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Sacre Investimentos
13 de fev. de 20267 min

Radar Diário Diário de Ações - 13/02/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Jalles Machado (JALL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 6,00

A companhia já havia divulgado os números da safra, com poucas novidades, e a safra veio mais fraca do que o esperado inicialmente, embora as condições climáticas tenham melhorado versus a temporada anterior, favorecendo um outlook melhor para a próxima safra. O EBIT ajustado foi de R$ 63 milhões, com EBIT por tonelada caindo 31% a/a para R$ 257/ton, enquanto o lucro líquido foi de R$ 55 milhões. O capex atingiu R$ 329 milhões (+17% a/a) e houve queima de caixa de R$ 3,5 milhões no trimestre, ou geração de R$ 16 milhões excluindo capex de expansão. A alavancagem encerrou o período em nível confortável de 1,2x dívida líquida/EBITDA. As vendas de ATR recuaram 26% a/a, com açúcar -39% por menor produção e estratégia de monetizar parte da produção mais adiante durante a entressafra. Dos 987 mil tons de ATR produzidos no ano, 768 mil tons (78%) já foram vendidos, e a manutenção do mesmo EBIT por tonelada implicaria ~R$ 56 milhões de EBIT no último trimestre da safra, levando a ~R$ 290 milhões no ano-safra, queda de 18% a/a. O setor de A&E enfrentou uma safra fraca e açúcar negociando abaixo do custo unitário, mas a companhia se diferencia com hedge de ~75% da produção estimada a um preço médio de R$ 2.475/ton, 56% acima do spot. Mantemos recomendação de compra pelo potencial, mas a melhora de produtividade agrícola, especialmente em Santa Vitória, segue como principal variável para as margens e pode manter pressão de curto prazo na ação até sinais mais claros de virada.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Construção Civil

O Banco BTG Pactual realizou a Brazil CEO Conference em 10–12 de fevereiro, com reuniões com diversas companhias de Real Estate, e a maioria manteve visão positiva para seus negócios. A leitura combinou um cenário macro melhor, com juros em queda, e um outlook setorial favorável, com demanda sólida na maior parte dos subsegmentos. Em Malls&Properties, operadoras de shoppings mostraram otimismo com a Reforma Tributária, pela expectativa de menor IVA e créditos adicionais de fornecedores. Os shoppings seguem com desempenho forte em SSS, SSR e inadimplência, e as empresas esperam crescer aluguéis acima da inflação. Em logística, o tom foi muito positivo para aluguéis, apoiado por demanda elevada, e para M&As, enquanto escritórios têm observado recuperação de taxas de ocupação. No segmento de baixa renda, incorporadoras citaram potencial alta do orçamento do MCMV para ~R$ 208 bilhões em 2026 (de R$ 146 bilhões em 2025), demanda muito forte e expectativa de ROE em alta, ainda que sem grande aceleração de lançamentos. No médio/alto padrão, o tom foi de “otimismo conservador”, com juros de financiamento ainda altos, expectativa de queda de juros e vendas fortes com preços de imóveis subindo. A impressão geral foi de companhias otimistas e investidores interessados, e a avaliação segue positiva para Real Estate no Brasil, sobretudo baixa renda, por perfil mais defensivo, suporte governamental em ano eleitoral e valuations ainda atrativos.

Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)

