Radar Diário Diário de Ações - 23/01/26
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
- Gerdau (GGBR4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 25,00
Continuamos com a visão de que a companhia é a melhor operadora do segmento de aço do Brasil, mas após uma alta de 40% em seis meses, o risco-retorno ficou menos atrativo. A decisão de recomendação Neutra decorre principalmente do ponto de vista de valuation, com poucas mudanças no modelo. A companhia continua com dois caminhos opostos, forte desempenho nos EUA e fundamentos fracos no Brasil. A alocação de capex deve cair até 2026, enquanto alguns projetos, como o de minério de ferro, estão em crescimento. No Brasil, não se veem benefícios relevantes de antidumping em 2026, o que limita a perspectiva de recuperação doméstica. O yield de geração de fluxo de caixa caiu para 6–7%, reduzindo a margem de segurança. A divisão dos EUA permanece forte, mas o potencial de revisões positivas já está amplamente precificado. O acordo USMCA em 2026 surge como risco, podendo comprimir spreads regionais. No Brasil, preços pressionados, importações elevadas e fraca precificação devem persistir. O projeto Miguel Burnier terá contribuição limitada em 2026, com EBITDA incremental de cerca de R$400 milhões. As estimativas de 2026 foram elevadas em 8%, levando o EBITDA consolidado a R$11,9 bilhões. O preço-alvo foi elevado para R$25 por ação, com potencial de alta limitado de cerca de 10%. A ação negocia a 4,6x EV/EBITDA para 2026, acima da média histórica.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Varejo & Consumo
Reuniões com investidores reforçaram a postura cautelosa em relação aos fundamentos do varejo. As expectativas de lucro para 2026 foram revisadas para baixo ao longo dos últimos seis meses. As decisões de alocação continuam ancoradas na visibilidade macro. O potencial de alta depende da queda sustentada dos juros reais de longo prazo ou revisões positivas de lucros. A preferência recai sobre Raia Drogasil, Pague Menos, Panvel, Smartfit, Vivara e Track&Field. O varejo farmacêutico é visto como o segmento mais defensivo. Raia Drogasil segue como principal veículo, com demanda resiliente e oportunidades em genéricos e GLP-1. Smartfit mantém fundamentos sólidos, mas virou uma tese consensual, com poucos catalisadores de curto prazo. No varejo de vestuário, múltiplos descontados não se traduziram em posicionamento devido à fraca dinâmica operacional. C&A negocia a cerca de 7x P/L para 2026, mas revisões negativas reforçam cautela. Lojas Renner depende da execução do guidance de médio prazo para tornar a tese mais atraente. Em Vivara, preocupações de curto prazo reduziram exposição. O varejo alimentar é visto como fonte de funding, com SSS fracos e pouca alavancagem operacional. No e-commerce, há sinais iniciais de reengajamento com Mercado Livre, mas com preocupações de margem.
Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)
- Nota Setorial - Construção Civil
O 4T25 mostrou desaceleração nas vendas no segmento médio-alto e desempenho saudável no MCMV. No médio-alto, lançamentos cresceram 35% a/a e vendas líquidas 6% a/a. O VSO anual caiu para 43%, com aumento de estoques em 34% a/a. As vendas de estoques começaram a desacelerar, especialmente no 2S25. No segmento de baixa renda, o desempenho seguiu forte, apoiado pelo programa MCMV. Lançamentos subiram 15% a/a e o VSO foi de 53%. Os estoques permaneceram baixos, com cerca de nove meses de vendas. A visão para 2026 é construtiva para baixa renda, devido ao ambiente macro favorável. Espera-se continuidade do bom momento do MCMV, com possíveis atualizações nas condições do programa. No médio-alto, recomenda-se seletividade diante de incertezas macro. As margens e retornos devem se manter elevados no segmento de baixa renda.
Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)
- IRB Brasil RE (IRBR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 60,00
A companhia deixou a fase de emergência da reestruturação e entrou em um estágio de execução e criação de valor. A administração destacou ganhos em disciplina na emissão de seguros, capital e capacidade operacional. Novos canais de originação de prêmios e iniciativas em Vida foram apresentados como alavancas estruturais. O crescimento dos prêmios permanece limitado no Brasil, mas a operação internacional deve crescer mais em 2026. Cerca de 35% da exposição já é internacional. O lucro líquido de 2026 deve crescer, impulsionado por resultados financeiros e normalização de legados. Aproximadamente 40% do caixa está offshore, limitando a conversão de juros altos em receita financeira. A estratégia de retrocessão foi ajustada para reter mais risco. A política de capital mira solvência em torno de 250%, com possibilidade de maiores payouts. Um programa de stock-matching foi aprovado para reforçar o alinhamento de longo prazo. O payout é de 25%, com potencial de revisões futuras. A gestão vê 2026 como um ano de execução intensa. A visibilidade de lucros aumentou, apoiada por eficiência de capital e custos menores. O valuation ainda é visto como atrativo, com capitalização de cerca de US$850 milhões.
