Radar Diário Diário de Ações - 15/01/26
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- GPS (GGPS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 25,00
O ano de 2025 pode ser dividida em duas fases, um primeiro semestre marcado por revisões negativas de lucro, crescimento orgânico fraco, atividade limitada de M&A, custos pontuais de reestruturação ligados à integração da GRSA e aumento das provisões trabalhistas. A partir dos resultados do segundo trimestre, esse quadro se inverteu, com aceleração do crescimento orgânico, apoiada pelo crescimento de contratos de “catering” offshore. O pipeline de aquisições voltou a ganhar tração e as margens da GRSA se expandiram, demonstrando a capacidade de integração da companhia. As provisões trabalhistas passaram a caminhar para níveis mais normalizados. O desempenho das ações refletiu essa inflexão positiva de resultados, com uma forte recuperação após o segundo trimestre. Para 2026, espera-se a continuidade de um cenário mais forte de crescimento orgânico, sustentando expansão da receita líquida e das margens. Esse crescimento deve ser impulsionado pela maturação de novos contratos e por um ambiente de preços mais favorável. As margens tendem a melhorar gradualmente com a conclusão da integração da GRSA e a normalização das provisões trabalhistas. A expectativa é de retomada mais intensa das aquisições, inclusive em segmentos centrais do negócio.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Plano&Plano (PLPL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 23,00
O desempenho operacional do quarto trimestre apresentou números fortes, com vendas bem acima das estimativas e uma queima de caixa reduzida. As vendas brutas atingiram R$ 1,6 bilhão, com crescimento relevante em relação ao ano anterior, enquanto os cancelamentos recuaram de forma significativa. As vendas líquidas totalizaram R$ 1,55 bilhão, superando as estimativas e resultando em uma velocidade de vendas elevada. Esse desempenho foi sustentado principalmente pelas vendas de estoque. Os lançamentos somaram R$ 620 milhões no período, refletindo uma estratégia de foco na comercialização de unidades já prontas após um trimestre anterior com lançamentos mais concentrados. A companhia reportou geração de fluxo de caixa de R$ 96 milhões, impulsionada pela venda de recebíveis. Desconsiderando esse efeito, a queima recorrente de caixa foi limitada e em linha com projeções de fluxo próximo do equilíbrio. Os números operacionais sustentam a expectativa de reação positiva do mercado. A tese segue apoiada em um cenário favorável para habitação de baixa renda e valuation atrativo.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Melnick (MELK3); COMPRA; Preço-alvo R$ 7,50
Os resultados operacionais do quarto trimestre vieram acima do esperado, impulsionados por um desempenho saudável de vendas, especialmente nos lançamentos. As vendas brutas alcançaram R$ 339 milhões, enquanto os cancelamentos apresentaram forte queda, resultando em vendas líquidas de R$ 325 milhões. Esse desempenho superou as estimativas e refletiu uma boa aceitação dos empreendimentos lançados. A velocidade de vendas ficou em 16%, sustentada principalmente pelas vendas dos novos projetos. Os lançamentos totalizaram R$ 455 milhões no trimestre, com três empreendimentos residenciais, dos quais quase metade já havia sido vendida no período. A companhia também entregou dois projetos relevantes, enquanto o volume total de entregas em 2025 apresentou leve retração anual. O trimestre foi marcado por aceleração de lançamentos e vendas sólidas. Apesar disso, o ambiente macroeconômico mais desafiador limita uma visão mais otimista para o segmento de média e alta renda. Mantemos recomendação de compra, refletindo valuation atrativo.
Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)
- Locaweb (LWSA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 7,00
Desde o IPO, a trajetória da companhia passou por diferentes fases até alcançar um período de maior consistência operacional, com crescimento de receita elevado e aumento dos retornos ao acionista. Em 2025, a empresa gerou cerca de R$ 160 milhões em geração de fluxo de caixa em nove meses e indicou disciplina financeira crescente. Para o quarto trimestre, projeta-se aceleração do crescimento da receita líquida, com expansão gradual das margens e avanço relevante da geração de fluxo de caixa operacional. O histórico pode ser segmentado entre uma fase inicial de forte crescimento, seguida por um período de pressão sobre a rentabilidade, e uma fase mais recente de recuperação de margens com crescimento mais moderado. A margem, EBITDA, após atingirem um piso em 2021, vêm se recuperando de forma consistente. A margem de geração de fluxo de caixa também voltou a crescer após anos de compressão. A companhia passou a intensificar a distribuição de caixa aos acionistas a partir de 2024, por meio de dividendos, redução de capital e recompra de ações. Em 2026, a projeção é de continuidade do crescimento, margens mais elevadas e geração de fluxo de caixa robusta. Esse conjunto sustenta uma visão positiva sobre o valuation atual da companhia.
