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Sacre Investimentos
25 de fev. de 20269 min

Radar Diário Diário de Ações - 25/02/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

• Nota Setorial - Bens de Capital

Avaliamos os possíveis primeiros impactos da inteligência artificial nas empresas sob nossa cobertura. Nos últimos anos, a disrupção gerada pela inteligência artificial afetou o ambiente corporativo e passou a se refletir nos valuations das empresas. O estudo buscou identificar riscos e oportunidades associados à inteligência artificial em diferentes subsetores. A avaliação tende a evoluir conforme as ferramentas de inteligência artificial se desenvolvem. A primeira conclusão indica que o setor de Infraestrutura parece o mais protegido contra riscos de disrupção. Durante a CEO Conference em São Paulo, executivos foram frequentemente questionados sobre os impactos da inteligência artificial. Também houve aumento nas consultas de clientes sobre implicações da inteligência artificial entre setores. Nesse contexto, consolidamos uma análise inicial sobre a exposição à inteligência artificial considerando riscos de disrupção e oportunidades. Um ponto comum é o papel da inteligência artificial como catalisador de produtividade em tarefas operacionais. Para a maioria das empresas, as oportunidades estão concentradas em eficiência de custos e otimização de processos. A WEG se destaca como caso diferenciado, com potencial de capturar ganhos de eficiência e crescimento de receita devido ao aumento estrutural do consumo de energia associado à inteligência artificial, enquanto Infraestrutura se posiciona como o setor mais protegido devido a concessões reguladas, contratos de longo prazo e direitos de passagem.

Saúde (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

• Nota Setorial - Saúde

Há discussões no Congresso Nacional sobre uma mudança relevante na legislação trabalhista, incluindo propostas para eliminar o limite de 44 horas semanais e potencialmente encerrar o regime 6x1. Desde a Constituição de 1988, a jornada semanal é limitada a 44 horas, mas as propostas poderiam reduzir o teto para 40 horas ou até 36 horas. Nos últimos meses, esses projetos ganharam alguma tração política, embora ainda estejam sujeitos a debate intenso e a seu formato final dependa da tramitação legislativa. Existem três propostas principais em forma de PEC: uma na Câmara propõe modelo 4x3 com 36 horas semanais sem período de transição. Outra na Câmara, em discussão desde 2019, sugere redução gradual da jornada de 44 horas ao longo de 10 anos até 36 horas. A proposta mais antiga, originada no Senado e pronta para votação em plenário sem data definida, prevê redução imediata para 40 horas e redução faseada em quatro anos até 36 horas. As duas primeiras ainda precisam passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de avançar para votação mais ampla, e o governo federal sinalizou apoio a mudanças no regime 6x1. Para companhias no setor de saúde que operam todos os dias, uma redução para 40 horas exigiria contratação adicional de cerca de 10% para manter as cargas de trabalho, sem a possibilidade de redução salarial. O exercício, “ceteris paribus” e com premissas limitadas, aponta impacto potencial baixo a médio no EBITDA da Rede D’Or, Hapvida, Fleury, Dasa e Mater Dei. Podem existir medidas compensatórias como desonerações e parte do impacto pode ser repassada aos preços. A preferência segue por educação em relação a saúde, com Redo D’Or como Top Pick e destaque adicional para Fleury, negociando a aproximadamente 10,5% de yield de geração de fluxo de caixa para 2026.

Shoppings (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

• Iguatemi (IGTI11); COMPRA; Preço-alvo R$ 25,00

A Iguatemi reportou resultados razoáveis 4T, com números operacionais sólidos e DRE amplamente em linha da Receita ao lucro líquido. A receita líquida foi de R$423 milhões, alta de 12% a/a e em linha com a estimativa, impulsionada por receita de aluguéis saudável. O EBITDA ajustado atingiu R$313 milhões, estável a/a e 4% abaixo da estimativa, com margem de 74%, queda de 9 p.p. a/a e 120 bps abaixo do esperado. O LPA foi de R$0,49 por ação, alta de 3% a/a, e o FFO por ação ficou em R$0,65 no trimestre, queda de 12% a/a e amplamente em linha com as expectativas. O SSS cresceu 5,9% a/a e o SSR avançou 6,6% a/a, com crescimento real de 2,6%. A vacância encerrou o período em 3,3%, alta de 100 bps a/a, mas seria de cerca de 1,8% ao considerar contratos assinados no fim do período com H&M e Zaffari. O custo de ocupação dos lojistas permaneceu baixo em 10,4% das vendas, alta de 10 bps a/a. A inadimplência ficou novamente negativa em -3,5%, refletindo a cobrança de aluguéis vencidos no 4T. O desempenho combinou expansão de receita apoiada por aluguéis e M&As recentes, enquanto o lucro líquido permaneceu pressionado por despesas financeiras associadas a maior alavancagem. Pretendemos atualizar nossas estimativas em breve e mantemos recomendação de compra, com a ação negociando a 12x P/FFO 2026E. O portfólio premium de shoppings é descrito como o mais defensivo em um cenário macro desafiador no Brasil.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

