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Sacre Investimentos
19 de fev. de 20265 min

Radar Diário Diário de Ações - 19/02/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

A velocidade de entrega tornou-se o principal fator competitivo no comércio eletrônico brasileiro, com empresas investindo em logística para reduzir prazos e custos. A Shopee destaca ganhos sequenciais de velocidade no Brasil, com entregas de cerca de dois dias mais rápidas a/a e elevada penetração de entregas no dia seguinte na Grande São Paulo. A Amazon segue a mesma direção, ampliando sua malha logística e oferecendo entregas no mesmo dia em centenas de cidades e em um dia em mais de mil cidades, além de frete grátis acima de R$19. Esse movimento consolida a competição orientada por logística como requisito básico, elevando o padrão de serviço nacional. O Mercado Livre reduziu o limite de frete grátis de R$79 para R$19 para defender a frequência e o funil de baixo ticket, impulsionando compradores únicos e demanda. A companhia também reportou aceleração de itens vendidos e queda sequencial no custo unitário de envio, refletindo ganhos de escala e eficiência. No curto prazo, a estratégia prioriza crescimento e engajamento em detrimento de margens. A Shopee mantém sua estratégia baseada em eficiência logística estrutural e melhoria do mix de categorias com entregas mais rápidas. A monetização passa a depender mais de taxas e publicidade do que de receitas de frete. A Amazon amplia diferenciação via escala logística, valor do Prime e suporte a vendedores, com expansão de infraestrutura e redução relevante de prazos no Norte. A competição converge para três alavancas: menor limite de frete grátis, entregas mais rápidas e monetização por publicidade e serviços financeiros. Nesse contexto, o ecossistema integrado do Mercado Livre constitui uma vantagem competitiva, enquanto a competição deve permanecer elevada com foco na redução de custos de entrega e expansão da monetização.

Financeiro (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Financeiro

O encontro com companhias de seguros no CEO Conference 2026 trouxe as principais mensagens da Caixa Seguridade, BB Seguridade e Porto, enquanto o IRB permaneceu em período de silêncio. A Caixa Seguridade apontou que a liberação de compulsórios no crédito imobiliário deve favorecer seguros habitacionais, enquanto a suspensão do INSS redirecionou esforços para produtos de vida. O novo CEO reforçou o posicionamento previsível da companhia, sustentado por receitas recorrentes e integração com a rede da Caixa. A mudança para múltiplas joint ventures passou a ser vista como positiva por ampliar flexibilidade e portfólio. A expectativa é de originação imobiliária robusta nos próximos anos, elevando a penetração de seguros atrelados a hipotecas. A transformação tecnológica e o lançamento de um SuperApp devem ampliar cross-sell e distribuição digital, enquanto seguros Pix representam nova oportunidade. No curto prazo, a suspensão do INSS pressiona resultados, com esforços para recuperar parte da receita via seguros de vida. O BB Seguridade sinalizou abordagem cautelosa para 2026, destacando que mix e taxas importam mais que volumes e que agro segue principal fator de volatilidade. Parte relevante do risco agrícola permanece mitigada por resseguro, reduzindo assimetria negativa e sustentando menor volatilidade estrutural no médio prazo. No negócio de previdência, fluxos líquidos devem permanecer negativos em 2026, com foco na qualidade das entradas e menor dependência de grandes aportes. A recuperação mais consistente do seguro depende de redução efetiva de juros ao cliente e ambiente de crédito mais favorável. A Porto adota postura seletiva em crédito, com desaceleração deliberada, crescimento de Car Equity e potencial em PMEs, além de cartões como ativo estratégico e consórcios como vetor relevante de crescimento. Em seguros, a companhia mantém disciplina em preços, crescimento moderado em auto, forte tração em saúde e alocação de capital favorável ao acionista.  Temos preferência setorial por Caixa Seguridade, cautela em BB Seguridade e visão construtiva para IRB após a reestruturação.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Petroleo & Gás

O CEO Conference 2026 reforçou a convicção em PRIO e Ultrapar como Top Picks  no setor de Petróleo e Gás no Brasil, seguidas por Vibra. A PRIO avança bem em projetos orgânicos, com a primeira extração em Wahoo esperada para março, execução de recompras e possível divulgação de política de dividendos nos próximos meses. Iniciativas de redução de opex em Peregrino evoluem com economias em G&A, remoção do flotel e reparo da linha de gás previsto para os próximos meses. A emenda da licença de perfuração de Frade deve ocorrer no 2T26, permitindo perfurações até o fim do ano. A companhia segue avaliando projetos para 2028+, incluindo tieback entre Peregrino e o FPSO de Tubarão Martelo. A expectativa é de política de dividendos baseada em alavancagem e pagamento já no 2S26 antes de atingir 1x Dívida Líquida/EBITDA. A Ultrapar apresenta bom momento operacional e balanço com baixa alavancagem, com bons resultados entre as unidades. O ambiente competitivo da Ipiranga melhorou no 2S25, permitindo ganhos de volume e participação, enquanto a substituição do ERP pode gerar economias relevantes de SG&A até 2027. Na Ultragaz, a administração adota postura mais cautelosa após leilões de GLP da PBR e menor volume de alguns clientes, mas mantém visão positiva. A companhia continua buscando alocação de capital geradora de valor, incluindo novos negócios como Hidrovias. Petrobras, Brava e PetroReconcavo mantêm visão inalterada, com contexto financeiro mais apertado em 2026 apesar de bom desempenho operacional em Petrobras e Brava. Assim, PRIO e Ultrapar permanecem como Top Picks do setor no Brasil.