Radar Diário Diário de Ações - 28/01/26
Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)
- MercadoLibre (MELI34); COMPRA
As ações do Mercado Livre tiveram forte desempenho no início de 2026, com recuperação após um período de mais fraco ao longo da maior parte de 2025. Após o pico no primeiro semestre de 2025, o papel corrigiu cerca de 22% até o fim do ano, ficando bem abaixo tanto do Nasdaq quanto de pares globais de e-commerce de grande capitalização. Desde o começo de 2026, MELI sobe 8%. Esse desempenho relativo é atribuído à renovação da confiança na resiliência do crescimento de receita líquida em 4T25 e 2026, apesar da pressão esperada em margens. Também pesou a percepção de que os vetores de rentabilidade nos próximos anos devem compensar gradualmente os investimentos no curto prazo. Além disso, o fluxo para mercados emergentes também ajudou a maioria dos nomes de consumo e varejo, e observamos que investidores locais vinham ficando gradualmente menos negativos sobre a tese. Em interações recentes com investidores nos EUA, a avaliação predominante é de que investidores estrangeiros estão mais construtivos com o crescimento de curto prazo, embora as preocupações com as margens não tenham desaparecido. MELI foi visto como uma das poucas plataformas na América Latina capazes de sustentar crescimento estrutural de GMV, apoiado por maior penetração online, marca forte e ecossistema integrado, com estimativas de GMV no Brasil crescendo 31% no 4T25 e 21% em 2026, com potencial de alta. A estratégia de frete grátis no Brasil teve o mínimo reduzido para R$19 no ano passado (de R$79), e, historicamente, o frete grátis introduzido em 2017 escalou para mais de 50% do GMV, elevou a conversão em até 1,5x e acelerou o crescimento do GMV no Brasil de cerca de 30% para acima de 50% a/a. Os subsídios de frete atingiram 40%–50% das receitas líquidas em 2017–18 e foram diluídos para cerca de 13% em 2019 com aumento de take rate (acima de 20% no Brasil), expansão do Mercado Pago e escala do Mercado Ads, enquanto a logística saiu de cerca de 45% em 2016 para cerca de 80% em 2020 e hoje suporta aproximadamente 90% do GMV no Brasil. O ecossistema além do marketplace inclui o Mercado Pago com mais de 100 milhões de usuários ativos e mais de US$150 bilhões em volume total de pagamentos anual, além do crédito com carteira acima de US$11 bilhões no 3T25 e melhora de diversificação, e publicidade com crescimento acima de 40% a/a é apontada como principal vetor de margem no médio prazo, com IA generativa podendo melhorar busca, recomendações e conversão.
Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)
- Embraer (EMBJ3); COMPRA; Preço-alvo R$ 107,00
A Embraer divulgou o “backlog” do quarto trimestre, atingindo novo recorde de US$31,6 bilhões, alta de 20% a/a. A companhia também apresentou expansão t/t do “backlog” apesar de entregas fortes no período e da renegociação de contratos do E2 em meio ao Chapter 11 da Azul, que reduziu pedidos firmes para 25 jatos, ante 51 no 3T. O crescimento do backlog reforça a entrada de pedidos no ano passado e o crescimento nas entregas, apoiado por ganhos internos de eficiência em prazos e melhora na cadeia de suprimentos, especialmente em motores. Reiteramos recomendação de compra. No fim de 2025, o backlog foi de US$14,5 bilhões em Aviação Comercial (vs. US$15,2 bilhões no trimestre anterior), US$7,6 bilhões em Aviação Executiva (vs. US$7,3 bilhões), US$4,6 bilhões em Defesa (vs. US$3,9 bilhões) e US$4,9 bilhões em Serviços (estável t/t). Os principais vetores t/t foram Aviação Executiva e Defesa. Na Aviação Executiva, a demanda está resiliente e o “book-to-bill” foi 1,1x, apesar de entregas fortes, levando ao topo da guidance de 2025. No segmento de Defesa, houve reconhecimento de 4 KC-390 para a Suécia, a 6ª unidade para Portugal e 4 A-29 Super Tucano para o Panamá. Esses fatores compensaram a queda t/t em Aviação Comercial, que teve pedidos da TrueNoord, Helvetic e Air Côte d’Ivoire, mas foi impactada pela redução do pedido original da Azul de 51 para 25 E2. A empresa passou a divulgar opções e direitos de compra por segmento, indicando que o “backlog” total incluindo opções é mais próximo de US$50 bilhões, e detalhando, entre outros, 862 unidades em Comercial (459 firmes e 403 opções/direitos) e 83 aeronaves em Defesa (incluindo opções). Também foi assinado um MoU com o Adani Group para cooperar no desenvolvimento de um ecossistema integrado de aeronaves regionais na Índia, cobrindo manufatura, cadeia de suprimentos, mercado de reposição e treinamento, descrito como passo institucional/estratégico sem catalisador imediato de pedidos firmes ou capex, com compromisso de nova linha de montagem condicionado a pedido relevante e capex esperado para ser dividido com parceiro local.
