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Sacre Investimentos
22 de dez. de 20253 min

Relatório Macro Mensal | Dezembro de 2025

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Da contenção à transição: o fechamento de 2025 e o início do ciclo de flexibilização

As surpresas positivas no PIB do 3T25 foram concentradas no setor extrativo e agropecuário, enquanto o setor de serviços apresentou números abaixo do esperado. O consumo das famílias foi o grande destaque negativo pela ótica da demanda, que mesmo com a renda total impulsionada pelo pagamento de precatórios no trimestre, cresceu apenas 0,1% t/t (a.s.) no 3T25, refletindo o forte aperto nas condições financeiras e o nível recorde de comprometimento da renda com pagamento de juros. Em virtude das surpresas e da revisão altista do PIB no 1S25, nossa projeção para o PIB de 2025 foi revisada para cima, de 2,0% para 2,2%. Para 2026, o cenário segue bastante incerto, mas os diversos programas de estímulo anunciados pelo governo nos levaram a revisar a projeção para o crescimento do PIB de +1,5% para +1,7%.

Nossa projeção para o IPCA de 2025 permanece em 4,3% enquanto a estimativa para 2026 foi revisada de 4,2% para 4,1%. A revisão de 2026 resultou da inclusão de corte no preço da gasolina praticado pela Petrobras – em linha com a queda recente no preço do petróleo. Nosso cenário relativamente benigno — que supõe desaceleração adicional da inflação de serviços — é consistente com um pouso suave da atividade e segue condicionado a risco fiscal administrável e a um câmbio relativamente estável.

Piora cíclica, com ajuste gradual à frente. O déficit em transações correntes (TC) aumentou de 1,2% do PIB (2023) para 3,5% do PIB (12m até out/25) sobretudo por fatores cíclicos (forte demanda interna); na margem, já há sinais de desaceleração. Para 2026, projetamos recuo para 2,7% do PIB com melhora do saldo comercial e moderação de serviços. O maior déficit em TC e o aumento do investimento brasileiro no exterior mais do que compensou a elevação do IDP e dos investimentos estrangeiros para renda fixa, resultando em maior saída líquida de dólares em 2025.

Os dados recentes reforçam o cumprimento da meta fiscal em 2025, com déficit projetado em R$67,5 bilhões (0,5% do PIB). Em retrospectiva, iniciamos o ano céticos quanto ao cumprimento da meta, mas o forte desempenho da arrecadação ligada ao mercado de trabalho, rendimentos financeiros e IOF levou à revisão desse cenário. Já a despesa federal deve terminar o ano em linha com nossa expectativa original. Para 2026, mantemos um déficit de R$57,5 bilhões (0,4% do PIB), compatível com a banda inferior da meta, mas dependente de receitas extraordinárias e empoçamento. A dívida bruta seguirá em alta, atingindo 78,9% do PIB em 2025 e 81,9% em 2026.

Política monetária: retrospectiva 2025 e leitura prospectiva. O Copom elevou a Selic a 15,0% em junho, concluindo um ciclo de aperto de 450 p.b. Em seguida, entrou na fase de manutenção, com política monetária restritiva por período prolongado. Em 2025, a comunicação combinou tom hawkish e transparência, com ênfase na dependência de dados e na explicitação da função de reação, evitando forward guidance explícito. À frente, seguimos vendo condições para iniciar a flexibilização em janeiro de 2026, com um corte inicial de 25 p.b. (calibração, não mudança de regime), e Selic convergindo para 12% ao fim de 2026.

Em anexo, o relatório completo

BTG Pactual Macro Strategy