Relatório Macro Mensal | Janeiro de 2026
Ver Relatório CompletoDesde nosso último relatório, os dados de atividade econômica vieram em linha com nossas projeções, mantendo nossa expectativa de queda de 0,1% t/t (a.s.) do PIB no 4T25 (+1,4% a/a), com o PIB crescendo 2,2% em 2025. O consumo das famílias segue contido no curto prazo, a despeito do forte crescimento da renda, reflexo das condições financeiras muito restritivas e do elevado nível de endividamento. Com o impulso fiscal esperado para 2026, a renda tende a se manter resiliente, podendo gerar desequilíbrios setoriais ainda maiores caso o custo de capital continue pressionado por mais tempo. Nesse sentido, mantemos nossa projeção de crescimento do PIB de 1,7% em 2026, mas vemos riscos crescentes do desempenho ser pior devido ao crescimento acelerado da alavancagem das famílias.
Nossas estimativas para a inflação do IPCA em 2026 e 2027 permanecem em 4,1% e 3,8%, respectivamente. Embora nossa projeção para 2026 tenha permanecido inalterada, a composição piorou. A estimativa para serviços foi elevada, puxada pelos números desfavoráveis de dezembro e por uma atualização das nossas premissas para educação. Isso foi em grande parte compensado por projeções mais baixas para a inflação de alimentos. Vemos riscos altistas crescentes para o cenário de serviços em 2026, em função da resiliência da dinâmica do mercado de trabalho.
Ajuste gradual das contas externas à frente, com alta do superávit comercial para US$ 74 bilhões em 2026, sustentada pela desaceleração das importações, maior produção de commodities e ampliação de mercados. Após forte deterioração do déficit em transações correntes desde 2024, observam-se sinais iniciais de acomodação; projetamos recuo do déficit para 2,7% do PIB em 2026 (vs 3,6% em 2025). Os fluxos financeiros seguem modestos e as saídas de capitais brasileiros aumentaram, enquanto o câmbio permanece ancorado por fatores externos mais favoráveis, levando à manutenção da nossa projeção de R$ 5,20/US$ no fim de 2026.
O governo central deve ter registrado um déficit primário de R$60 bilhões (0,5% do PIB) em 2025, resultado compatível com o cumprimento. Para 2026, estimamos déficit de R$57,5 bilhões (0,4% do PIB). Apesar da elevada dependência de receitas extraordinárias e do empoçamento de despesas, o governo deve alcançar novamente a banda inferior da meta. Por outro lado, o impulso fiscal será maior em 2026, com aceleração das despesas primárias e novas medidas parafiscais. Com resultados primários ainda distantes do necessário para estabilizar a dívida, sua trajetória segue ascendente: projetamos dívida bruta em 79,1% do PIB ao fim de 2025 e 82,1% em 2026.
Janeiro segue como opção adequada para o início do ciclo de cortes. A política monetária permanece claramente contracionista, com desaceleração da atividade e funcionamento dos canais de transmissão. A resiliência dos salários e da inflação de serviços é compatível com a sequência usual de defasagens do mecanismo de transmissão da política monetária. Apesar da reprecificação recente do mercado, entendemos que janeiro permanece adequado para o início da calibragem, dado o caráter prospectivo da política monetária, a ausência de pressões adicionais relevantes de demanda e o fato de que um corte inicial de 25 pb manteria condições monetárias ainda bastante restritivas.
BTG Pactual Macro Strategy
