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Sacre Investimentos
26 de jan. de 20265 min

Radar Diário Diário de Ações - 26/01/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Construção Civil (Gustavo Cambauva / Gustavo Fabris / Luis Mollo, CFA)

  • Eztec (EZTC3); COMPRA; Preço-alvo R$ 28,00

A Eztec divulgou guidance de lançamentos de R$2,5–3,5 bilhões para 2026, considerando a participação da companhia em projetos. O ponto médio do guidance fica 7% acima das estimativas e implica crescimento de 27% a/a. A expectativa de crescimento é atribuída à estratégia de aumentar o giro de ativos, já que o grande landbank adquirido à vista vinha pressionando o ROIC. O aumento dos lançamentos deve elevar o giro de ativos e permitir recuperação do ROE, que vinha em níveis de um dígito nos últimos anos. O anúncio é considerado positivo por estar acima das estimativas. O guidance indica crescimento anual relevante, sugerindo otimismo com o desempenho das vendas. O maior volume de lançamentos tende a melhorar o giro de ativos, principal fator de pressão sobre o ROE. Pretendemos revisar as projeções incorporando o novo guidance. Reiteramos recomendação de compra para as ações da Eztec. A ação negocia a 0,8x P/VPA e 7x P/L 2026. A avaliação é de que a rentabilidade deve se recuperar em breve.

Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • WEG (WEGE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 52,00

Os sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos como BESS, são baterias recarregáveis que armazenam energia de diferentes fontes e a liberam quando necessário. Esses sistemas podem equilibrar a rede elétrica, fornecer energia de backup e melhorar a estabilidade do sistema. A WEG possui um portfólio completo de produtos e soluções em BESS, posicionando-se de forma diferenciada nesse segmento. A companhia é vista como uma das melhores teses globais de infraestrutura de rede e inteligência artificial na América Latina. A recomendação de compra é mantida, com a ação negociando a 24x P/L para 2027. O armazenamento de energia é componente crítico de um sistema elétrico em processo de descarbonização. O BESS permite integrar fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, suavizando a volatilidade da geração. A demanda global crescente por energia deve acelerar a adoção de BESS nos próximos anos. Apesar de ainda representar parcela pequena das vendas da WEG, a contribuição de BESS para o lucro líquido é limitada por enquanto. Transformadores também contribuíam pouco no passado e hoje representam cerca de 20% do lucro líquido da companhia.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)

  • Nota Setorial - Varejo & Consumo

O comércio conversacional está migrando da experimentação para a realidade econômica, com lojistas do Shopify pagando taxa de 4% sobre vendas via checkout do ChatGPT. A OpenAI está lançando uma nova camada de marketplace sobre o ecossistema global de e-commerce. A distribuição, e não a qualidade do produto, historicamente foi o principal gargalo para vendedores digitais. O ChatGPT propõe uma interface baseada em linguagem natural, em vez de buscas por palavras-chave. A plataforma já opera em escala comparável a marketplaces médios, com mais de 1 milhão de lojistas acessíveis e cerca de 3,9 bilhões de consultas anuais relacionadas a produtos. A atribuição atual de tráfego ainda é pequena, com buscas por IA em cerca de 0,15% das visitas. O principal impacto está na economia unitária, com custo total de cerca de 7% por transação, frente a 25–30% na Amazon. Diferentemente da Amazon, não há sistema de lances, ranking patrocinado ou promoção obrigatória. A OpenAI afirmou que anúncios não influenciarão as respostas e permanecerão separados do conteúdo orgânico. O GMV potencial estimado, mesmo em cenário otimista, seria de aproximadamente US$5,5 bilhões. O avanço do ChatGPT como marketplace é negativo para plataformas dependentes de descoberta paga, como Amazon e Google Shopping. Para o Shopify e para vendedores, o canal oferece aumento de alcance com baixo risco e potencial assimétrico de valor.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

  • Nota Setorial - Petroleo & Gás

O cenário para o setor de distribuição de combustíveis está mais favorável, mas ainda exige paciência quanto às margens. Após a alta recente das ações e dados da ANP mostrando forte crescimento de volumes a/a e ganhos de market share para Ipiranga e Vibra, estimamos volumes e margens para 2026. Ultrapar negocia a 10,8x P/L para 2026 e Vibra a 12,3x P/L para 2026, níveis que podem ser sustentados por expectativas conservadoras de EBITDA/m³ e pelo potencial início do ciclo de afrouxamento monetário em janeiro. O entusiasmo recente com crescimento de volumes é visto como exagerado e pouco provável de gerar revisões materiais de lucro líquido. Há espaço para crescimento de volumes e market share, mas as companhias devem buscar equilíbrio entre rentabilidade e participação, considerando a necessidade de capex e capital de giro. A janela aberta para importações e expectativas de redução de preços pela Petrobras criam incerteza de curto prazo, com impacto potencial no EBITDA/m³, mas efeito econômico limitado. Ipiranga encerrou 2025 com 17,9% de market share e Vibra com 22,1%, em um mercado que cresceu cerca de 8% a/a em dezembro e 4% a/a no 4T25. Caso o market share de dezembro se mantenha e o mercado cresça 2,5% a/a, os volumes de 2026 poderiam subir cerca de 8% para Ipiranga e 5% para Vibra. O crescimento de volume exigirá investimentos em capex e capital de giro, reduzindo o impacto positivo sobre o fluxo de caixa. A expansão da margem é vista como o principal catalisador para revisões de estimativas e suporte a valuations mais elevados. Um aumento de R$10/m³ no EBITDA/m³ poderia gerar revisões relevantes em lucro líquido e FCFE para Vibra e Ultrapar.