  • Vale (VALE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 80,00

Mesmo com expectativas muito elevadas, a companhia entregou resultados sólidos, com EBITDA de US$ 4,8 bilhões, 6% acima das nossas estimativas, impulsionado por uma forte valorização dos resultados da Vale Metais Básicos (72% acima de nós). A companhia gerou um yield anualizado de geração de fluxo de caixa de 9% e reduziu a alavancagem em US$ 1 bilhão t/t, enquanto o impairment em níquel não surpreendeu dado o histórico de baixa precificação desse ativo pelo mercado. No negócio de ferrosos, o EBITDA foi de US$ 3,98 bilhões no quarto trimestre, 2% acima das nossas estimativas, principalmente por volumes de pelotas acima do esperado, e a produção de 2025 alcançou 336 Mt, levemente acima do guidance. Os preços realizados ficaram em linha com nossas estimativas e o C1 cash cost (ex-compras de terceiros) foi de US$ 21,3/t, dentro do intervalo de guidance anual de US$ 20,5–22,0/t, com expectativa de preços resilientes de ~US$ 100/t e execução sólida em 2026. Em VMB, o EBITDA atingiu US$ 1,4 bilhão versus nossa estimativa de US$ 811 milhões, com surpresa vinda sobretudo de maiores receitas de subprodutos, e o EBITDA de cobre foi de US$ 1,06 bilhão (+72% t/t) com volumes, preços e vendas de ouro mais fortes. O trimestre incluiu impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel no Canadá por revisão de premissas de preços de longo prazo, e o plano de crescimento mira dobrar a produção para ~700 mil toneladas até 2035. A dívida líquida caiu para US$ 15,5 bilhões, com alavancagem confortável de 1x, e a geração de fluxo de caixa foi de US$ 1,68 bilhão (2,3% de yield no trimestre), com liberação de capital de giro de US$ 180 milhões e ajuste por “penalties” de streaming próximos de US$ 300 milhões. Mesmo após alta de ~60% em seis meses, vemos a companhia negociando abaixo de 5x EV/EBITDA 2026 e com ~8% de yield de geração de fluxo de caixa, o que sustenta recomendação de compra diante da valorização do setor, fluxos para emergentes e maior exposição a cobre.

Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • XP Inc (XPBR31)

A companhia reportou números do 4T com lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, estável t/t e +10% a/a, em linha com nossas estimativas e com o consenso, enquanto o EBT surpreendeu positivamente ao atingir R$ 1,5 bilhão (+16% t/t; +20% a/a). A alíquota efetiva subiu para 14% no trimestre (de perto de zero no terceiro trimestre), refletindo maior contribuição do banco de atacado. No varejo, o NNM foi de R$ 20 bilhões, resiliente t/t, com tendências melhores no segmento core de pessoa física, e a companhia anunciou realinhamento da estrutura de controle com o CEO Thiago Maffra tornando-se sócio votante na XP Control LLC. Na carta anual, o CEO reiterou a ambição de longo prazo de se tornar a principal plataforma de investimentos do Brasil até 2033, apoiada por ecossistema robusto varejo–atacado. O NNM totalizou R$ 32 bilhões (+10% t/t e a/a), 10% acima da nossa estimativa, com R$ 12 bilhões no corporativo e institucional (+33% t/t), clientes ativos estáveis em 4,8 milhões e AuC total de R$ 1,49 trilhão. AuM e AuA atingiram R$ 252 bilhões (+10,5% t/t; +35% a/a) e R$ 336 bilhões (+14% t/t; +44% a/a), enquanto TPV de cartões foi de R$ 14,6 bilhões (+11% t/t e a/a), previdência avançou para R$ 95 bilhões (+5% t/t) e a carteira de crédito ampliada fechou em R$ 78 bilhões (+16% t/t; +27% a/a), com 62% sem garantia. A receita líquida foi de R$ 4,95 bilhões (+6% t/t; +10% a/a), 3% acima de nós e do consenso, com surpresa positiva em corporate & issuer services (R$ 895 milhões; +23% t/t; +49% a/a), e custos e despesas vieram levemente acima do esperado, levando EBT a ficar 12% acima de nós e do consenso. O patrimônio contábil caiu 0,5% t/t para R$ 23,5 bilhões, o Ativo Fiscal Diferido subiu para R$ 3,4 bilhões (+10,5% t/t), e estimamos patrimônio tangível de R$ 13,8 bilhões, com ROTE anualizado de 38%, BIS em 20,4% e CET1 em 17,3%. A companhia negocia a 9,5x P/L para 2026 e oferece yield de dividendos de ~6,5%, com recomendação de compra reiterada diante de valuation considerado atrativo, capitalização forte e potencial de alavancagem operacional.