Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
06 de abr. de 20264 min

Rumo (RAIL3): Ajustes recentes

Ver Relatório Completo
Tivemos a oportunidade de realizar uma reunião com a alta administração da Rumo, incluindo Pedro Palma, Guilherme Machado e Felipe Saraiva. Durante a conversa, discutimos tendências recentes, como os impactos do Oriente Médio, perspectivas de safra e volumes, estratégia comercial e o cenário de capex. 

Ajustes recentes

Feedback da reunião com a alta administração

Tivemos a oportunidade de realizar uma reunião com a alta administração da Rumo, incluindo Pedro Palma, Guilherme Machado e Felipe Saraiva. Durante a conversa, discutimos tendências recentes, como os impactos do Oriente Médio, perspectivas de safra e volumes, estratégia comercial e o cenário de capex. No conjunto, entendemos que a reunião reforça nossa visão de que a maior parte das notícias negativas já ficou para trás, especialmente no que diz respeito ao reposicionamento comercial e às preocupações com capex. No geral, seguimos construtivos com a Rumo, dado o risco limitado de revisões negativas de lucro líquido a partir deste ponto e o valuation atrativo, com múltiplo de 7x EV/EBITDA projetado para 2026. Abaixo destacamos os principais pontos da reunião.

Impactos da guerra no Oriente Médio sobre custos

A administração destacou que a principal preocupação inicial com o conflito era uma possível disrupção nas cadeias de suprimento, especialmente na disponibilidade de diesel. Até o momento, as condições de oferta permanecem normais, e a companhia segue monitorando os desdobramentos. A Rumo opera sob um contrato de fornecimento de cinco anos com a Raízen, com preços de diesel indexados às condições de mercado na refinaria, e não aos preços na bomba. Como resultado, os aumentos de preço têm sido menos pronunciados para a companhia, reforçando a competitividade do transporte ferroviário. Além disso, os contratos de frete ferroviário incluem mecanismos de indexação ao preço do combustível, criando um hedge natural por meio de repasses e protegendo as margens da volatilidade. Em termos estruturais, um ambiente de diesel mais caro tende a favorecer o modal ferroviário, dado seu maior nível de eficiência energética em relação ao transporte rodoviário.

Volumes

No caso das exportações de milho, Irã e Oriente Médio representam entre 35% e 40% das exportações brasileiras, mas apenas cerca de 5% do comércio global, o que permite redirecionamento dos fluxos para outros mercados, se necessário. Neste momento, o conflito não deve gerar disrupções relevantes, e a companhia segue operando em um ambiente relativamente protegido. Além disso, os volumes de soja estão majoritariamente garantidos, sustentados por uma safra forte. Por fim, fertilizantes apresentam alguma pressão de custos, mas sem impacto material de curto prazo sobre resultados ou perspectivas.

Preços e participação de mercado

A administração destacou que a estratégia de preços adotada em 2024 afetou a competitividade, ao posicionar tarifas acima da melhor alternativa disponível. Esse movimento foi corrigido ao longo de 2025 e início de 2026, permitindo à Rumo iniciar o ano com melhor posicionamento competitivo, evidenciado pela recuperação de volumes nos dois primeiros meses de 2026. A companhia segue mirando volumes acima de 90 bilhões de TKU e não identifica gargalos operacionais que impeçam atingir esse patamar. A conclusão do terminal de Campo Verde, após a fase 1 do projeto Lucas do Rio Verde, junto ao STS11, deve atuar como catalisador relevante de volumes.

Comentários sobre a segunda fase do projeto Lucas do Rio Verde

Em relação à segunda fase do projeto Lucas do Rio Verde, a administração destacou melhora relevante na visibilidade de capex, com maior precisão e confiança na execução. Os fundamentos de demanda de longo prazo permanecem intactos, com o Brasil como fornecedor global relevante de commodities agrícolas e a logística ferroviária via Santos como solução eficiente. Ainda assim, a companhia mantém postura cautelosa, dada a natureza cíclica do agronegócio e o risco de frustração de safra ao longo de ciclos de investimento. A gestão reforçou que o balanço patrimonial segue como prioridade, sem compromissos de capital previstos para essa fase neste ano.

Perspectiva de capex para 2026

A companhia indicou que o capex esperado para 2026 deve ficar entre os níveis de 2024 e 2025, entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6,1 bilhões. A alocação inclui aproximadamente R$ 2 bilhões para manutenção, sendo R$ 700 milhões em Malha Sul e Brado, cerca de R$ 1 bilhão para a malha paulista, aproximadamente R$ 1 bilhão para conclusão da fase 1 do projeto Lucas do Rio Verde, cerca de R$ 600 milhões para material rodante, representando aumento relevante em relação aos anos anteriores, e aproximadamente R$ 500 milhões para outras melhorias.

Atualização sobre Malha Oeste e Malha Sul

A devolução da Malha Oeste está prevista para junho, com o processo de desmobilização iniciado em novembro, refletindo a redução gradual das operações. As negociações com o governo seguem em andamento por canais institucionais adequados, com postura construtiva entre as partes e sem litígios até o momento. Em relação à Malha Sul, continuam as discussões sobre possíveis modelos de reestruturação, com avaliação de alternativas que suportem um modelo operacional mais sustentável no longo prazo, equilibrando aspectos de serviço, regulatórios e econômicos.

Ativos Analisados

Logo do ativo RAIL3
RAIL3
Rumo
COMPRA
Alvo: R$ 23.00