Radar Diário Diário de Ações - 13/03/26
Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Alimentos & Bebidas
Iniciamos cobertura para Tyson Foods e Pilgrim’s Pride, duas das maiores plataformas globais de proteínas, com modelos distintos de criação de valor em uma indústria cíclica e frequentemente comoditizada. A Tyson segue uma estratégia de diversificação e construção de portfólio, enquanto a Pilgrim’s adota um modelo mais concentrado e orientado por execução, ambas expostas aos ciclos de proteínas. No curto prazo, o cenário setorial é desfavorável, com o rebanho bovino dos Estados Unidos no menor nível em cerca de 70 anos, retenção prolongando a restrição de oferta e normalização mais visível apenas perto de 2028. Em aves, após um período atipicamente longo de margens fortes, a produtividade melhora, a oferta acelera e os spreads tendem a se comprimir rapidamente. Na Tyson, a divisão de alimentos preparados pode trazer margens maiores e menor volatilidade, mas permanece ligada a insumos de commodities, enquanto a virada do ciclo de frango e a restrição em bovinos elevam a assimetria negativa. Na Pilgrim’s, segmentação de portfólio, mix regional e melhora de execução na Europa criam alguma resiliência, mas os Estados Unidos seguem como principal gerador de lucro e ainda expostos ao frango in natura. A recomendação inicial é venda para Tyson, com preço-alvo de US$58 por ação no fim de 2026, e neutra para Pilgrim’s, com preço-alvo de US$40 por ação, refletindo múltiplos mais exigentes na Tyson e uma relação risco-retorno mais equilibrada na Pilgrim’s.
Construção Civil & Propriedades (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Eztec (EZTC3); COMPRA; Preço-alvo R$ 21,00
A Eztec reportou resultados em linha, com lucro por ação 8% acima das estimativas e forte geração de fluxo de caixa livre, embora abaixo do esperado, enquanto a receita líquida somou R$269 milhões, queda de 37% a/a, após a conclusão de vários projetos no 3T. A margem bruta foi de 42,8%, alta de 300 pontos-base a/a, mas 100 pontos-base abaixo das estimativas, e o lucro líquido totalizou R$118 milhões, queda de 7% a/a, implicando ROE anualizado de 9% no 4T de 2025. A geração de fluxo de caixa livre atingiu R$238 milhões, abaixo dos R$300 milhões esperados, equivalente a um yield anualizado de 24%. O principal fator para esse resultado foi a forte transferência de clientes para bancos, em razão do volume elevado de entregas no 3T, o que levou a uma queda de R$146 milhões t/t em contas a receber. Com isso, a companhia encerrou o 4T com baixa alavancagem, registrando R$148 milhões em dívida líquida, equivalentes a 3% de Dívida Líquida/Patrimônio Líquido, mesmo após distribuir dividendos relevantes no período. O trimestre foi marcado por ROE de 9% e lucro por ação acima das estimativas, além de forte geração de fluxo de caixa livre. Apesar do momento mais desafiador para habitação de média e alta renda, a ação negocia a 6x P/L projetado para 2026 e 0,7x P/Valor Patrimonial Tangível, com destaque para os potenciais ganhos associados ao edifício corporativo Esther Towers.
Saúde & Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Rede D´Or (RDOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 54,00
A administração manteve uma visão construtiva para o ano durante reuniões com investidores, destacando forte momento operacional tanto no segmento hospitalar quanto no de seguros, além de oportunidades adicionais de expansão de margens. O início do ano apresentou volumes hospitalares sólidos e indicadores operacionais saudáveis, com janeiro e fevereiro registrando volumes superiores em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento de volumes reflete a maturação de iniciativas recentes para aumentar o fluxo de pacientes, enquanto a expansão de capacidade continua sendo um importante catalisador. Após adicionar cerca de 500 novos leitos em 2025, a companhia planeja incorporar aproximadamente 800 leitos adicionais em 2026, incluindo um novo projeto em Ribeirão Preto dentro da joint venture Atlântica D’Or. A administração também destacou que nove hospitais ainda estão em fase de crescimento operacional e, ao atingirem margens-alvo, poderão gerar melhora consolidada de aproximadamente 2 pontos percentuais nas margens. No segmento de seguros, a SulAmérica apresentou bom desempenho no início do ano, com expectativas de crescimento e melhora adicional de margens. A criação da plataforma Bradsaúde pelo Grupo Bradesco foi vista de forma positiva, podendo atrair mais investidores para o setor e acelerar novos projetos hospitalares dentro da parceria Atlântica D’Or.
