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Sacre Investimentos
27 de fev. de 202611 min

Radar Diário Diário de Ações - 27/02/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

  • MercadoLibre (MELI34)

O Mercado Livre permanece como nossa Top Pick entre o universo de cobertura na América Latina, negociando a 33x P/L para 2026, refletindo expectativas de forte crescimento estrutural em meio a um debate contínuo sobre sustentabilidade de margens. O 4T apresentou surpresas positivas de GMV, especialmente no Brasil e no México, enquanto o EBIT ficou abaixo das nossas estimativas devido ao aumento de investimentos em logística, incentivos e crédito. A discussão central envolve a eficiência na conversão do crescimento incremental de GMV em lucro operacional, diante de subsídios de frete, entregas mais rápidas e maior competição no Brasil. O mix de fintech avança para cartões de crédito, o que melhora a monetização no longo prazo, mas eleva a volatilidade de provisões no curto prazo. Analisamos a dinâmica de crédito e margem financeira, dispersão de margem de contribuição por geografia, custos de frete e penetração de anúncios como compensação, além de produtividade via inteligência artificial.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Luis Mollo, CFA)

  • Dimed (PNVL3); COMPRA; Preço-alvo R$ 13,00

A Panvel apresentou em seu Investor Day uma agenda estratégica focada em crescimento com melhoria de rentabilidade e lançou o plano 2026-2030 após cumprir metas relevantes no ciclo anterior. Entre 2020 e 2025, a companhia expandiu a rede de lojas, aumentou participação de mercado na região Sul, elevou margem EBITDA e mais que dobrou a receita de marcas próprias. O novo guidance prevê expansão física e digital, uso crescente de inteligência artificial e aprofundamento do relacionamento com clientes, com meta de receita bruta de R$11,5-12 bilhões e até 1.000 lojas em 2030. GLP-1 segue com forte momento, com baixa penetração de clientes e expectativa de introdução gradual de similares e genéricos a partir do segundo semestre de 2026. Cosméticos e itens de higiene, marca própria, fidelidade e canais digitais foram destacados como principais catalisadores de crescimento, com clientes omnichannel apresentando maior frequência e ticket médio. O preview operacional do 4T25 indicou números sólidos, crescimento de vendas mesmas lojas, maior penetração digital e ganho de participação de mercado na região Sul.

Saúde (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)

  • Rede D´Or (RDOR3); COMPRA; Preço-alvo R$ 54,00

Após resultados do 4T ligeiramente abaixo das expectativas devido a margens mais fracas, as estimativas foram atualizadas com recuperação de margens mais gradual e manutenção de crescimento operacional sólido. Parte da fraqueza observada foi explicada por fatores não recorrentes, incluindo despesas extraordinárias relacionadas a provisões, o que reduz o risco de revisões negativas relevantes de lucro. A companhia apresentou início de ano positivo no segmento hospitalar, com aumento de volumes, expansão de leitos e melhora de desempenho na SulAmérica, incluindo redução da sinistralidade. Para 2026, projeta-se adição relevante de novos leitos, ganhos de escala e crescimento de EBITDA em dois dígitos, sustentados por alavancagem operacional e força estrutural da oncologia. No segmento de seguros, espera-se continuidade da melhora de sinistralidade e crescimento de base de beneficiários, enquanto o aumento de SG&A é tratado como não recorrente. A companhia permanece bem-posicionada para consolidar sua liderança em hospitais e seguros, sendo destaque como Top Pick de longo prazo no setor de saúde.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Sanepar (SAPR11); NEUTRO; Preço-alvo R$ 43,00

A Sanepar reportou resultados fracos no 4T, com receita líquida de R$1,89 bilhão, 2% acima das nossas estimativas e crescimento de 6% a/a impulsionado por volumes faturados maiores do que o esperado. O EBITDA ajustado foi de R$756 milhões, estável a/a e 9% abaixo das nossas estimativas, refletindo custos superiores ao esperado, principalmente despesas com pessoal e provisões para inadimplência. O lucro líquido somou R$361 milhões após despesas financeiras líquidas de R$88 milhões e alíquota de imposto maior que o esperado. A alavancagem permaneceu baixa em 0,6x Dívida Líquida/EBITDA, apoiada pelo impacto em caixa de créditos fiscais recebidos em setembro de 2025. O Opex totalizou R$1,135 bilhão, aumento de 12% a/a, impulsionado por maiores custos de pessoal, serviços e provisões para inadimplência. O desvio em relação às estimativas foi explicado principalmente por despesas com pessoal e inadimplência acima do esperado.

Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • B3 (B3SA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 18,00

A B3 reportou no 4T25 lucro líquido contábil de R$908 milhões, 36% abaixo das nossas estimativas e 38% abaixo do consenso, impactado principalmente por um efeito não caixa e não recorrente ligado à remensuração de impostos diferidos sobre ágio após o aumento da alíquota de CSLL. Excluindo esse item e outros não recorrentes, como o pagamento extraordinário de R$1,5 bilhão em juros sobre o capital próprio em dezembro, o lucro líquido recorrente foi de R$1,46 bilhão, 3% acima das nossas estimativas e em linha com o consenso. A receita líquida atingiu R$2,65 bilhões, 2% acima das nossas estimativas, enquanto as despesas totais somaram R$922 milhões, 2% acima das nossas estimativas, com crescimento anual abaixo da inflação. O resultado financeiro foi positivo em R$95 milhões e o EBT alcançou R$1,83 bilhão, mas a alíquota efetiva de imposto chegou a 50%, principal fator para o lucro contábil abaixo do esperado. A companhia reiterou o guidance de 2026 e informou distribuição de R$3,6 bilhões no 4T, enquanto em 2025 o retorno ao acionista foi de R$6,3 bilhões, resultando em payout de 137% sobre o lucro do ano.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Copel (CPLE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 14,40

A Copel apresentou números muito fortes no 4T, com EBITDA reportado de R$1,81 bilhão e EBITDA ajustado de R$1,36 bilhão após ajustes de curtailment, venda de ativos, VNR e outros itens não caixa, 13% acima das nossas estimativas e 16% acima a/a. O desempenho positivo ocorreu apesar de um trimestre desafiador para geradoras, com baixo GSF e maior curtailment, e foi sustentado por boa execução nos segmentos de geração e transmissão e distribuição. O lucro líquido atingiu R$1,07 bilhão, ou R$767 milhões após ajustes por itens não recorrentes e não caixa, beneficiado por renda de equivalência maior do que o esperado e efeito tributário de juros sobre o capital próprio. Em geração e transmissão, o EBITDA ajustado foi de R$654 milhões, acima das nossas estimativas, com redução de custos, menores contingências e maiores ganhos de modulação, parcialmente compensados por maiores compras de energia. Na distribuição, o EBITDA ajustado foi de R$728 milhões, acima das nossas estimativas, com melhora de contingências e indicadores de qualidade, embora o PMSO recorrente tenha subido 31% a/a. Os volumes ficaram estáveis a/a, as perdas subiram para 7,7% e permaneceram abaixo do limite regulatório, com DEC e FEC em melhora frente a dezembro de 2024.

Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • WEG (WEGE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 65,00

A atualização pós-4T indica que a WEG voltou a enfrentar o trade-off entre crescimento e margens, com margens acima das nossas estimativas e do consenso, mas crescimento abaixo do esperado. A resiliência de margens refletiu estratégias de mitigação de tarifas, realocação de produção e aumentos de preço em dois dígitos ao longo de 2025, além de um mix de receita mais favorável. O crescimento no curto prazo foi pressionado por base de comparação difícil no fim de 2024, pela desaceleração do negócio de energia doméstico, pelo real mais forte e por incertezas sobre tarifas e restrições de capacidade. A visão de longo prazo segue sustentada por oportunidades em motores de baixa tensão, avanço gradual para mercados de alta tensão e expansão em automação e drives, além da demanda por transformadores e investimentos em rede e data centers na América do Norte. A companhia revelou plano de capex de R$3,6 bilhões para 2026 e reiterou intenção de crescimento de receita no ano, ainda que o primeiro semestre possa ser mais fraco. As estimativas foram revisadas com câmbio mais apreciado, receita líquida projetada em R$43,4 bilhões em 2026 e R$49,3 bilhões em 2027, margem EBITDA projetada em 22,5% e 22,8%, e preço-alvo foi elevado para R$65 por ação, mantendo recomendação de compra.

Serviços Básicos (Antonio Junqueira, CFA / Gisele Gushiken, CFA / Maria Schutz / Luis Mollo, CFA)

  • Eletrobras (AXIA3); COMPRA; Preço-alvo R$ 61,00

A Axia reportou um 4T forte e destacou 2025 como um ano de inflexão após mudanças de gestão, estratégia comercial, venda de ativos, acordo de governança e gestão de balanço. O EBITDA ajustado reportado foi de R$5,3 bilhões, levemente abaixo das nossas estimativas, mas ajustes adicionais indicariam um EBITDA entre R$5,8 bilhões e R$5,9 bilhões. O lucro líquido ajustado atingiu R$2,6 bilhões, acima das nossas estimativas, e a dívida líquida ao fim do ano ficou R$2 bilhões abaixo da nossa projeção. O lucro líquido reportado foi de R$14 bilhões, com reconhecimento de R$12,3 bilhões em créditos tributários com expectativa de conversão em caixa no futuro, além de efeito positivo sobre lucros acumulados. A ação permanece no portfólio 10SIM, com recomendação de compra, apesar do desempenho forte desde o início de 2025. A visão segue associada à reprecificação gradual das expectativas de preços de energia pelo mercado.

