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Sacre Investimentos
23 de dez. de 20253 min

Radar Diário Diário de Ações - 23/12/25

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Agronegócio (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • Cosan (CSAN3); COMPRA; Preço-alvo R$ 10,50

A Cosan construiu ao longo dos anos um dos portfólios mais distintos do Brasil, com participações de controle em negócios líderes nos setores de energia, infraestrutura e agronegócio. Desde a pandemia, a companhia entrou em um ciclo intenso de investimentos, marcado por dois erros relevantes, incluindo o plano de expansão da Raízen com cerca de R$ 20 bilhões em capex sem aumento de EBITDA. O investimento em Vale resultou em uma perda estimada de R$ 7,5 bilhões, agravada por taxas de juros que chegaram a 15%. A recente oferta de ações gerou uma injeção de capital de R$ 10,5 bilhões, resolvendo essencialmente a estrutura de capital da holding. A dívida líquida no nível da holding deve cair de R$ 21,6 bilhões para R$ 14,1 bilhões, incluindo R$ 6,5 bilhões em ações preferenciais. A nova estrutura acionária melhora a governança ao reduzir o controle exclusivo e exigir apoio de outros acionistas relevantes para decisões estratégicas. Com o balanço fortalecido, a Cosan recupera flexibilidade para monetizar ativos em momentos mais favoráveis e reduzir o desconto histórico de holding, estimado em cerca de 30%. Apontamos oportunidades de criação de valor por meio de desalavancagem, redução de despesas da holding e monetização de ativos. No nível das subsidiárias, destacam-se diferentes vetores de valor em Raízen, Compass, Radar, Rumo e Moove, com desafios e oportunidades específicas. Após anos de investimentos pesados, a companhia entra em um novo ciclo de geração de caixa e passa a ser vista como uma tese de valor de longo prazo. Reiteramos a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 10,50 por ação e potencial de valorização próximo de 100%.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

O comércio baseado em agentes de inteligência artificial é apresentado como uma mudança de plataforma relevante a partir de 2026, com potencial de redistribuir valor entre busca, marketplaces, pagamentos, logística e publicidade. A McKinsey estima que a receita “orquestrada” por esse modelo possa alcançar entre US$ 900 bilhões e US$ 1,0 trilhão no varejo B2C dos EUA até 2030 e entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente. A camada de interface que controla intenção e execução tende a capturar a maior parte da economia, indo além de uma simples atualização de interface. Há uma transição da otimização da jornada humana para a otimização da jornada mediada por agentes, com maior foco em qualidade de catálogo estruturado, confiabilidade de preços e disponibilidade, certeza de entrega e clareza de políticas. A disrupção imediata ocorre no topo do funil, com compressão de busca, avaliação e formação de cesta em um único fluxo orientado por intenção. Pesquisas indicam que 44% dos usuários de busca já utilizam IA como principal fonte de informação, frente a 31% que preferem a busca tradicional. A escala tende a ser mais rápida do que na primeira onda do e-commerce devido ao alto nível atual de conectividade global e à consolidação das interfaces de agentes. São descritos três modelos de interação — agente-para-site, agente-para-agente e agente intermediado — com impactos distintos sobre margens e controle econômico. Pagamentos surgem como gargalo, exigindo evolução para autorização delegada, com riscos de fricção ligados a fraude, preferências regionais e confiança. O impacto sobre mídia de varejo envolve a migração de modelos baseados em atenção para modelos baseados em resultados, com monitoramento de indicadores como origem do tráfego, conversão e estabilidade de yield.