Mineração & Siderurgia (Leonardo Correa / Marcelo Arazi / Bruno Henriques)
- Vale (VALE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 80,00
A Vale divulgou um relatório de produção sólido, em linha com as estimativas em minério de ferro e acima nas de cobre e níquel, com 2% e 3% acima das estimativas, respectivamente. A produção veio acima do topo do guidance em minério de ferro e cobre, com os níveis mais altos em anos, com minério de ferro +3% a/a e cobre +10% a/a. O relatório passou a ser visto como um sinal de leve potencial de alta para a projeção de EBITDA de US$4,5 bilhões no 4T, e as preocupações recentes com excesso de água por chuvas fortes e interrupções temporárias em Fábrica e Viga foram descritas como exageradas. Apesar de a ação ter se valorizado com fluxo de estrangeiros forte para o Ibovespa e algum arrefecimento do preço do minério de ferro, ressaltamos momento operacional sólido e execução, reiteramos a recomendação de compra. Os embarques totais (finos + pelotas + ROM) atingiram 84,9 milhões de toneladas, em linha, alta de 4,5% a/a e em linha t/t. Os embarques de finos foram 73,6 milhões de toneladas, em linha, +5% a/a e -2% t/t, e os de pelotas foram 9,1 milhões de toneladas, -10% a/a, +3% t/t e 7% acima das estimativas, ainda abaixo do ano anterior por ambiente desafiador para produtos de maior qualidade. A produção de minério de ferro em 2025 foi 336 milhões de toneladas, acima do guidance de 335 milhões, e a de pelotas cumpriu os 31 milhões. No Sistema Norte houve queda de 6,5 milhões de toneladas a/a por disponibilidade de ROM em Serra Norte e manutenção na S11D, que ainda assim atingiu recorde de 86 milhões de toneladas em 2025, enquanto o Sistema Sudeste cresceu 4,4 milhões de toneladas a/a com maior disponibilidade em Brucutu e crescimento de Capanema, e o Sistema Sul cresceu 4,6 milhões de toneladas a/a com melhor desempenho em Vargem Grande e no Complexo Paraopeba. O preço realizado dos finos foi US$95,4/t, em linha, +3% a/a e +1% t/t, e o de pelotas foi US$131/t, 3% abaixo das estimativas e -8% a/a. Em cobre, os embarques foram 106,9 mil toneladas, +19% t/t, +8% a/a e 2% acima das estimativas, com produção de 108 mil toneladas (+6% a/a) e preço realizado de US$11.003/t (+12% t/t e +20% a/a), enquanto em níquel os embarques foram 49,6 mil toneladas, +16% t/t, +5% a/a e 3% acima das estimativas, com Onça Puma forte e Sudbury menor por manutenção, e preço realizado de US$15.015/t (-3% t/t e -7% a/a). Em 2025, a Vale superou a guidance de produção de cobre e níquel, com 382 mil toneladas de cobre (+12 mil vs. guidance) e 177 mil toneladas de níquel (+2 mil vs. guidance), ressaltamos vantagem de geração de fluxo de caixa versus pares australianos, valuation de cerca de 4,8x EV/EBITDA vs. 5,5x–7,0x e potencial de yield de dividendos de cerca de 9% em 2026.
Educação (Samuel Alves / Maria Resende / Marcel Zambello)
- Nota Setorial - Educação
Apresentamos a prévia do 4T25 para a temporada de resultados do setor de educação, com expectativa de confirmação do padrão de 2025 de crescimento moderado de receita líquida, margens resilientes e foco em geração de fluxo de caixa e disciplina de balanço patrimonial. A sazonalidade do 4T tende a pesar sobre as receitas e arrecadação de caixa, mas isso não muda o cenário recente do setor. Operacionalmente, os resultados devem seguir beneficiados por melhora de mix, especialmente por medicina e matrículas híbridas, compensando a fraqueza nos formatos tradicionais de cursos online. O controle de custos permanece, refletindo reestruturações e iniciativas de eficiência de trimestres recentes, além de maior disciplina em marketing. Despesas financeiras mais altas, em ambiente de juros ainda elevados, devem pesar no lucro líquido de algumas empresas. Laureate e Ânima foram apontadas como destaques desta temporada. No consolidado, projetou-se receita líquida de cerca de R$7,3 bilhões (+6% a/a) e EBITDA ajustado de aproximadamente R$2,3 bilhões (+4% a/a). As margens devem ficar estáveis a ligeiramente maiores a/a, com efeito consolidado de -40 bps, apoiadas por alavancagem operacional e eficiência, parcialmente compensadas por sazonalidade ou efeitos de “timing”, como no caso da Cogna. O crescimento do lucro líquido deve ser mais modesto do que nos trimestres mais recentes, com +16% a/a, por maiores despesas financeiras líquidas. A dinâmica de caixa deve seguir o padrão sazonal de menor arrecadação no 4T, com melhora do consumo de caixa a/a e expectativa de que a maioria dos nomes continue desalavancando t/t, com exceções ligadas a dividendos ou desembolsos de M&A. Desenvolvimentos regulatórios ligados ao ENAMED e ao novo arcabouço de graduação ficaram em segundo plano, com impacto financeiro direto muito limitado no curto prazo, e a implicação mais imediata foi maior incerteza para a captação de 2026, com menor entrada em cursos 100% online e uma compensação por cursos presenciais e híbridos, mantendo expectativa de yields de caixa atraentes apoiados por diluição de capex e alocação disciplinada.
