S&P 500 | Resultados do 1T26
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S&P 500 com surpresa positiva de lucro líquido de 17,4% no 1T26
Com mais de 92% das companhias do S&P 500 já tendo divulgado seus resultados, a temporada do 1T26 segue apresentando dinâmica operacional sólida e acima dos padrões históricos. No consolidado, as empresas reportaram surpresa positiva de lucro líquido de 16,3% em relação às estimativas do consenso, significativamente acima da média histórica de 6,5%. Em relação a receita líquida, a surpresa positiva foi de apenas 2,0%, indicando que a maior parte do crescimento segue sendo impulsionada pela alavancagem operacional e maior participação das empresas de tecnologia e comunicação no lucro líquido consolidado do S&P 500.
Lucro líquido do S&P 500 avança 25% na comparação anual no 1T26
Na comparação anual, o crescimento agregado do lucro líquido do S&P 500 alcançou 27,5% no 1T26, acompanhado por expansão de 11,1% da receita líquida, reforçando um ambiente ainda favorável para ativos de risco, impulsionado pelos elevados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial dos hyperscalers, como Alphabet, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle.
O 1T26 também marca a sexta temporada consecutiva de crescimento de dois dígitos do lucro líquido do S&P 500, sustentada principalmente pelos setores de tecnologia e comunicação. Vale destacar que esses dois setores representam aproximadamente 48% do valor de mercado do S&P 500 e possuem margens estruturalmente superiores à média do índice, contribuindo para maior alavancagem operacional consolidada.
S&P 500 registra um dos melhores meses de abril da história, impulsionado por tecnologia, apesar dos desafios geopolíticos
Destacamos que o S&P 500 acumula alta de 8,7% no ano, após avançar 10,4% em abril, no quarto melhor desempenho para o mês desde 1928, colocando o período no percentil 98 de todos os retornos mensais históricos do índice. O movimento segue sendo impulsionado principalmente por fundamentos microeconômicos sólidos, com destaque para as revisões positivas de lucro líquido nos setores de tecnologia e energia, apesar de um cenário macro desafiador marcado por maior instabilidade geopolítica, níveis mais elevados do preço do petróleo e reprecificação da fed funds rate pelo mercado nas últimas semanas.
Temporada de resultados reforça resiliência do consumidor americano
Os resultados das empresas do setor de consumo discricionário foram o principal destaque positivo da temporada no S&P 500, com surpresa positiva de lucro líquido de 40,8%. A performance do setor foi melhor do que o mercado temia, em um contexto de expectativas já reduzidas pelo consenso.
Sob a ótica macroeconômica, os fundamentos seguem desafiadores, com um mercado de trabalho em dinâmica de “no fire, no hire” e crescimento fraco da renda real. Ainda assim, o consumidor americano continua resiliente, sustentado por uma relação entre patrimônio líquido e renda anual próxima de 8x, perto das máximas históricas, além de baixos níveis de alavancagem das famílias.
Outro destaque positivo do 1T26 foi o setor de comunicação, impulsionado principalmente pela performance da Alphabet, beneficiada por ganhos relacionados a investimentos em empresas não listadas via equivalência patrimonial, além de resultados operacionais sólidos no Google Cloud, que reportou crescimento anual de 63% e backlog robusto de US$ 460 bilhões.
Por outro lado, o principal destaque negativo da temporada ficou para o setor industrial, que apresentou surpresa positiva de lucro líquido de apenas 8,5%, aproximadamente metade da surpresa observada no índice consolidado. O resultado mais fraco contrasta com os níveis de valuation elevados em que o setor negocia, em aproximadamente 25x lucros para 2026, próximo das máximas históricas, implicando que parte relevante das expectativas de crescimento já está precificada pelo mercado.
Lucros, e não expansão de múltiplos, seguem impulsionando o S&P 500
As expectativas de crescimento do S&P 500 seguem sólidas, com o consenso estimando expansão do lucro líquido de 22,0% para 2026 e 14,3% para 2027. O principal destaque é que a performance continua sendo impulsionada pelo crescimento de lucros, e não por expansão de múltiplos, tornando o movimento mais sustentável do ponto de vista de fundamentos.
O cenário de crescimento acelerado contrasta com a expectativa mais moderada de retornos em caixa para os acionistas, com crescimento dos dividendos estimado pelo consenso em apenas 5,5% para 2026, refletindo os elevados níveis de capex das empresas de tecnologia.