Alimentos & Bebidas (Thiago Duarte / Guilherme Guttilla / Bruno Henriques)

  • M. Dias Branco (MDIA3); NEUTRO; Preço-alvo R$ 28,00

Os resultados do 4T25 da M. Dias Branco mantiveram o padrão dos últimos anos, com o desafio de conciliar preservação de participação de mercado e rentabilidade. A companhia reforçou a estratégia de voltar a priorizar crescimento de volume para recuperar alavancagem operacional, e o trimestre mostrou volumes +10% a/a e ganho de participação t/t. Ainda assim, as margens operacionais permaneceram muito baixas e apenas superaram os níveis do período da pandemia, enquanto o custo para recuperar espaço na gôndola ficou maior do que o inicialmente esperado. A receita cresceu 9% a/a para R$2,7 bilhões e o EBITDA ajustado foi de R$271 milhões, 23% abaixo das nossas estimativas, com margens bruta e de EBITDA ajustado em 31,6% e 10%, abaixo do esperado, enquanto o lucro líquido foi de R$158 milhões, 28% abaixo da nossa projeção, e a companhia encerrou com posição líquida de caixa de R$554 milhões. Dados da Nielsen indicaram queda de 4% nos volumes de biscoitos e 3% em massas no trimestre, sugerindo um cenário setorial menos dinâmico que pode dificultar a recuperação de volumes. Reiteramos recomendação neutra, com execução vista como determinante e a premissa de margem EBITDA de longo prazo de 15% parecendo distante.

Financeiro (ex-Bancos) (Eduardo Rosman / Thiago Paura / Ricardo Buchpiguel / Bruno Henriques)

  • Caixa Seguridade (CXSE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 22,00

A Caixa Seguridade reportou no 4T25 lucro líquido de R$1,1 bilhão, praticamente estável t/t e +6,5% a/a, ficando 2% abaixo das nossas estimativas e 1% abaixo do consenso. O desempenho foi pressionado por prêmios mais fracos em seguro prestamista e menor captação em previdência, após a suspensão das vendas de prestamista no canal ligado ao INSS e o impacto do IOF sobre novas contribuições em VGBL. Os prêmios emitidos caíram 4% t/t para R$2,4 bilhões, com queda de 35% t/t em prestamista, enquanto seguro habitacional cresceu 3% t/t e seguros residencial e de vida tiveram variações negativas no trimestre. A sinistralidade veio melhor do que o esperado e abaixo dos níveis históricos, em 22,1%, com melhora nos principais segmentos. As contribuições totalizaram R$13,1 bilhões, cerca de 10% abaixo das nossas estimativas, com queda em previdência e em letras de crédito no trimestre, parcialmente compensadas por volumes mais fortes de títulos de capitalização. A companhia encerrou 2025 com R$4,3 bilhões de lucro líquido e segue como principal recomendação no setor, com yield de dividendos de 8% projetado para 2026 e expectativa de normalização gradual do prestamista em 2026.

Transportes (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

  • Localiza&Co (RENT3); COMPRA; Preço-alvo R$ 55,00

Os resultados do 4T da Localiza vieram em linha com as nossas estimativas, com receita líquida de R$11 bilhões (+12% a/a) e EBITDA de R$3,7 bilhões (+12% a/a), influenciado por R$49 milhões em créditos tributários na divisão de Frota, e lucro líquido de R$939 milhões (+12% a/a). Ajustando o benefício tributário não recorrente, o EBITDA ajustado ficou em R$3,7 bilhões e o lucro líquido ajustado é estimado em R$900 milhões, enquanto o spread de ROIC atingiu 5,5% em 2025. Em RAC, volumes cresceram 2% a/a e a diária média foi de R$157 (+6% a/a), sustentando margem EBITDA de 69% com disciplina de custos e ganhos de produtividade. Em GTF, volumes caíram 3% a/a e a diária média subiu 8% a/a para R$106, com margem EBITDA de 76% beneficiada por créditos tributários e margem ajustada estimada em 74%. Em Seminovos, a receita líquida foi de R$5,8 bilhões (+16% a/a) com 77,4 mil veículos vendidos, mas com preço médio menor e margem EBITDA de 1,7% afetada por despesas de marketing e abertura de lojas. O início de 2026 foi destaque por recorde de vendas de 59 mil carros em janeiro-fevereiro, redução de veículos de uso severo e maior probabilidade de revisões positivas de lucro, mantendo recomendação de compra.