Radar Diário Diário de Ações - 27/01/26
Commodities (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
- Nota Setorial - Commodities
Setor de Commodities no Brasil
Investidores locais tiveram um início de ano difícil considerando o desempenho relativo ao Ibovespa e permanecem fortemente “subalocados” em commodities, tendo perdido a recente alta da Vale impulsionada por fluxo estrangeiro. Vale segue vista como bem precificada, com alguns investidores montando posições pequenas para reduzir o “tracking error” em relação ao índice. Há um elevado interesse no tema de ouro via Aura Minerals, mas o posicionamento permanece pouco representativo, enquanto o setor de aço apresenta interesse limitado, com Gerdau como principal nome. No segmento de papel & celulose, há frustração com a falta de beta das ações à recente recuperação dos preços da celulose na China, levando investidores a enxergarem o setor como uma posição relativa vendida. O setor é visto como sem catalisadores claros no curto prazo. A percepção geral é de uma “pain trade” persistente. Investidores seguem desconfortáveis em aumentar exposição nos níveis atuais. Commodities continuam fora do foco da maioria dos portfólios locais. O sentimento é de cautela estrutural.
Vale
Vale, como maior ação do Ibovespa, permanece amplamente “subalocada”, com vários investidores sem posição. Alguns compraram ações ou BOVA11 para reduzir a diferença em relação ao índice. A principal objeção é o bom desempenho recente apesar da piora marginal do minério de ferro e da demanda deprimida de aço na China. O minério caiu de cerca de US$110/t para US$103/t e a demanda aparente de aço está mais de 5% abaixo a/a. O valuation é visto como razoável, com yield de geração de fluxo de caixa de 7%–9% em 2026. A maioria precifica o minério em níveis de pico e não vê um superciclo. Investidores questionam quanto mais os fluxos podem distorcer os preços. A ação é vista como bem precificada.
Aura Minerals
Aura Minerals foi um dos poucos “multi-baggers” da cobertura recente. Poucos investidores locais acertaram a tese e seguem posicionados, enquanto a maioria permanece de fora de ouro e de Aura. Há poucas alternativas no Ibovespa para exposição ao tema de metais preciosos. O tema de ouro não é área típica de interesse dos gestores. A tese operacional é vista como atraente, com crescimento de volumes de cerca de 40% em 2026. Esperam-se revisões positivas de lucro líquido. As ações negociam a cerca de 1x P/NAV, um valuation razoável. O múltiplo poderia comprimir ao depender do preço do ouro. Há cautela em assumir reversão à média no ouro. O tema é visto como mudança estrutural.
Papel & Celulose
Empresas como Suzano e Klabin mantêm qualidade de ativos reconhecida globalmente. Há frustração com a falta de beta das ações à alta recente dos preços da celulose na China. Os preços subiram cerca de US$100/t desde o fundo para aproximadamente US$580/t. Klabin negocia em níveis semelhantes aos de uma década atrás. A fraqueza do dólar é vista como vento contrário. Há maior interesse relativo em Suzano, vista como alternativa mais barata. 2026 deve ser numericamente poluído pela consolidação da KC. Os yields de geração de fluxo de caixa devem ficar negativos. Investidores trabalham com curvas de preços em US$570–580/t. Um choque relevante de oferta seria um divisor de águas, mas é difícil de antecipar.
Aço
Há pouca esperança de reversão material em 2026 para o setor brasileiro de aço. Importações e casos de antidumping dominam as discussões. Há ceticismo de que esses casos mudem significativamente a lucratividade. Tarifas podem ser contornadas por mudanças de especificação e triangulação. Gerdau é vista como a melhor operadora do setor. Há otimismo em relação à unidade dos EUA da Gerdau. Alguns investidores projetam margens EBITDA de até 25% na região. Isso implicaria risco positivo para estimativas. Há pouco interesse em Usiminas por preocupações operacionais. Em CSN, persistem dúvidas sobre desalavancagem.
CBA
CBA ganhou interesse após notícias de M&A e alta do alumínio. A ação virou forma indireta de exposição ao cobre. O índice Cu-Al está acima do normal. As ações negociam abaixo de 4x EBITDA 2026 mesmo após a alta. Há dúvidas sobre estabilidade operacional futura. O balanço patrimonial não é mais a grande preocupação. O cenário segue benigno para a tese de investimento. Investidores estão revisando premissas de marcação a mercado.
Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 55,00
A análise da frota de seminovos mostra que Movida mantém frota mais jovem e com menor quilometragem que a Localiza. Cerca de 50% dos carros da Movida têm até 45 mil km, contra 47% da Localiza. A frota da Movida é concentrada em modelos 2024/25 e 2025/26. A Localiza apresenta melhoria gradual na qualidade da frota. A participação de veículos até 45 mil km ficou estável em 47%. O mix de idade segue migrando para veículos mais novos. A desmobilização recente favorece unidades de maior quilometragem. Isso sustenta tendências de depreciação. Há alívio de pressão sobre lucro líquido.
Saúde (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Saúde
O quarto trimestre deve mostrar normalização, estendendo tendências do terceiro trimestre. Provedores devem entregar trimestres resilientes. Planos de saúde terão tendências mistas. Hapvida deve ter alívio sazonal parcial na sinistralidade. A sinistralidade deve subir 300 bps a/a e cair 120 bps t/t para 74,0%. Hapvida deve registrar perdas líquidas de membros. SulAmérica deve se destacar positivamente. Qualicorp deve enfrentar trimestre desafiador. Rede D’Or e Fleury devem se sobressair. Blau deve ter trimestre mais fraco.
Estratégia (Carlos Sequeira, CFA / Osni Carfi / Tcha Chan / Bruno Henriques)
O Ibovespa subiu 11% no início do ano, impulsionado por fluxo estrangeiro. Estrangeiros compraram R$15,8 bilhões em ações locais. Entradas em fundos de mercados emergentes globais somaram US$17,5 bilhões em janeiro. Fundos GEM (Global Emerging Markets) estavam alocados no Brasil em aproximadamente 6,4% ao final de dezembro. Estima-se que agora a posição esteja “sobrealocada” em cerca de 200 bps. Compras concentram-se em ações líquidas de grande capitalização. Parte relevante das compras ocorre via ETFs. O número de cotas do EWZ atingiu recorde. Saídas de fundos locais diminuíram. A expectativa de queda da Selic pode atrair recursos de volta para ações.