Ao analisarmos os hyperscalers (Alphabet, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle), o consenso de mercado estima mais de US$ 750 bilhões em capex para 2026, o que representa crescimento superior a 80% na comparação anual. Em outras palavras, o mercado atravessa um ciclo de investimentos corporativos significativamente elevados, impulsionado principalmente pela temática de inteligência artificial e retornos aos acionistas mais moderados como consequência do elevado capex.
Ainda assim, o nível de alavancagem do S&P 500 seguem reduzido com, em aproximadamente 1,5x dívida líquida/EBITDA. Quando analisamos especificamente as empresas de tecnologia, a alavancagem média dos hyperscalers está em aproximadamente 0,4x dívida líquida/EBITDA, sugerindo espaço relevante nos balanços para continuidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial nos próximos anos.
Tendência Estrutural Positiva — A IA gerando expansão de lucros, não apenas narrativa
O dado mais relevante desta temporada não é o resultado isolado de nenhuma empresa específica, mas sim a consistência com que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial se traduziu em surpresas de LPA ao longo de toda a cadeia produtiva. TSMC e ASML superaram o consenso no segmento de equipamentos e fabricação para IA; Lam Research performou em equipamentos de memória; ServiceNow e SAP entregaram surpresas no software corporativo alimentado por IA; GE Vernova e Baker Hughes superaram expectativas no segmento de infraestrutura elétrica e industrial — que inclui data centers como catalisador de crescimento; e Digital Realty revisou guidance para cima com demanda recorde por contratos de colocação.
Investment Banking e Trading Surpreendem Positivamente e Sustentam Maior Apetite por Risco
O setor financeiro também apresentou um sinal macroeconômico positivo: as surpresas expressivas dos resultados Goldman Sachs, Morgan Stanley, Citigroup e JPMorgan em investment banking, trading e gestão de ativos indicam que o ciclo de mercados de capitais voltou com força e M&A, ECM e atividade de clientes institucionais estão em recuperação.
As 7 Magníficas: Alphabet e Amazon são os destaques impulsionados por investimentos em empresas não listadas
A temporada das “7 Magníficas” reforçou uma leitura de forte resiliência operacional, com resultados acima do consenso sustentados principalmente pela continuidade do ciclo de investimentos em IA e crescimento resiliente de cloud.
A Alphabet apresentou um dos resultados mais fortes da temporada, impulsionada pela resiliência de Search e pela forte aceleração do Google Cloud (+63,0% a/a), além de efeitos positivos não recorrentes relacionados a participações em empresas não listadas. A Amazon também reforçou a tese estrutural de cloud, com AWS crescendo 28,0% a/a e mantendo trajetória sólida de margens, evidenciando demanda resiliente por infraestrutura computacional e serviços ligados à IA.
A Microsoft também apresentou resultados fortes, com Azure crescendo aproximadamente 40,0% a/a, mas a performance das ações foi fraca devido ao aumento do capex e a redução dos múltiplos de negociação no segmento de software devido aos riscos de disrupção via IA.
Em relação a NVIDIA, os números seguiram muito fortes, com receita de US$ 81,6 bilhões, crescimento de 85,0% a/a e surpresa positiva de aproximadamente 5,6% do LPA versus o consenso, impulsionada principalmente pelo segmento de Data Center. Além do crescimento acelerado, a companhia manteve margem bruta próxima de 75,0% e apresentou guidance acima das expectativas.
Em relação a Apple, destacamos a melhora na capacidade de execução e o melhor mix de receitas (maior participação de serviços), embora a intensidade de investimentos em IA permaneça significativamente inferior à observada entre os hyperscalers, mantendo dúvidas sobre o posicionamento competitivo da companhia nesse novo ciclo tecnológico.
A Meta Platforms entregou resultados operacionais fortes, mas teve uma performance fraca das suas ações após elevar novamente o guidance de capex para aproximadamente US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões em 2026, praticamente dobrando o nível frente a 2025, reforçando a aceleração dos investimentos em infraestrutura de IA.
Por fim, a Tesla também apresentou lucro líquido e margens acima do esperado, impulsionados principalmente pelos segmentos Automotivo e Energia, embora parte do desempenho tenha sido beneficiada por itens não recorrentes.
