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Sacre Investimentos
21 de jan. de 20264 min

Radar Diário Diário de Ações - 21/01/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

• Nota Setorial - Educação

O mercado educacional brasileiro entrou na era das “cash cow” (empresas geradoras de caixa) após atravessar quatro períodos distintos nos últimos 15 anos. Entre 2010 e 2014, os Anos Dourados foram impulsionados pelos benefícios econômicos do FIES. De 2015 a 2019, a Era de Redução do FIES foi marcada por alavancagem operacional negativa e pelo início da canibalização provocada pela expansão do ensino a distância. De 2020 a 2023, a Era da Pandemia foi caracterizada pela dominância do ensino a distância e maior exposição ao segmento de medicina. De 2024 a 2026, a Era das Cash Cow corresponde a empresas em um ciclo de “colheita”, com redução de operações, disciplina de capex e preservação de caixa. Após digerir o legado do boom do FIES, o setor passou por expansão agressiva de capacidade e M&As com pouca integração. A rápida migração para o ensino a distância comprimiu tíquetes e enfraqueceu a percepção de valor. Em 2023, as empresas mudaram o foco para desalavancagem, ganhos de eficiência, preservação de caixa, maior exposição a segmentos premium e menor apetite por M&As. A geração de caixa livre foi particularmente forte nos últimos dois anos, com yield médio 12M de 16%. Cogna apresentou 20%, YDUQS 17%, Afya 9%, Ânima 15%, Vitru 24%, Cruzeiro do Sul 27% e SER 20%. As condições de suporte devem permanecer em 2026, com atividade econômica resiliente, desemprego baixo e renda disponível saudável. O ano eleitoral tende a trazer incentivos macro e beneficiar o momento operacional do setor. O ciclo de queda de juros deve apoiar ainda mais a geração de caixa livre. Cogna foi elevada para compra, com um yield de FCF (fluxo de caixa livre) de 14% em 2026 e ~15% em 2027 e preço-alvo de R$5. Para YDUQS reiteramos recomendação de compra, com yield de FCF de 18% em 2026. Vitru e Ânima seguem como top picks em small caps, combinando yield elevado e maior CAGR de lucro esperado. Afya foi rebaixada para neutra, com preço-alvo de US$17 e yield de FCF de ~12%, abaixo da média do setor. Recomendamos alocação em Vitru, Ânima, Cogna e YDUQS, negociando a ~6x P/L para 2026 e 4,5x em 2027. Laureate permanece como principal escolha na América Latina, com crescimento de lucro esperado acima de 15% ao ano. Riscos incluem retorno no curto prazo a estratégias de crescimento agressivo, impactos regulatórios futuros e ruído trazido pelo ENAMED, embora os efeitos econômicos de curto prazo devam ser limitados.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

• Nota Setorial - Alimentos & Bebidas

O Grupo Petrópolis divulgou um volume em novembro de 2,0 milhões de hectolitros, alta de 8% a/a, acima do mercado, enquanto os preços médios subiram 11% m/m. No setor, o ano foi volátil, com desvios da política tradicional de preços e oscilações relevantes de volumes e preços. Em 2025, o volume do setor caiu cerca de 4,5% a/a, assumindo queda menor em dezembro, bem abaixo do crescimento do PIB brasileiro. A sazonalidade do consumo de cerveja parece estar retornando ao padrão pré-pandemia, com consumo maior no primeiro trimestre do que no terceiro. Durante a pandemia, esse padrão enfraqueceu, com consumo mais estável ao longo do ano. De 2020 a 2024, essa nova sazonalidade prevaleceu, mas começou a se romper em 2025. No período pré-2020, o crescimento sequencial médio no quarto trimestre era de cerca de 25%, contra aproximadamente 11% entre 2021 e 2024. A estimativa atual aponta para alta sequencial de 15%, a maior em cinco anos, mas ainda abaixo dos níveis pré-pandemia. Nesse cenário, a Ambev encerraria o ano com queda de volumes de 4,4%, em linha com a contração do mercado. Ganhos de participação no segmento premium estariam compensando perdas no massificado, enquanto os avanços da Heineken parecem vir sobretudo da Petrópolis. A ação da Ambev negocia a 15x P/L para 2026, sem sinais claros de crescimento, sustentando nossa recomendação neutra. O desempenho de 38% em 12 meses acompanhou pares globais, com prêmio de valuation de cerca de 17% frente à ABI, e a ação deve permanecer em uma faixa estreita devido à forte geração de caixa e balanço sólido.