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Sacre Investimentos
21 de mai. de 202611 min

S&P 500 | Resultados do 1T26

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Com mais de 92% das companhias do S&P 500 já tendo divulgado seus resultados, a temporada do 1T26 segue apresentando dinâmica operacional sólida e acima dos padrões históricos. 

S&P 500 | Resultados do 1T26

S&P 500 com surpresa positiva de lucro líquido de 17,4% no 1T26 

Com mais de 92% das companhias do S&P 500 já tendo divulgado seus resultados, a temporada do 1T26 segue apresentando dinâmica operacional sólida e acima dos padrões históricos. No consolidado, as empresas reportaram surpresa positiva de lucro líquido de 16,3% em relação às estimativas do consenso, significativamente acima da média histórica de 6,5%. Em relação a receita líquida, a surpresa positiva foi de apenas 2,0%, indicando que a maior parte do crescimento segue sendo impulsionada pela alavancagem operacional e maior participação das empresas de tecnologia e comunicação no lucro líquido consolidado do S&P 500.

Lucro líquido do S&P 500 avança 25% na comparação anual no 1T26

Na comparação anual, o crescimento agregado do lucro líquido do S&P 500 alcançou 27,5% no 1T26, acompanhado por expansão de 11,1% da receita líquida, reforçando um ambiente ainda favorável para ativos de risco, impulsionado pelos elevados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial dos hyperscalers, como Alphabet, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle. 

O 1T26 também marca a sexta temporada consecutiva de crescimento de dois dígitos do lucro líquido do S&P 500, sustentada principalmente pelos setores de tecnologia e comunicação. Vale destacar que esses dois setores representam aproximadamente 48% do valor de mercado do S&P 500 e possuem margens estruturalmente superiores à média do índice, contribuindo para maior alavancagem operacional consolidada.

S&P 500 registra um dos melhores meses de abril da história, impulsionado por tecnologia, apesar dos desafios geopolíticos

Destacamos que o S&P 500 acumula alta de 8,7% no ano, após avançar 10,4% em abril, no quarto melhor desempenho para o mês desde 1928, colocando o período no percentil 98 de todos os retornos mensais históricos do índice. O movimento segue sendo impulsionado principalmente por fundamentos microeconômicos sólidos, com destaque para as revisões positivas de lucro líquido nos setores de tecnologia e energia, apesar de um cenário macro desafiador marcado por maior instabilidade geopolítica, níveis mais elevados do preço do petróleo e reprecificação da fed funds rate pelo mercado nas últimas semanas. 

Temporada de resultados reforça resiliência do consumidor americano

Os resultados das empresas do setor de consumo discricionário foram o principal destaque positivo da temporada no S&P 500, com surpresa positiva de lucro líquido de 40,8%. A performance do setor foi melhor do que o mercado temia, em um contexto de expectativas já reduzidas pelo consenso. 

Sob a ótica macroeconômica, os fundamentos seguem desafiadores, com um mercado de trabalho em dinâmica de “no fire, no hire” e crescimento fraco da renda real. Ainda assim, o consumidor americano continua resiliente, sustentado por uma relação entre patrimônio líquido e renda anual próxima de 8x, perto das máximas históricas, além de baixos níveis de alavancagem das famílias.

Outro destaque positivo do 1T26 foi o setor de comunicação, impulsionado principalmente pela performance da Alphabet, beneficiada por ganhos relacionados a investimentos em empresas não listadas via equivalência patrimonial, além de resultados operacionais sólidos no Google Cloud, que reportou crescimento anual de 63% e backlog robusto de US$ 460 bilhões.

Por outro lado, o principal destaque negativo da temporada ficou para o setor industrial, que apresentou surpresa positiva de lucro líquido de apenas 8,5%, aproximadamente metade da surpresa observada no índice consolidado. O resultado mais fraco contrasta com os níveis de valuation elevados em que o setor negocia, em aproximadamente 25x lucros para 2026, próximo das máximas históricas, implicando que parte relevante das expectativas de crescimento já está precificada pelo mercado.

Lucros, e não expansão de múltiplos, seguem impulsionando o S&P 500

As expectativas de crescimento do S&P 500 seguem sólidas, com o consenso estimando expansão do lucro líquido de 22,0% para 2026 e 14,3% para 2027. O principal destaque é que a performance continua sendo impulsionada pelo crescimento de lucros, e não por expansão de múltiplos, tornando o movimento mais sustentável do ponto de vista de fundamentos.

O cenário de crescimento acelerado contrasta com a expectativa mais moderada de retornos em caixa para os acionistas, com crescimento dos dividendos estimado pelo consenso em apenas 5,5% para 2026, refletindo os elevados níveis de capex das empresas de tecnologia.

Ao analisarmos os hyperscalers (Alphabet, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle), o consenso de mercado estima mais de US$ 750 bilhões em capex para 2026, o que representa crescimento superior a 80% na comparação anual. Em outras palavras, o mercado atravessa um ciclo de investimentos corporativos significativamente elevados, impulsionado principalmente pela temática de inteligência artificial e retornos aos acionistas mais moderados como consequência do elevado capex.

