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Sacre Investimentos
30 de jan. de 20266 min

Radar Diário Diário de Ações - 30/01/26

Confira os principais acontecimentos das empresas sob nossa cobertura.

Varejo & Consumo (Luiz Guanais / Yan Cesquim / Pedro Lima / Luis Mollo, CFA)

• Nota Setorial - Varejo & Consumo

A taxa de desemprego recuou para 5,2% em novembro, com queda de 20 bps m/m. A confiança do consumidor caiu sequencialmente, mas permaneceu acima do ano passado, com alta de 1,3% a/a. Segundo o índice de varejo da Cielo, vendas reais do setor caíram 1,0% a/a em 2025, marcando o segundo ano consecutivo de contração após queda de 0,8% em 2024. O segmento de serviços recuou 1,9% em termos reais, pressionado por inflação persistente, com maior impacto em bares e restaurantes. Bens duráveis e semiduráveis apresentaram queda mais intensa, de 2,6%. No comércio eletrônico, a participação relativa de mercado da Amazon caiu sequencialmente para 27,6% em dezembro, ainda 270 bps acima no comparativo com o ano passado. A Shopee encerrou o período com 21,8% de participação, avanço de 390 pontos-base a/a, enquanto o Mercado Livre subiu para 33,0%, alta de 90 pontos-base a/a. A inflação de alimentos nos últimos 12 meses desacelerou para 3,0% em dezembro, ante 3,9% em novembro, e a inflação de vestuário caiu para 5,0%, ante 5,7%. Observou-se redução nas posições vendidas em C&A, enquanto houve aumento relevante em Azzas 2154 (AZZA), Lojas Renner, Magazine Luiza e Smart Fit. Apesar de resultados do primeiro semestre de 2025 acima das estimativas, o consumo entrou em fase de desaceleração mais acentuada, com valuations considerados razoáveis a 10x P/L para 2026. A continuidade da valorização das ações depende de queda sustentada dos juros reais de longo prazo ou de revisões positivas de lucro líquido.

Bens de Capital (Lucas Marquiori / Fernanda Recchia / Samuel Alkmin / Marcel Zambello)

• WEG (WEGE3); COMPRA; Preço-alvo R$ 52,00

A ABB divulgou resultados do quarto trimestre acima do consenso, com forte reação positiva das ações, destacando demanda resiliente no segmento Motion nos Estados Unidos. A carteira de pedidos no país cresceu 29% a/a, reforçando sinais de força no mercado de motores elétricos, área com maior sobreposição com a WEG. A GE Vernova também apresentou resultados robustos, com demanda consistente por equipamentos de rede elétrica, beneficiando indiretamente o segmento GTD da companhia. A ABB registrou pedidos totais recordes de US$ 10,3 bilhões, alta de 32% a/a comparável, com crescimento sólido em todos os segmentos. A receita líquida somou US$ 9,1 bilhões, avanço de 9% a/a, resultando em book-to-bill de 1,14x. O EBITA atingiu US$ 1,6 bilhão, crescimento de 14% a/a, com margem de 17,6%, expansão de 1 p.p. a/a. O ROCE alcançou 25%, refletindo alavancagem operacional positiva e compensando pressões de tarifas e custos de insumos. No Motion, os pedidos chegaram a US$ 2,2 bilhões, alta de 13% a/a, sustentados por demanda em ferrovias, HVAC, geração de energia e outros setores industriais. Regionalmente, os Estados Unidos cresceram 29%, Europa 6%, Ásia/Oriente Médio/África 9% e China 14%. A GE Vernova elevou o guidance para 2026 após pedidos de US$ 11,7 bilhões no segmento Power, alta de 77% a/a, além de forte desempenho em eletrificação, com pedidos de US$ 7,4 bilhões e “book-to-bill” de 2,5x. O backlog de eletrificação alcançou US$ 35 bilhões, com expansão de margens e EBITDA de US$ 505 milhões, resultando em margem de 17%. Mesmo com tarifas de 50% sobre importações brasileiras e maior presença produtiva local da ABB nos EUA, a demanda por equipamentos elétricos e de rede permanece forte, sustentando recomendação de compra para WEG apoiada por negociações tarifárias, demanda resiliente e expansão de capacidade de transmissão e distribuição a partir do segundo semestre de 2026.

