Radar Diário Diário de Ações - 24/02/26
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
• Gerdau (GGBR4); NEUTRO; Preço-alvo R$ 25,00
A Gerdau reportou resultados do 4T25 amplamente em linha com o consenso, porém 3% abaixo das nossas estimativas, refletindo sazonalidade mais fraca. O EBITDA atingiu R$2,37 bilhões, queda de 13% t/t e estável a/a, evidenciando a diferença recorrente entre o forte desempenho nos EUA e a fraqueza no Brasil. A operação americana destacou-se com margem EBITDA de 21,1%, acima das estimativas, enquanto o Brasil permaneceu em níveis deprimidos com margem de 7%. Mais de 70% do EBITDA passou a vir dos EUA, reforçando a diversificação regional como vantagem competitiva. A geração de fluxo de caixa foi sólida, com yield anualizado de 13%, mas considerada de baixa qualidade devido à liberação de capital de giro e outras entradas de caixa. A companhia anunciou dividendos de R$0,10 por ação e novo programa de recompra equivalente a 2,9% das ações, além de impairment de R$2 bilhões em ativos no Brasil. Os resultados reforçam um ambiente com duas velocidades, com operações nos EUA resilientes e Brasil pressionado. Nos EUA, volumes caíram t/t, mas preços e mix sustentaram EBITDA, enquanto no Brasil volumes e preços permaneceram fracos e custos unitários maiores, em parte devido a manutenção. A América do Sul apresentou EBITDA menor e margem abaixo das estimativas. No balanço, houve redução relevante da dívida bruta e da posição de caixa, com alavancagem líquida estável em 0,76x Dívida Líquida/EBITDA, considerada saudável. Apesar da qualidade operacional e da relevância da exposição aos EUA, o valuation tornou-se menos atrativo após o rali, com yield de fluxo de caixa ao redor de 6–7%. Com dinâmica ainda desafiadora no Brasil e upside mais limitado, a recomendação permanece neutra, negociando a 4,5x EV/EBITDA 2026 acima da média histórica.
Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Tcha Chan / Bruno Henriques)
O ano começou de forma intensa, com o Ibovespa subindo 18% no ano, impulsionado por redução de risco de investidores locais no fim de 2025 e forte entrada de capital estrangeiro. Apenas janeiro registrou cerca de US$6 bilhões de entrada em ações, equivalente ao total observado em 2025, caracterizando um rali liderado por “large caps”, incluindo Vale e Petrobras. Muitos fundos locais ficaram abaixo dos índices, reforçando a percepção de um rali silencioso com baixa participação doméstica. Esse contexto serviu de base para a pesquisa de sentimento realizada durante a conferência de CEOs em São Paulo, que indicou maior cautela, com um terço dos respondentes considerando o índice caro após a alta. Entre os principais destaques, Lula passou a ser visto como favorito em uma disputa apertada, com probabilidade de vitória de 60%. Materiais Básicos e Óleo & Gás seguem como setores mais vendidos, indicando relutância dos investidores em perseguir o rali e risco de nova perda relativa caso os fluxos estrangeiros continuem. As recomendações de compra concentram-se em Serviços Básicos e setor Financeiro, incluindo empresas como Axia e Copel. O início do ano foi desafiador para a indústria local em termos relativos, com fluxos estrangeiros permanecendo o principal driver do mercado. O sentimento piorou em relação à pesquisa anterior, com aumento da parcela neutra e maior número de investidores pessimistas. A percepção de valuation também se deteriorou, com mais participantes considerando o índice justo ou caro. A maioria reporta entradas estáveis em fundos, refletindo a baixa preferência estrutural por renda variável. A eleição de 2026 permanece fator relevante, com ambiente polarizado e Flavio Bolsonaro visto como principal nome da oposição. Commodities e varejo permanecem entre os setores menos preferidos, com preferência por diferentes empresas dependendo do resultado eleitoral.
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)
• Nota Setorial - Varejo & Consumo
O que analisar no resultado do 4T do Mercado Livre
A principal variável de curto prazo para monitorar é o crescimento do GMV e sua qualidade, com foco em avaliar se o crescimento está se tornando mais eficiente. A discussão concentra-se em quatro temas que devem receber maior atenção do mercado nos resultados, mantendo uma visão estruturalmente construtiva. O principal ponto é determinar se a companhia continua avançando na curva de investimentos ou se começa a monetizar o que já construiu. No último trimestre, o take rate de 3P foi de 21,1%, levemente menor a/a devido a investimentos em frete grátis e maior intensidade competitiva, com receitas de publicidade, fidelidade e taxas compensando parcialmente a menor receita de frete como percentual do GMV. A redução do limite para frete grátis foi reiterada como investimento de longo prazo em frequência, retenção e amplitude de categorias, com impacto relevante na take rate no Brasil. A análise inclui crescimento do GMV versus evolução da take rate, penetração de publicidade, receita de frete e crescimento de compradores, sendo que crescimento acima de 30% no Brasil com estabilização do take rate indicaria normalização dos reinvestimentos. Fintech segue como segundo pilar estrutural, com a carteira do Mercado Crédito atingindo US$11 bilhões e expandindo 83% a/a, enquanto a margem financeira após perdas caiu para 21% devido a mix e custos de funding. O foco permanece na originação versus provisões, comportamento de inadimplência inicial e custos de funding, com parte relevante do portfólio de cartões no Brasil já rentável e busca por sinais de convergência mais rápida para o breakeven. Logística permanece indicador relevante de geração futura de lucro líquido, com entregas rápidas crescendo e capex aumentando, pressionando a margem de contribuição no Brasil. A inteligência artificial é vista como fator estrutural para melhorar conversão, CAC e monetização, com foco em ferramentas para vendedores, personalização, automação logística e melhorias em crédito. Por fim, com a ação negociando a cerca de 35x P/L para 2026, o foco recai sobre margens incrementais, despesas operacionais e guidance de investimentos, com a narrativa dependendo da estabilização do crescimento e da recuperação de margens para viabilizar alavancagem operacional.