Ainda assim, o nível de alavancagem do S&P 500 seguem reduzido com, em aproximadamente 1,5x dívida líquida/EBITDA. Quando analisamos especificamente as empresas de tecnologia, a alavancagem média dos hyperscalers está em aproximadamente 0,4x dívida líquida/EBITDA, sugerindo espaço relevante nos balanços para continuidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial nos próximos anos.

Tendência Estrutural Positiva — A IA gerando expansão de lucros, não apenas narrativa

O dado mais relevante desta temporada não é o resultado isolado de nenhuma empresa específica, mas sim a consistência com que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial se traduziu em surpresas de LPA ao longo de toda a cadeia produtiva. TSMC e ASML superaram o consenso no segmento de equipamentos e fabricação para IA; Lam Research performou em equipamentos de memória; ServiceNow e SAP entregaram surpresas no software corporativo alimentado por IA; GE Vernova e Baker Hughes superaram expectativas no segmento de infraestrutura elétrica e industrial — que inclui data centers como catalisador de crescimento; e Digital Realty revisou guidance para cima com demanda recorde por contratos de colocação. 

Investment Banking e Trading Surpreendem Positivamente e Sustentam Maior Apetite por Risco

O setor financeiro também apresentou um sinal macroeconômico positivo: as surpresas expressivas dos resultados Goldman Sachs, Morgan Stanley, Citigroup e JPMorgan em investment banking, trading e gestão de ativos indicam que o ciclo de mercados de capitais voltou com força e M&A, ECM e atividade de clientes institucionais estão em recuperação.

As 7 Magníficas: Alphabet e Amazon são os destaques impulsionados por investimentos em empresas não listadas

A temporada das “7 Magníficas” reforçou uma leitura de forte resiliência operacional, com resultados acima do consenso sustentados principalmente pela continuidade do ciclo de investimentos em IA e crescimento resiliente de cloud.

A Alphabet apresentou um dos resultados mais fortes da temporada, impulsionada pela resiliência de Search e pela forte aceleração do Google Cloud (+63,0% a/a), além de efeitos positivos não recorrentes relacionados a participações em empresas não listadas. A Amazon também reforçou a tese estrutural de cloud, com AWS crescendo 28,0% a/a e mantendo trajetória sólida de margens, evidenciando demanda resiliente por infraestrutura computacional e serviços ligados à IA.

A Microsoft também apresentou resultados fortes, com Azure crescendo aproximadamente 40,0% a/a, mas a performance das ações foi fraca devido ao aumento do capex e a redução dos múltiplos de negociação no segmento de software devido aos riscos de disrupção via IA.

Em relação a NVIDIA, os números seguiram muito fortes, com receita de US$ 81,6 bilhões, crescimento de 85,0% a/a e surpresa positiva de aproximadamente 5,6% do LPA versus o consenso, impulsionada principalmente pelo segmento de Data Center. Além do crescimento acelerado, a companhia manteve margem bruta próxima de 75,0% e apresentou guidance acima das expectativas.

Em relação a Apple, destacamos a melhora na capacidade de execução e o melhor mix de receitas (maior participação de serviços), embora a intensidade de investimentos em IA permaneça significativamente inferior à observada entre os hyperscalers, mantendo dúvidas sobre o posicionamento competitivo da companhia nesse novo ciclo tecnológico. 

A Meta Platforms entregou resultados operacionais fortes, mas teve uma performance fraca das suas ações após elevar novamente o guidance de capex para aproximadamente US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões em 2026, praticamente dobrando o nível frente a 2025, reforçando a aceleração dos investimentos em infraestrutura de IA.

Por fim, a Tesla também apresentou lucro líquido e margens acima do esperado, impulsionados principalmente pelos segmentos Automotivo e Energia, embora parte do desempenho tenha sido beneficiada por itens não recorrentes. 

Em geral, a temporada das 7 Magníficas reforçou a percepção de que a IA permanece como principal catalisador do ciclo de investimentos, com o consenso estimando aproximadamente US$ 750 bilhões de capex dos hyperscalers em 2026, implicando crescimento anual acima de 80%.  Nesse contexto, a surpresa positiva de lucro líquido das companhias reforça nossa visão de fundamentos resilientes para o setor de tecnologia e a conversão de capex em receita líquida. Todavia, parte relevante do desempenho tenha sido beneficiada por efeitos não recorrentes (participação em empresas não listadas). Ajustando por esses itens, a qualidade subjacente dos resultados permanece positiva, porém com magnitude inferior ao headline, mas ainda acima das expectativas do mercado.

Abaixo, apresentamos mais detalhes sobre os resultados das “7 Magníficas”.