• C&A (CEAB3); COMPRA; Preço-alvo R$ 19,00

A C&A apresentou resultados operacionais fracos no 4T, amplamente em linha com as estimativas, com forte desaceleração do crescimento do SSS e alguma desalavancagem operacional apesar de leve ganho de margem bruta. As vendas consolidadas recuaram 3% a/a para R$2,5 bilhões, em linha com a estimativa, e o SSS de vestuário caíram 0,3% a/a, ante +12% no 4T24. As receitas de vestuário cresceram 0,6% a/a para R$2,3 bilhões, enquanto eletrônicos e beleza recuaram 29% a/a para R$147 milhões, apesar de a linha de beleza crescer 23% a/a. A administração citou temperatura mais amena, ambiente mais promocional que direcionou demanda a itens de menor tíquete e maior quebra em produtos de tíquete médio baixo como fatores que pesaram no desempenho. Em serviços financeiros, a receita caiu 29% a/a para R$69 milhões, refletindo postura de crédito mais conservadora e o encerramento da parceria com a Bradescard ao fim do 2T25. A penetração do C&A Pay atingiu 27,5% das vendas, alta de 2 p.p. a/a, indicando avanço em serviço financeiro proprietário. O lucro bruto de vestuário foi de R$1,3 bilhão, alta de 1% a/a, com margem bruta avançando 10 bps com disciplina de preços e gestão de sortimento. O lucro bruto consolidado foi de R$1,4 bilhão, queda de 1% a/a e 3% acima da estimativa, com margem de 56,1%, alta de 120 bps a/a. As despesas de vendas subiram 5% a/a e SG&A aumentou 40 bps como percentual da receita líquida, devido a investimentos no programa Energia C&A. O EBITDA pré-IFRS16 totalizou R$560 milhões, queda de 6% a/a e em linha, com margem de 22,7%, queda de 60 bps a/a, enquanto o lucro líquido ajustado foi de R$270 milhões, alta de 8% a/a e 8% acima da estimativa por menor despesa de impostos. O fluxo de caixa operacional caiu 9% a/a para R$485 milhões, o capex foi de R$188 milhões e a geração de fluxo de caixa livre foi de R$297 milhões, queda de 28% a/a, com recomendação de compra mantida a 8x P/L para 2026.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

• Nota Setorial - Alimentos & Bebidas

O cenário do setor de proteínas indica que as margens seguem dentro de um ciclo de normalização, com sinais mais claros de reversão no frango do que na carne bovina nos EUA. Para o quarto trimestre, espera-se queda de margens na BRF e melhora na Seara, apoiada pela retomada das exportações para China e União Europeia. Em nível consolidado, JBS e MBRF devem apresentar resultados mais fracos a/a e t/t, com Pilgrim’s pressionando a JBS. A Minerva deve registrar queda sequencial após o efeito não recorrente da monetização de estoques no 3T25. Ainda assim, o desempenho operacional permanece resiliente em função da diversificação das companhias. A JBS segue como a única recomendação de compra no setor, negociando com desconto relativo aos pares. Para a MBRF, espera-se normalização de margens, com BRF ainda apresentando volumes sólidos e sazonalidade positiva. Na Minerva, o trimestre deve parecer mais fraco sem ajustes, mas mostrando crescimento sequencial em base ajustada. Fora o setor de proteínas, a M. Dias Branco deve apresentar melhora de margens impulsionada por custos menores, embora com resultados mistos. No geral, o setor permanece sólido, porém com tendência de desaceleração e maior dispersão entre empresas e segmentos.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

• Nota Setorial - Petroleo & Gás

As expectativas para as “Junior Oils” indicam desempenho relativamente resiliente, com destaque para a PRIO entre as empresas cobertas. A PRIO deve apresentar melhora sequencial de EBITDA impulsionada por forte crescimento de produção e offtakes, compensando a queda de preço do Brent. O aumento de escala deve reduzir lifting costs e sustentar geração recorrente de fluxo de caixa para o acionista, embora a aquisição de Peregrino eleve a dívida líquida. O resultado esperado reforça o momento operacional positivo e a forte capacidade de geração de caixa da companhia. A empresa permanece como Top Pick do setor, apoiada pela primeira extração de petróleo em Wahoo, otimizações de custos e possível política de dividendos. A Brava deve registrar resultados mais fracos devido a interrupções operacionais e menor produção, além de atrasos nas vendas. Ainda assim, a companhia deve gerar fluxo de caixa livre levemente positivo, favorecido por capex menor e eventos não recorrentes. A geração positiva, mesmo em cenário adverso, indica melhora gradual do desempenho financeiro. Para 2026, capex elevado deve refletir a campanha em Atlanta/Papa-Terra, enquanto preços do Brent acima de US$65/bbl podem acelerar desalavancagem. A PetroReconcavo deve apresentar trimestre fraco, com produção menor e ambiente de preços mais pressionado. O EBITDA deve cair t/t e a/a, com custos relativamente estáveis e benefício de menores despesas de midstream. O fluxo de caixa deve permanecer próximo do equilíbrio, refletindo resultados operacionais mais fracos e redução de capex. A tese da companhia segue dependente da retomada da produção no curto prazo. A melhora operacional é considerada mais provável no segundo semestre de 2026. No conjunto, o setor mostra resiliência relativa, porém com maior dispersão de resultados entre as empresas e dependência da execução operacional e da trajetória de produção.