- Ânima Educação (ANIM3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00
A companhia reportou resultados do 4T amplamente em linha com as estimativas, com receita líquida de R$972 milhões, crescimento de 8,5% a/a, e EBITDA ajustado ex-IFRS16 de R$262 milhões, alta de 17% a/a, levando a margem para 26,9%. O prejuízo líquido ajustado após participação dos minoritários totalizou R$5 milhões negativos, próximo das estimativas, enquanto o resultado contábil foi prejuízo de R$18 milhões após participação dos minoritários. No segmento Core, a receita líquida cresceu 5% a/a para R$498 milhões, com lucro operacional avançando 8% a/a, impulsionado principalmente por aumento de preços que compensou a redução de 5% na base de alunos. O segmento Inspirali registrou receita líquida de R$390 milhões, crescimento de 16% a/a, apoiado pela expansão de 13% na base de estudantes, com destaque para educação continuada. A geração de caixa operacional permaneceu próxima do equilíbrio no trimestre, refletindo sazonalidade negativa típica do período e capex maior. Após pagamento de juros, o fluxo de caixa para o acionista foi negativo em R$231 milhões, enquanto a dívida líquida ex-leasing atingiu R$3 bilhões, elevando a alavancagem para 2,49x dívida líquida/EBITDA nos últimos 12 meses.
- Hypera Pharma (HYPE3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 27,00
A Hypera divulgou resultados do 4T amplamente em linha com as estimativas, com crescimento de sell-out entre 7% e 8% e forte avanço anual no resultado, beneficiado por uma base de comparação menor, já que o programa de otimização de capital de giro já estava em curso no quarto trimestre de 2024. A companhia reportou receita líquida de R$2,2 bilhões, alta de 48% a/a, margem bruta de 61,6%, 40 pontos-base abaixo das estimativas, EBITDA de R$749 milhões, com margem de 33,5%, e lucro líquido de R$450 milhões, 2% abaixo do esperado. O sell-out no varejo avançou 7,4% a/a no trimestre, ante 8,3% a/a no terceiro trimestre, ligeiramente acima do crescimento de mercado de 6,9% nas categorias em que a companhia atua e em linha com a guidance anterior de aproximadamente 7% a 8%. Já o sell-out total da indústria avançou 13,2% a/a no período, segundo dados da Sindusfarma. A receita líquida de R$1,5 bilhão refletiu principalmente a base de comparação menor do 4T de 2024, parcialmente compensada por vendas institucionais mais fracas e descontos promocionais maiores para apoiar o sell-out de genéricos. A companhia gerou R$511 milhões em fluxo de caixa livre após capex no trimestre, alta de 18% a/a, favorecida por EBITDA mais forte e capex menor, enquanto o capital de giro permaneceu estável em cerca de 30% da receita anualizada. Após pagamentos de R$579 milhões em juros sobre capital próprio e dividendos, a dívida líquida aumentou R$399 milhões t/t, para R$7,7 bilhões, levando a alavancagem a 3,7x Dívida Líquida/EBITDA nos últimos 12 meses.
Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)
- Energisa (ENGI11); COMPRA; Preço-alvo R$ 63,00
A Energisa reportou mais um conjunto sólido de números no 4T25, com EBITDA ajustado de R$2,326 bilhões, acima da estimativa de R$2,091 bilhões, enquanto o lucro líquido alcançou R$743 milhões, ante projeção de R$298 milhões, favorecido por despesas financeiras menores que o esperado. A alavancagem encerrou o ano em 3,6x. Nas distribuidoras, o EBITDA ajustado somou R$2,02 bilhões, também acima da estimativa de R$1,82 bilhão, com destaque para o bom desempenho das despesas operacionais. A nova fórmula de perdas de energia voltou a contribuir positivamente, com perdas efetivas 46 pontos-base abaixo do nível regulatório pelo segundo trimestre consecutivo. Nos outros negócios, o EBITDA da ES Gás totalizou R$83 milhões, acima da projeção de R$63 milhões. Já a unidade de Geração Distribuída entregou EBITDA de R$59 milhões, também acima da estimativa de R$43 milhões. A receita líquida foi de R$9,286 bilhões, o EBITDA reportado atingiu R$2,014 bilhões e a margem EBITDA ajustada ficou em 25,1%, acima dos 20,0% registrados no 4T24.
Transporte & Logística | Bens de Capital | Infraestrutura (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Randoncorp (RAPT4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 8,00
A Randoncorp apresentou resultados mais fracos do que o esperado no 4T, com receita líquida de R$3,2 bilhões, queda de 2% a/a e em linha com as estimativas, enquanto o EBITDA reportado somou R$167 milhões, queda de 60% a/a, impactado por R$162 milhões em itens não recorrentes. Os principais efeitos vieram do impairment do goodwill da aquisição da Hercules e do resultado negativo de equivalência patrimonial da Addiante, relacionado a provisões ligadas à recuperação judicial de um cliente relevante. Excluindo esses efeitos, o EBITDA ajustado atingiu R$330 milhões, queda de 21% a/a e abaixo das estimativas, com margem de 10%, também inferior ao esperado, enquanto o prejuízo líquido reportado foi de R$231 milhões. Na divisão de Reboques, a receita líquida caiu 21% a/a, pressionada pela demanda doméstica mais fraca e ambiente de preços mais competitivo, parcialmente compensados por maior demanda internacional, e a margem EBITDA ajustada ficou em 5,2%. Em Autopeças, a receita caiu 20% a/a e a margem EBITDA ajustada recuou para 5%, afetada por menores volumes, estrutura de custos fixos elevada e impacto das novas tarifas de importação dos Estados Unidos sobre a AXN. A Fras-le Mobility registrou receita de R$1,4 bilhão, alta de 25% a/a, apoiada pela incorporação da Dacomsa, com EBITDA ajustado de R$214 milhões e margem de 15%. A companhia divulgou guidance para 2026 com receita líquida consolidada de R$12,5 bilhões a R$14 bilhões, margem EBITDA entre 12% e 14% e capex de R$380 milhões a R$420 milhões, ao mesmo tempo em que reduziu a alavancagem para 3,2x Dívida Líquida/EBITDA ajustado após aporte em Rands e redução de capital de giro.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Beatriz Cendon / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
A disputa entre plataformas de inteligência artificial e varejistas tradicionais se intensificou após um juiz federal dos Estados Unidos conceder à Amazon uma liminar temporária bloqueando o agente de compras com inteligência artificial da Perplexity de acessar seu marketplace. A decisão envolve o navegador “Comet”, que permitiria realizar compras automaticamente em nome dos usuários, com a Amazon argumentando que o sistema acessava contas sem autorização e representava riscos de segurança. O caso destaca o avanço do chamado comércio agentic, no qual assistentes de inteligência artificial buscam, comparam e executam compras diretamente para consumidores em diferentes varejistas. Esse modelo pode reduzir a importância das vitrines individuais de comércio eletrônico, pois os consumidores passariam a interagir diretamente com interfaces de inteligência artificial. Para varejistas, isso representa uma ameaça estrutural ao controle da jornada de compra, já que plataformas de comércio eletrônico dependem da descoberta de produtos, publicidade e recomendações dentro de seus próprios ecossistemas. Plataformas de inteligência artificial buscam capturar a camada mais valiosa do comércio digital ao controlar a descoberta da intenção de compra e a execução da transação. Nesse contexto, o ecossistema integrado do Mercado Livre, que combina marketplace, pagamentos, logística e publicidade, oferece uma proteção relativa contra a desintermediação completa por agentes externos de inteligência artificial.
