Relatório Macro Mensal | Fevereiro de 2026
Ver Relatório CompletoImpulsionado por expansão de crédito e crescimento dos salários, consumo se mostra mais forte no final do ano e nos leva a revisar o crescimento do PIB de 2,2% para 2,3% (de +0,0% para +0,1% no 4T25). Instabilidade nos indicadores de inadimplência turvam o cenário de crédito e, consequentemente, a dinâmica do consumo para o início de 2026. Nesse aspecto, o viés para o nosso cenário de curto prazo é de alta para o consumo, motivado por reaceleração no crédito.
Nossas projeções para o IPCA de 2026 e 2027 seguem mantidas em 4,1% e 3,8%, respectivamente. O resultado do IPCA-15 de fevereiro apresentou desvio significativo em relação ao nosso cenário, porém, vai na direção da nossa projeção que está acima do mercado e retira o viés baixista do nosso número. Adiante, os fundamentos apontam para resiliência da inflação de serviços e continuidade do comportamento benigno de bens industriais.
Início de 2026 marcado por forte entrada de dólares para o País. A realocação global de portfólios em favor de emergentes resultou no melhor fluxo financeiro no Brasil para o mês de janeiro desde 2012. O Brasil foi o segundo principal destino EM de investimentos para carteira. O superávit comercial segue em aceleração moderada e projetamos alta para US$75 bilhões em 2026, sustentado por maior produção de commodities, moderação das importações e diversificação de mercados. O déficit em transações correntes encerrou 2025 em 3,0% do PIB e deve recuar para 2,7% em 2026, com financiamento mais do que suficiente via IDP. O real apreciou no início do ano, beneficiado por dólar globalmente mais fraco e retomada de fluxos para emergentes, mas mantemos projeção de R$5,20/US$ no fim de 2026, diante da incerteza fiscal e política no horizonte eleitoral.
O setor público registrou déficit primário de R$55 bilhões em 2025, equivalente a 0,4% do PIB. O governo central respondeu por déficit de R$58,7 bilhões, enquanto os governos regionais apresentaram superávit de R$9,5 bilhões e as estatais, déficit de R$5,9 bilhões. Apesar do resultado negativo, o governo central cumpriu a meta após as exclusões permitidas, beneficiado por arrecadação mais forte, com destaque para tributos ligados ao mercado de trabalho e aos rendimentos financeiros, além da majoração do IOF e de receitas extraordinárias. O déficit nominal ficou em 8,3% do PIB, e a dívida bruta subiu de 76,3% para 78,7% do PIB. Para 2026, projetamos novo cumprimento da meta, mesmo com premissas de receita mais conservadoras do que as do Orçamento. Ainda assim, a dívida deve seguir pressionada, alcançando 81,7% do PIB.
Calibração em curso; início do ciclo em março com corte de 50 pb. Na reunião de janeiro, o Copom sinalizou o início do ciclo de flexibilização em março, e a comunicação subsequente consolidou a leitura de corte inicial de 50 pb. O ambiente externo relativamente mais benigno para emergentes, a desaceleração gradual da atividade doméstica e a trajetória de desinflação – ainda que com serviços resilientes – são compatíveis com o início dos cortes, preservando a política monetária em território restritivo. Projetamos, portanto, corte de 50 pb em março, com manutenção do ritmo gradual nas reuniões subsequentes e Selic convergindo para 12% ao fim de 2026.
Em anexo, o relatório completo
BTG Pactual Macro Strategy
