visibilidade para 2026 é muito limitada e o mercado não deve reprecificar a companhia com base apenas no valuation descontado. Para o quarto trimestre de 2025, projeta-se Segurança +4% a/a e t/t, Comunicações -13% a/a com +1,7% t/t e Energia com receita de R$180 milhões (-40% a/a e +3,8% t/t). A margem EBITDA esperada é de 13,1% (+30 bps t/t e a/a) com melhora modesta de margem bruta e controle de custos, e o lucro líquido projetado é de R$152 milhões no trimestre. O histórico desde 2023 inclui colapso de Solar por queda de preços de matérias-primas, antecipação de demanda por mudança regulatória, Selic de 13,75%, crise de crédito e preços baixos de energia, resultando em queda de 31% a/a em Energia em 2023 apesar de guidance de +25%. Para 2026, projeta-se receita +4,2% a/a, margem bruta 31,7% (+150 bps a/a) e EBITDA +18% a/a, com aceleração de crescimento para 6,6% em 2027 e 7,7% em 2028, mas com a incerteza elevada e potencial de volatilidade. O preço-alvo foi atualizado para R$17, e é indicado que será necessária melhora sustentável e visível dos resultados operacionais para que o sentimento do investidor fique mais construtivo.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Helbor (HBOR3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 4,70
A Helbor reportou números operacionais sólidos no quarto trimestre, apoiados por lançamentos fortes e vendas consideradas razoáveis, embora ligeiramente abaixo da estimativa. As vendas brutas somaram R$662 milhões (+16% a/a) e os distratos foram de R$84 milhões (-29% a/a), resultando em vendas líquidas de R$578 milhões (+28% a/a), 10% abaixo da projeção. A relação vendas sobre oferta foi de 17% no quarto trimestre de 2025, ante 16% no quarto trimestre de 2024, e os lançamentos do trimestre tiveram velocidade média de vendas de aproximadamente 33%. A companhia lançou quatro projetos no trimestre, totalizando R$959 milhões (+90% a/a) e em linha com a estimativa, com 33% já vendidos. Os projetos foram Neo Concept (R$241 milhões de PSV; 96% vendido) no segmento de média renda, Casa Piauí (R$169 milhões; 10% vendido), Garden Design (R$408 milhões; 19% vendido) e Patteo São Bernardo (R$141 milhões; 11% vendido) no segmento de alta renda. A Helbor entregou dois projetos no trimestre, totalizando R$331 milhões (+224% a/a). A empresa transferiu R$462 milhões em recebíveis para bancos (-8% a/a). O resultado foi sólido, mas dentro do esperado, com vendas abaixo da projeção apesar de lançamentos fortes. A companhia vem direcionando o foco para venda de estoques e ativos, com prioridade em reduzir alavancagem. Mantém-se recomendação Neutra, apesar do valuation descontado de 0,3x P/VPA.