Telecom & Tech (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Bruno Henriques)
- Bemobi (BMOB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 35,00
Bemobi registrou um ganho de participação de aproximadamente 90% em 2025 e deve encerrar o ano com forte momento operacional, alinhando catalisadores para um 2026 robusto. Em Payments, projeta-se crescimento de receita próximo a 40% a/a, impulsionado pela maior penetração na base atual de clientes. Em SaaS, as receitas devem alcançar R$ 42 milhões, com crescimento superior a 20% a/a e 5,6% t/t. Em Microfinance, estima-se crescimento de 10% a/a, apoiado pela maior relevância de soluções de credit scoring. Subscriptions devem permanecer mais fracas, com receitas de R$ 49 milhões, queda de 8,8% a/a. Para 4T25, projeta-se EBITDA de R$ 63,4 milhões e lucro líquido de R$ 45,2 milhões. Para 2026, modela-se crescimento orgânico de 27% a/a em Payments, com aprofundamento na base atual e entrada de novos clientes, incluindo a Hapvida. A aquisição da Paytime deve adicionar cerca de R$ 80 milhões em receitas incrementais e expandir as capacidades para uma plataforma completa de Payment-as-a-Service. Mesmo com maiores investimentos, espera-se alavancagem operacional, com EBITDA de R$ 283 milhões em 2026 e crescimento de 18% na geração de fluxo de caixa operacional, além de valuation em ~10x P/L e yield de ~10%, sustentando a recomendação de compra.
Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
- Camil (CAML3); COMPRA; Preço-alvo R$ 10,00
Os resultados do 3T25 fiscal da Camil tiveram múltiplos vetores, com receita líquida de R$ 3,0 bilhões, queda de 5% a/a, mas 8% acima das estimativas, e volumes consolidados crescendo 14% a/a. Os volumes aumentaram em todos os segmentos ao ajustar pelo efeito das exportações de açúcar no 3T24 fiscal, apesar de o segmento de alto giro ter vindo ligeiramente abaixo das estimativas. O segmento de alto valor surpreendeu positivamente, com volumes 17% acima das estimativas e alta de 23% a/a, e o segmento internacional também superou expectativas com melhor desempenho no Uruguai e início de operações no Paraguai após a aquisição da Villa Oliva. A receita não cresceu mais devido à queda de 49% a/a nos preços do arroz, que levou a recuo de 17% a/a no preço médio. O EBITDA foi de R$ 236 milhões, alta de 31% a/a, com margem de 8,0%, e a rentabilidade no Brasil expandiu 390 bps a/a, apoiada por melhores margens de açúcar, maior volume de alto valor e base de comparação mais fácil. O lucro líquido foi de R$ 44 milhões, estável a/a, abaixo das expectativas por pior resultado financeiro. A dívida líquida aumentou R$ 436 milhões no trimestre com consumo de capital de giro de R$ 222 milhões, levando a Dívida Líquida/EBITDA 12M a 4,8x, refletindo sazonalidade de estoques de arroz e com estimativa de encerrar em 3,1x ao fim do ano. A recomendação de compra foi reiterada com valuation de 6x P/L para 2026.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Cury (CURY3); COMPRA; Preço-alvo R$ 44,00
A Cury reportou números operacionais sólidos no quarto trimestre, com lançamentos e vendas em linha com as estimativas e geração de fluxo de caixa muito forte. As vendas brutas foram de R$ 1,71 bilhão, com cancelamentos de R$ 158 milhões, resultando em vendas líquidas de R$ 1,56 bilhão no trimestre. A relação vendas/oferta ficou em 39% no 4T25, abaixo de 44% no 4T24, mas ainda em nível elevado. Os lançamentos totalizaram R$ 1,29 bilhão, com cinco projetos, em linha com a estratégia de reduzir lançamentos no fim do ano. A companhia manteve uma velocidade saudável nos projetos lançados, com cerca de 45% vendidos dentro do trimestre. No período, a empresa construiu 4.472 unidades e transferiu R$ 1,5 bilhão em recebíveis para bancos. Como resultado, a geração de fluxo de caixa foi de R$ 321 milhões, acima da estimativa de aproximadamente R$ 250 milhões. Esse desempenho implica um yield anualizado de geração de fluxo de caixa de 13% e reforça a confiança no modelo asset-light e no controle operacional. A recomendação de compra foi reafirmada, com a ação negociando a 8x P/L 2026.