NVIDIA | NVDC34 / NVDA | Tecnologia

Data Center acelera e reforça liderança estrutural em IA

A receita atingiu US$ 81,6 bilhões, alta de 85,0% a/a, acima do consenso de aproximadamente US$ 78,9 bilhões. O LPA ajustado foi de US$ 1,76, também acima das expectativas. O principal destaque foi Data Center, com receita recorde de US$ 75,2 bilhões, alta de 92,0% a/a, sustentada pela forte demanda por infraestrutura de IA. A margem bruta ficou próxima de 75,0%, reforçando a escala e o poder de precificação da companhia. Para o próximo trimestre, a NVIDIA indicou receita de aproximadamente US$ 91,0 bilhões, acima das estimativas do mercado, enquanto anunciou recompra adicional de US$ 80,0 bilhões e aumento do dividendo trimestral para US$ 0,25 por ação. A leitura segue positiva para crescimento e margens, mas China, competição em chips customizados e sustentabilidade do ciclo de capex em IA continuam como principais pontos de atenção.

Meta Platforms | M1TA34 / META | Comunicação

Meta eleva capex e mantém crescimento forte em IA e publicidade

A receita avançou 33,0%, para US$ 56,31 bilhões, acima das expectativas do mercado. O LPA foi de US$ 10,44, também acima do consenso. A leitura operacional segue positiva pela combinação de crescimento de usuários, monetização de anúncios e maior uso de IA nos produtos. O ponto de atenção é o novo guidance de capex, entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões para 2026, refletindo maior investimento em data centers e infraestrutura de IA.

Microsoft | MSFT34 / MSFT | Tecnologia

Azure acelera e sustenta tese de demanda estrutural por cloud

A receita foi de US$ 82,9 bilhões, acima do consenso de US$ 81,4 bilhões. O LPA ajustado foi de US$ 4,27, também acima das estimativas. O principal destaque foi Azure, com crescimento de 40,0% a/a, acima dos 37,9% esperados pelo mercado. O capex atingiu US$ 31,9 bilhões, reforçando que a demanda por IA continua exigindo expansão relevante de capacidade.

Alphabet | GOGL34 / GOOGL | Comunicação

Cloud e Search reforçam resiliência, com IA como principal catalisador

A receita cresceu 22,0%, para US$ 109,9 bilhões, acima das expectativas de US$ 107,0 bilhões. O LPA foi de US$ 5,11, incluindo ganho relevante com investimentos em equity. O Google Cloud avançou 63,0%, para US$ 20 bilhões, com backlog estimado em US$ 460 bilhões. A leitura é positiva para crescimento, mas o guidance de capex de até US$ 185 bilhões para 2026 mantém o debate sobre retorno dos investimentos em IA.

Amazon | AMZO34 / AMZN | Consumo

AWS reacelera, mas capex e fluxo de caixa seguem no centro da discussão

A receita líquida subiu 17,0%, para US$ 181,5 bilhões, acima do consenso de US$ 177,3 bilhões. O LPA ajustado foi de US$ 2,78, também acima das expectativas. AWS cresceu 28,0%, para US$ 37,6 bilhões, marcando a maior expansão em 15 trimestres. O contraponto foi o capex de US$ 44,2 bilhões no trimestre e o plano de aproximadamente US$ 200 bilhões em 2026, que pressiona a leitura de fluxo de caixa.

Apple | AAPL34 / AAPL | Tecnologia

Resultados superam expectativas, com serviços e iPhone sustentando crescimento

A receita atingiu US$ 111,2 bilhões, acima do consenso de aproximadamente US$ 109,5 bilhões, com crescimento de 17,0% a/a. O LPA foi de US$ 2,01, também acima das estimativas do mercado de US$ 1,95. O lucro líquido somou US$ 29,6 bilhões, com margem bruta próxima de 49,0%. A divisão de Serviços atingiu aproximadamente US$ 31,0 bilhões, enquanto o iPhone gerou cerca de US$ 57,0 bilhões, com forte demanda mesmo com restrições de oferta. O conselho aprovou recompras de US$ 100 bilhões e aumento de dividendo de 4,0%, reforçando a política de retorno aos acionistas. O capex segue inferior aos pares, enquanto P&D cresceu mais de 30,0%, sinalizando aceleração em IA.

Tesla | TSLA34 / TSLA | Consumo

Resultados do 1T26 foram em linha; Capex sobe e reforça investimentos em IA e robotáxis

A companhia reportou receita líquida de US$ 22,4 bilhões, abaixo do consenso de US$ 22,6 bilhões, com LPA diluído GAAP de US$ 0,13 e fluxo de caixa de US$ 1,4 bilhão. O principal destaque foi o aumento do plano de capex para mais de US$ 25 bilhões em 2026, acima da indicação anterior de US$ 20 bilhões, para financiar IA, robótica, chips e a expansão da plataforma de veículos autônomos. As entregas somaram 358 mil veículos, alta de 6,0%, enquanto a administração passou a indicar fluxo de caixa negativo no restante do ano. 

Ativos Analisados

Logo do ativo AAPL34
AAPL34
Apple
Logo do ativo MSFT34
MSFT34
Microsoft
Logo do ativo NVDC34
NVDC34
Nvidia
Logo do ativo GOGL34
GOGL34
Alphabet
M1
M1TA34
Meta Platforms
Logo do ativo AMZO34
AMZO34
Amazon
Logo do ativo TSLA34
TSLA34
Tesla