Radar Diário Diário de Ações - 16/01/26
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
• CSN (CSNA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00
A companhia realizou uma teleconferência com investidores para atualizar sua estratégia de desalavancagem, tema que vem pressionando a tese de investimento há anos e já impacta de forma crescente o mercado de dívida. A administração demonstrou elevado senso de urgência para corrigir o balanço, considerando a alavancagem em torno de 3,5x como excessiva frente a pares locais e globais, que operam próximos de 1x Dívida Líquida/EBITDA. O plano envolve destravar R$ 15–18 bilhões por meio de vendas de ativos, principalmente em cimento e infraestrutura, além de um aumento relevante na geração de EBITDA. As vendas de ativos dependem das condições de mercado e definição sobre o valuation, o que pode dificultar a execução. No lado operacional, a companhia indicou de forma preliminar a ambição de dobrar o EBITDA em oito anos, com estimativas acima das projeções e de consenso. A alavancagem aumentou de R$ 16,5 bilhões em 2021 para cerca de R$ 40 bilhões ao final de 2025, enquanto o EBITDA recuou mais de 40% no período. Parte dessa deterioração decorre de condições adversas, como a piora de margens na unidade de aço no Brasil devido à concorrência de importações. A administração destacou a venda de participação relevante, porém minoritária, em ativos logísticos e de infraestrutura e a venda do controle da CSN Cimentos, ambas previstas para 2026. A companhia reiterou que não pretende reduzir sua participação na CMIN. Mantemos a recomendação Neutra diante dos riscos de execução e da baixa visibilidade sobre a velocidade de desalavancagem.
Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
• Marcopolo (POMO4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 10,00
O desempenho de 2025 foi diverso, com resultados fracos no início do ano devido à sazonalidade e ao mix mais leve, seguidos por aceleração dos lucros ao longo do ano, especialmente no terceiro trimestre. Apesar da melhora operacional, o desempenho das ações foi inverso, com estabilidade até o terceiro trimestre e queda acentuada posteriormente. O terceiro trimestre foi visto como um marco, indicando o pico de resultados do ano e reduzindo o potencial de revisões positivas, o que motivou o rebaixamento da recomendação. Por outro lado, a companhia surpreendeu positivamente com a estratégia de distribuição de dividendos no final do ano, aproveitando mudanças na tributação no Brasil. Para 2026, a expectativa é de desempenho mais estável, com crescimento mais lento. O mercado doméstico de ônibus apresenta desaceleração gradual após anos fortes, pressionado por juros elevados. O mix de produção tende a se concentrar mais no segmento urbano, que possui margens mais baixas. Um novo leilão do programa Caminho da Escola no início do ano pode sustentar os volumes de micro-ônibus, enquanto a Argentina surge como potencial vetor positivo de volumes.
Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)
• Ambev (ABEV3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 15,00
Em 2025, a companhia adotou uma estratégia diferente ao antecipar aumentos de preços para o segundo trimestre, período sazonalmente mais fraco em volumes, visando mitigar a pressão de custos no segundo semestre. Essa decisão refletiu uma mudança de foco, com maior equilíbrio entre crescimento de receita líquida e rentabilidade, conferindo mais relevância às margens. No quarto trimestre de 2025, espera-se queda de volumes de cerveja no Brasil de 2,2% a/a, desempenho melhor do que o sugerido pelos dados de produção do IBGE. A antecipação dos reajustes permitiu uma postura mais branda de preços no quarto trimestre, mantendo ganho médio anual em linha com a inflação. A receita por hectolitro deve crescer 3,2% a/a, enquanto os custos unitários atingem pico, pressionando a margem bruta para 51,4%. A margem EBITDA é projetada em 34,9%, com queda menor devido a ganhos em custos de vendas, gerais e administrativos e maior contribuição de outras receitas operacionais. Em outras unidades de negócios, os volumes devem cair na maioria das regiões, com exceção da América Central e Caribe, que apresenta crescimento e margens sólidas. A recomendação permanece Neutra, sustentada por expectativas mais baixas, geração de caixa robusta, balanço sólido e capacidade de dividendos. A ação deve seguir negociando dentro de um intervalo estreito, com crescimento limitado e probabilidade de queda mitigada.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