- Smart Fit (SMFT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 30,00
Após divulgar resultados trimestrais com forte crescimento da receita líquida e expansão do EBITDA ajustado, em linha com as estimativas, a companhia apresentou um monitor operacional com a evolução de suas métricas operacionais e um acompanhamento histórico anual de preços de seus principais planos. O crescimento da receita líquida continua sendo impulsionado pela expansão da rede de academias, aumento de ticket médio e maior número de membros por unidade, apesar da leve queda sequencial de membros por academia no Brasil no 4T. A companhia encerrou o ano com 5,2 milhões de membros excluindo TotalPass, alta de 8% a/a, além de 455 mil assinantes digitais, crescimento de 23% a/a. Em 2025, a receita cresceu 21% a/a no Brasil, 14% a/a no México e 41% a/a em outros países da América Latina, enquanto o segmento Outros avançou 88% a/a impulsionado pela consolidação de Velocity, Fitmaster e crescimento do TotalPass. O TotalPass alcançou mais de 40 mil academias parceiras no Brasil e no México e passou a representar 15% das visitas nas academias próprias no Brasil em 2025, ante 11% no ano anterior. O plano Black teve aumento de preços de 7,7% em 2025 no Brasil e 6,7% no início de 2026, atingindo R$160 por mês, enquanto o TP2 permaneceu em R$119,9 mensais. A companhia encerrou 2025 com margem EBITDA ajustada de 31,7%, enquanto investimentos em novas unidades e na expansão do TotalPass pressionaram margens no curto prazo.
- Magazine Luiza (MGLU3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00
O Magazine Luiza apresentou tendências operacionais mistas no 4T de 2025, com desempenho sólido das lojas físicas e da Luizacred, mas continuidade da fraqueza no e-commerce, enquanto o EBITDA ajustado ficou ligeiramente acima da estimativa. As vendas mesmas lojas nas operações físicas cresceram 8,4% a/a, enquanto as vendas totais do e-commerce caíram 5,3% a/a, refletindo queda de 11,7% no marketplace e recuo de 1,0% em 1P, levando o GMV total a R$18,2 bilhões, baixa de 1,1% a/a. A receita líquida atingiu R$11,2 bilhões, alta de 3,4% a/a, com a forte performance das lojas físicas compensando parcialmente a fraqueza digital. A margem bruta ajustada ficou em 30,0%, queda de 10 pontos-base a/a, enquanto o EBITDA ajustado somou R$867 milhões, alta de 2,5% a/a, com margem estável em 7,8%, apesar de itens não recorrentes afetarem os números reportados. As despesas financeiras líquidas pós-IFRS16 chegaram a R$572 milhões, equivalentes a 5,1% da receita líquida, refletindo juros mais altos, enquanto o lucro líquido ajustado foi de R$125 milhões e o fluxo de caixa operacional atingiu R$2,2 bilhões. Na Luizacred, o lucro líquido foi de R$271 milhões, alta de 87% a/a, com carteira de cartão de crédito de R$20,8 bilhões e melhora nos indicadores de inadimplência, com NPL acima de 90 dias em 7,5% da carteira. Nos últimos trimestres, a companhia seguiu mostrando rentabilidade e geração de fluxo de caixa livre razoáveis, mesmo com pressão de juros elevados, ambiente competitivo mais intenso no e-commerce e impactos sobre crescimento e resultado financeiro.
