Radar Diário Diário de Ações - 20/02/26
Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Embraer (EMBJ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 107.00
O debate sobre se a Embraer deve avançar com um novo programa de aeronaves ganhou força nos últimos anos e entendemos que merece uma perspectiva estruturada de longo prazo, em vez de uma análise puramente financeira de curto prazo. Os ciclos de desenvolvimento de aeronaves são inerentemente intensivos em capital e concentram riscos no início, o que naturalmente gera ceticismo do mercado. Ainda assim, a história mostra que novas plataformas não são opcionais na aviação — são o mecanismo pelo qual as montadoras preservam relevância, redefinem referências competitivas e garantem décadas de monetização. É importante destacar que a Embraer se encontra hoje em uma posição singularmente favorável dentro de seu ciclo de produtos: com plataformas principais maduras e geradoras de caixa, relações com fornecedores bem estabelecidas e flexibilidade estratégica entre segmentos. Embora a maior parte das discussões esteja concentrada na aviação comercial, vemos opcionalidade relevante também na Aviação Executiva, especialmente em categorias de maior valor agregado. Em nossa visão, a questão é menos “por que assumir o risco?” e mais “como e quando estruturar o próximo ciclo de forma responsável.”
O debate volta a ganhar relevância em um momento importante para a companhia e para a indústria. A aviação sempre operou por meio de ciclos de produto longos e intensivos em capital, nos quais as montadoras absorvem risco inicial em troca de décadas de monetização. Novas plataformas não são exceções — são a regra e o mecanismo por meio do qual hierarquias competitivas são redefinidas e valor de longo prazo é criado. Ainda assim, em um setor que vive um momento de rentabilidade elevada e relativo equilíbrio, reiniciar o ciclo levanta preocupações entre investidores quanto ao risco de execução, à intensidade de capital e à possível diluição de retornos.
Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)
- Vibra Energia (VBBR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 31.00
A Notícia:
De acordo com o Brazil Journal, a Vibra está negociando uma transação em estágio avançado para vender uma participação da Comerc, trazendo um parceiro estratégico para a plataforma de renováveis. A estrutura em discussão permitiria que a Vibra permanecesse como acionista relevante enquanto (1) compartilha com o parceiro novos compromissos de investimentos e (2) passa a não consolidar a Comerc em seu balanço patrimonial. As potenciais contrapartes incluem empresas globais de renováveis, como a EDF Renewables, sugerindo interesse estratégico no ativo. A Comerc, cuja participação foi elevada a 100% pela Vibra no ano passado, tem sido um pilar relevante da estratégia de diversificação para geração de energia e soluções energéticas, mas também adiciona necessidade de novos investimentos e volatilidade de resultados ao grupo, especialmente devido ao curtailment. A transação marcaria uma mudança de controle integral para um modelo de parceria ou joint venture, evidenciando esforços da administração em focar em seus negócios principais.
Nossa visão:
Acreditamos que o mercado tende a receber bem a notícia de uma potencial transação envolvendo a Comerc, considerando que (1) muitos investidores entendem que o valor de mercado atual da Vibra não incorpora sua participação na Comerc e (2) a alavancagem da Vibra diminuiria (para 2,3x Dívida Líquida/EBITDA ao final de 2026 versus cenário base de 2,7x), enquanto o lucro líquido aumentaria levemente. A desconsolidação ou venda da Comerc é parte central da tese de investimento para alguns investidores, dado que a Comerc deve gerar um pequeno prejuízo líquido em 2026. Assim, alguns investidores avaliam que a desconsolidação poderia ter impacto positivo em métricas simples como P/L, assumindo que não se considere o resultado da joint venture maior via equivalência patrimonial. Por outro lado, destacamos que o valuation ainda é incerto e será crucial para avaliar a transação, enquanto (1) do ponto de vista econômico, os acionistas da Vibra ainda deterão 50% da companhia, o que pode não alterar de forma relevante seu valuation e (2) a eventual venda de participação pode ser mais desafiadora, embora um IPO seja uma possibilidade. Em síntese, entendemos que o mercado tende a reagir positivamente à transação, mas destacamos que a alavancagem da Vibra não é necessariamente uma preocupação, dado o forte perfil de geração de fluxo de caixa, o que permite à companhia analisar oportunidades com disciplina; ainda assim, uma menor alavancagem poderia viabilizar a exploração de oportunidades maiores em outros negócios, como uma aquisição no segmento de Lubrificantes.