• Lavvi (LAVV3); COMPRA; Preço-alvo R$ 12,00
No 4T25, a Lavvi apresentou lançamentos fortes e boa velocidade de vendas, além de vendas líquidas sólidas, porém abaixo do esperado. As vendas brutas totalizaram R$ 1,18 bilhão (-15% a/a) e os distratos somaram R$ 63 milhões (+26% a/a), resultando em vendas líquidas de R$ 1,12 bilhão (-16% a/a), 16% abaixo da estimativa. Com isso, o VSO encerrou o trimestre em 28%, ante 37% no 4T24. A companhia lançou quatro projetos totalizando R$ 1,43 bilhão em VGV (-8% a/a), todos com velocidade de vendas considerada saudável. Os lançamentos foram Zen (R$ 619 milhões; 36% vendido) e Casa Cerâmica (R$ 600 milhões; 100% vendido no trimestre) no alto padrão, além de Novvo Anália Franco (R$ 178 milhões; 58% vendido) e Novvo Vila Prudente Fase 2 (R$ 115 milhões; 32% vendido no agregado) no MCMV. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 40 milhões no trimestre, principalmente por aquisições de landbank, com desembolso de R$ 98 milhões em terrenos. A Lavvi entregou dois projetos no trimestre, totalizando R$ 522 milhões, e as entregas de 2025 somaram R$ 1,6 bilhão, ante R$ 511 milhões em 2024. O trimestre foi sólido, com aceleração de lançamentos e boa performance de vendas, apesar de aquém do esperado e cenário de cautela no segmento médio/alto devido a juros elevados.
• Even (EVEN3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 9,00
A Even reportou resultados operacionais do 4T25 amplamente em linha, com surpresa positiva em vendas. As vendas líquidas totalizaram R$ 523 milhões (+42% a/a), 28% acima da estimativa, e o VSO ficou em 13%, ante 12% no 4T24. O desempenho de vendas foi majoritariamente explicado por vendas de estoque, que representaram 88% das vendas do trimestre, com velocidade de vendas de 12% contra 4% no 3T. No trimestre, a companhia lançou três projetos totalizando R$ 351 milhões, queda de 72% a/a e em linha com a estimativa. Os lançamentos incluíram Plenitude Melo Alves, projeto residencial de altíssimo padrão em parceria com a RFM, Hub Perdizes, projeto comercial, e GO Madalena, focado em unidades compactas. Adicionalmente, a companhia entregou um projeto no 4T, no valor de R$ 85 milhões. As entregas de 2025 somaram R$ 1.196 milhões. Apesar da surpresa positiva em vendas, permanece cautela com o segmento médio/alto padrão diante de um cenário macro mais deteriorado e juros elevados. Reiterada recomendação Neutra, com a ação negociando a 5x P/L 2026.
• Direcional (DIRR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 20,00
As vendas líquidas da Direcional no 4T25 ficaram abaixo do esperado, totalizando R$ 1,52 bilhão (-4% a/a), 11% abaixo da estimativa. O desempenho foi composto por R$ 793 milhões no MCMV (-19% a/a) e R$ 724 milhões no segmento de média renda via marca Riva (+21% a/a). A velocidade de vendas encerrou o trimestre em 21%, ante 25% no 4T24, desacelerando principalmente no MCMV. A desaceleração no MCMV foi atribuída ao fato de cerca de 40% dos lançamentos terem sido concentrados em dezembro. Ainda assim, o segmento de média renda apresentou performance considerada saudável. No trimestre, a companhia lançou R$ 1,9 bilhão em VGV, alta de 4% a/a e 6% acima da estimativa. Os lançamentos foram de R$ 1,08 bilhão no MCMV (-6% a/a) e R$ 821 milhões na Riva (+20% a/a). A companhia encerrou o trimestre com R$ 5,7 bilhões em estoques, equivalentes a aproximadamente 11 meses de vendas. A leitura foi de vendas mais fracas do que o esperado, mas influenciadas pela concentração de lançamentos em dezembro, com expectativa de melhora no 1T26, mantendo recomendação de Compra a 7x P/L 2026.
