Radar Diário Diário de Ações - 20/01/26
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Mineração & Siderurgia
Os dados de alta frequência do Instituto Aço Brasil para dezembro e para o ano de 2025 indicaram um quadro fraco, com demanda mais resiliente do que o esperado, mas pressão contínua de importações sobre a rentabilidade. A demanda aparente cresceu 3% em 2025, enquanto as importações avançaram 7% a/a, ganhando participação de mercado. Em aços planos, as importações saltaram 30% em 2025 sobre uma base já elevada. Em consequência a esse cenário a margem EBITDA da indústria permaneceu abaixo de 10%, em níveis comparáveis aos observados durante os anos Dilma. Em dezembro, a demanda aparente subiu 17% a/a, com vendas domésticas de aços planos de 1.029 mil toneladas e de aços longos de 683 mil toneladas. As importações totais alcançaram 469 mil toneladas no mês, com alta de 26% a/a, enquanto as exportações somaram 1.035 mil toneladas, com avanço de 35% a/a. O excesso de oferta global, liderado pela China, continua pressionando preços e exportações, sem sinais concretos de cortes relevantes de produção. No Brasil, a agenda de antidumping segue como possível catalisador, mas com riscos de triangulação e ajustes de NCM que limitam a recuperação da rentabilidade.
Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Educação
O Ministério da Educação divulgou os resultados da primeira edição do ENAMED, que avaliou 304 cursos de medicina sujeitos à regulação federal. Do total, 204 cursos obtiveram notas entre 3 e 5, enquanto 99 cursos, ou 33%, ficaram na faixa insatisfatória entre 1 e 2. Apenas um curso não recebeu nota. Entre os cursos com notas 1 e 2, há exposição relevante de grupos listados como YDUQS, Cogna, Ânima, Afya, Ser Educacional, Cruzeiro do Sul e Vitru. Proporcionalmente, YDUQS e Ser aparecem como os mais afetados, com até 15% e 13% das vagas potencialmente impactadas, respectivamente. O ENAMED é comparável ao ENADE, mas é específico para medicina e avalia apenas o desempenho dos alunos em uma única prova. A participação é obrigatória para formandos, sem exigência de nota mínima para obtenção do diploma. Sinais do MEC indicam possíveis restrições de vagas conforme as notas, mas a legislação formal não prevê penalidades econômicas automáticas. Diante disso, grupos educacionais tendem a buscar vias administrativas e judiciais para garantir período de transição e tempo de adaptação.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Trisul (TRIS3); COMPRA; Preço-alvo R$ 9,00
A Trisul reportou vendas líquidas de R$688 milhões no trimestre, queda de 8% a/a, com VSO de 18%. As vendas brutas somaram R$738 milhões, com recuo de 5% a/a, e os cancelamentos totalizaram R$51 milhões, alta de 77% a/a. As vendas ficaram 17% abaixo das estimativas. A companhia lançou dois projetos no 4T25, totalizando R$930 milhões em VGV, com destaque para o Quarten Ibirapuera e o Elev Butantã. As entregas no trimestre somaram R$476 milhões, totalizando R$786 milhões em 2025, queda de 36% a/a. O VSO permaneceu saudável, apesar de inferior aos 30% registrados no 4T24. O ambiente macro mais desafiador, com juros mais elevados, continua pressionando a acessibilidade dos compradores. A ação segue negociando a 6x P/L para 2026, com recomendação de compra.
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 55,00
A Localiza deu mais detalhes sobre o produto Fast, que permite uma jornada totalmente digital de aluguel de veículos sem interação humana no balcão. O Fast já representa cerca de um terço dos aluguéis individuais da divisão RAC. O processo inclui verificação de identidade, pré-pagamento e desbloqueio do veículo via aplicativo. A solução está disponível em 277 das cerca de 600 agências da companhia. A iniciativa gerou impacto anual positivo estimado em R$23 milhões. A Movida também oferece solução digital via Web Check-in, mas em menor escala. A Turbi opera com modelo totalmente digital e sem agências físicas, com acesso aos veículos por aplicativo. O uso de tecnologia tem contribuído para eficiência operacional, padronização de serviços e leve aumento da utilização da frota.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)
- Smart Fit (SMFT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 30,00
A SmartFit negociava a 13x P/L para 2026 após queda recente das ações e revisões marginais de estimativas. A companhia abriu 341 academias em 2025, cumprindo integralmente o guidance de expansão. O TotalPass representou cerca de 13% dos clientes em 2024, mas apenas 9% da receita. A gestão implementou reajustes no plano Black no Brasil e na Colômbia, com risco limitado de churn. No México, houve enfraquecimento na captação de alunos no 1S25, refletindo ajustes operacionais e ambiente macro menos favorável. Medidas incluíram redução de capex por unidade e redesenho de lojas. No Brasil, a BioRitmo deve retomar expansão seletiva em regiões premium. O preço-alvo para o fim de 2026 foi revisado para R$30, com manutenção da recomendação de compra.