Petróleo & Gás (Rodrigo Almeida / Gustavo Cunha / Bruno Henriques)

• Nota Setorial - Petroleo & Gás

Sensibilidade ao Brent vs. valorização cambial
Os preços do Brent avançaram aproximadamente 14% no ano, enquanto o real se apreciou cerca de 5% frente ao dólar. A alta do petróleo foi impulsionada por interrupções de oferta e tensões geopolíticas, ao passo que o real se fortaleceu frente ao dólar. Nossos modelos consideram Brent a US$ 62 por barril e câmbio de 5,50 USD/BRL, mas marcações a mercado podem alterar materialmente as estimativas para 2026. Embora as receitas sejam majoritariamente atreladas ao dólar, parte relevante de opex e capex é denominada em reais. Empresas com operações onshore e atividades de distribuição integradas possuem maior exposição a custos em moeda local. Para a Petrobras, o efeito positivo do Brent mais alto tende a ser compensado pelo real mais forte, dado que cerca de 70% do opex e 50% do capex estão em reais. Para a PetroReconcavo, ajustes macro podem gerar impacto negativo relevante nas estimativas. Para a Brava, o efeito líquido das variáveis macro é positivo, com maior EBITDA e fluxo de caixa para o acionista. A PRIO apresenta baixa exposição a custos em reais, destacando-se entre as empresas. No cenário base, o câmbio e o Brent no mercado à vista elevam o yield de fluxo de caixa para o acionista para 19,8%, excluindo aquisições. A companhia permanece como nossa Top Pick do setor, apoiada por maior alavancagem ao Brent, catalisadores operacionais como primeiro óleo de Wahoo, redução de custos em Peregrino, possível política de dividendos no segundo trimestre de 2026 e programa ativo de recompra.


Petroquímicos
O mercado de petroquímicos permanece fraco de forma generalizada, com excesso de oferta persistente e demanda reduzida pressionando preços e spreads, enquanto os preços das matérias-primas seguem voláteis. A visibilidade de uma recuperação cíclica ao longo de 2026 segue limitada, enquanto a Braskem lida com desafios estruturais em seu balanço patrimonial. Uma recuperação mais ampla do setor permanece condicionada à implementação eficaz de iniciativas de redução de custos e a uma melhora sustentada na dinâmica de preços e spreads.

Braskem
A companhia continua operando em ambiente desafiador, com despesas financeiras elevadas e margens petroquímicas comprimidas limitando o desempenho das ações. Em janeiro, os spreads permaneceram majoritariamente estáveis, refletindo demanda fraca em vez de pressão de custos. O spread PE-nafta subiu 4% m/m para US$ 325 por tonelada, apoiado principalmente pela queda no preço da nafta. O spread PP-nafta permaneceu estável em US$ 268 por tonelada diante de atividade de distribuição moderada. O spread PVC-nafta caiu 5% para US$ 141 por tonelada, pressionado por demanda fraca na construção civil. O spread de químicos básicos-nafta recuou 5% m/m para US$ 297 por tonelada devido ao excesso de oferta. Nos Estados Unidos, o spread PP-propileno ficou estável em US$ 318 por tonelada, enquanto PE-etano subiu 4% m/m para US$ 651 por tonelada. A empresa pagou juros de seus títulos híbridos e segue honrando obrigações de curto prazo apesar da pressão financeira. A Petrobras busca indicar o presidente do conselho, sinalizando papel mais ativo na governança. Essa movimentação está associada à preparação de uma reestruturação extrajudicial. As condições atuais mantêm o cenário operacional e financeiro restritivo, com margens fracas e alavancagem elevada limitando a tese de investimento.