• Cyrela (CYRE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 32,00
Os resultados operacionais da Cyrela no 4T25 foram fracos, mas amplamente em linha com as estimativas, principalmente devido à desaceleração da velocidade de vendas. As vendas líquidas foram de R$ 3,33 bilhões (-32% a/a), 4% acima da estimativa, com R$ 1,41 bilhão no alto padrão, R$ 802 milhões no médio padrão e R$ 1,12 bilhão no segmento de baixa renda. O VSO permaneceu em 17% no 4T25, ante 32% no 4T24. No trimestre, a companhia lançou 21 projetos totalizando R$ 4,53 bilhões (-33% a/a), 17% acima da estimativa. Os lançamentos foram de R$ 2,09 bilhões no alto padrão, R$ 860 milhões no médio padrão e R$ 1,59 bilhão no MCMV. A companhia vendeu 38% dos projetos lançados no 4T25, ante 41% no 3T25, indicando demanda relativamente saudável para os lançamentos. O trimestre mais fraco já era esperado, com desaceleração da velocidade de vendas, enquanto os lançamentos seguiram com bom desempenho. As vendas de estoque ficaram aquém, contribuindo para o resultado mais fraco no período. Reiteramos recomendação de Compra, apesar do cenário macro mais desafiador, com valuation de 5,5x P/L 2026.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
• Petrobras (PETR4); COMPRA; Preço-alvo R$ 40,00
Iniciamos cobertura com recomendação Neutra, reconhecendo que a ação segue como um veículo relevante para exposição ao ciclo político brasileiro, embora uma mudança significativa de estratégia seja considerada improvável. A alavancagem deve continuar aumentando em 2026–27 devido ao desalinhamento entre a política de dividendos e a geração efetiva de fluxo de caixa para o acionista. A execução no segmento de exploração tem sido sólida, com expectativa de produção de cerca de 2,7 milhões de barris por dia em 2028, impulsionada por FPSOs entregues entre 2021 e 2025 e novas unidades em 2026–27. A estratégia baseada em FPSOs alugados reduziu desembolsos iniciais, mas a transição para unidades próprias a partir de 2026 elevará o capex. A inflação de custos aumentou o investimento em alguns projetos offshore, elevando o desembolso inicial, embora com impacto limitado na atratividade econômica. O ciclo pesado de investimentos, maiores despesas com leasing e custos financeiros devem restringir a geração de caixa e a capacidade de dividendos no curto prazo. Com Brent a US$62/barril em 2026, o FCFE estimado não cobre os dividendos calculados pela política atual. A neutralidade de caixa exigiria Brent médio próximo de US$67,5/barril, enquanto preços mais baixos ampliariam o descompasso entre FCFE e dividendos. A visibilidade macro-política limitada, a flexibilidade financeira restrita e um valuation considerado justo sustentam a recomendação Neutra.
• PRIO (PRIO3); COMPRA; Preço-alvo R$ 56,00
Iniciamos cobertura com a PRIO como Top Pick em exploração, combinando crescimento de produção e elevada capacidade de distribuição aos acionistas. Para 2026, o foco da companhia está na execução, com Wahoo previsto para iniciar produção em março ou abril, atingindo cerca de 40 mil barris por dia inicialmente. Iniciativas de otimização de custos em Peregrino e a terceira campanha de perfuração em Frade estão previstas para o segundo semestre de 2026. A evolução dos licenciamentos ambientais ao longo de 2026 deve permitir mitigar o declínio de Frade e viabilizar a primeira campanha em Albacora Leste, relevante a partir de 2027. Considerando produção de aproximadamente 189 mil boed em 2026 e Brent a US$62/barril, o yield de fluxo de caixa livre para o acionista estimado é de cerca de 23%, com Dívida Líquida/EBITDA em torno de 1,6x ao final do ano. Esse perfil financeiro suporta distribuições ao acionista equivalentes a aproximadamente 11% do valor de mercado em 2026. Em 2027–28, Albacora Leste é vista como o principal vetor de crescimento, sustentando produção acima de 200 mil barris por dia. A ausência de M&A relevantes em 2026 amplia o espaço para dividendos e recompras, reforçado por um novo programa de recompra anunciado. A combinação de crescimento robusto, forte geração de caixa e elevados retornos sustenta a recomendação de Compra.