Em geral, a temporada das 7 Magníficas reforçou a percepção de que a IA permanece como principal catalisador do ciclo de investimentos, com o consenso estimando aproximadamente US$ 750 bilhões de capex dos hyperscalers em 2026, implicando crescimento anual acima de 80%. Nesse contexto, a surpresa positiva de lucro líquido das companhias reforça nossa visão de fundamentos resilientes para o setor de tecnologia e a conversão de capex em receita líquida. Todavia, parte relevante do desempenho tenha sido beneficiada por efeitos não recorrentes (participação em empresas não listadas). Ajustando por esses itens, a qualidade subjacente dos resultados permanece positiva, porém com magnitude inferior ao headline, mas ainda acima das expectativas do mercado.
Abaixo, apresentamos mais detalhes sobre os resultados das “7 Magníficas”.
NVIDIA | NVDC34 / NVDA | Tecnologia
Data Center acelera e reforça liderança estrutural em IA
A receita atingiu US$ 81,6 bilhões, alta de 85,0% a/a, acima do consenso de aproximadamente US$ 78,9 bilhões. O LPA ajustado foi de US$ 1,76, também acima das expectativas. O principal destaque foi Data Center, com receita recorde de US$ 75,2 bilhões, alta de 92,0% a/a, sustentada pela forte demanda por infraestrutura de IA. A margem bruta ficou próxima de 75,0%, reforçando a escala e o poder de precificação da companhia. Para o próximo trimestre, a NVIDIA indicou receita de aproximadamente US$ 91,0 bilhões, acima das estimativas do mercado, enquanto anunciou recompra adicional de US$ 80,0 bilhões e aumento do dividendo trimestral para US$ 0,25 por ação. A leitura segue positiva para crescimento e margens, mas China, competição em chips customizados e sustentabilidade do ciclo de capex em IA continuam como principais pontos de atenção.
Meta Platforms | M1TA34 / META | Comunicação
Meta eleva capex e mantém crescimento forte em IA e publicidade
A receita avançou 33,0%, para US$ 56,31 bilhões, acima das expectativas do mercado. O LPA foi de US$ 10,44, também acima do consenso. A leitura operacional segue positiva pela combinação de crescimento de usuários, monetização de anúncios e maior uso de IA nos produtos. O ponto de atenção é o novo guidance de capex, entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões para 2026, refletindo maior investimento em data centers e infraestrutura de IA.
Microsoft | MSFT34 / MSFT | Tecnologia
Azure acelera e sustenta tese de demanda estrutural por cloud
A receita foi de US$ 82,9 bilhões, acima do consenso de US$ 81,4 bilhões. O LPA ajustado foi de US$ 4,27, também acima das estimativas. O principal destaque foi Azure, com crescimento de 40,0% a/a, acima dos 37,9% esperados pelo mercado. O capex atingiu US$ 31,9 bilhões, reforçando que a demanda por IA continua exigindo expansão relevante de capacidade.
Alphabet | GOGL34 / GOOGL | Comunicação
Cloud e Search reforçam resiliência, com IA como principal catalisador
A receita cresceu 22,0%, para US$ 109,9 bilhões, acima das expectativas de US$ 107,0 bilhões. O LPA foi de US$ 5,11, incluindo ganho relevante com investimentos em equity. O Google Cloud avançou 63,0%, para US$ 20 bilhões, com backlog estimado em US$ 460 bilhões. A leitura é positiva para crescimento, mas o guidance de capex de até US$ 185 bilhões para 2026 mantém o debate sobre retorno dos investimentos em IA.
Amazon | AMZO34 / AMZN | Consumo
AWS reacelera, mas capex e fluxo de caixa seguem no centro da discussão
A receita líquida subiu 17,0%, para US$ 181,5 bilhões, acima do consenso de US$ 177,3 bilhões. O LPA ajustado foi de US$ 2,78, também acima das expectativas. AWS cresceu 28,0%, para US$ 37,6 bilhões, marcando a maior expansão em 15 trimestres. O contraponto foi o capex de US$ 44,2 bilhões no trimestre e o plano de aproximadamente US$ 200 bilhões em 2026, que pressiona a leitura de fluxo de caixa.
Apple | AAPL34 / AAPL | Tecnologia
Resultados superam expectativas, com serviços e iPhone sustentando crescimento
A receita atingiu US$ 111,2 bilhões, acima do consenso de aproximadamente US$ 109,5 bilhões, com crescimento de 17,0% a/a. O LPA foi de US$ 2,01, também acima das estimativas do mercado de US$ 1,95. O lucro líquido somou US$ 29,6 bilhões, com margem bruta próxima de 49,0%. A divisão de Serviços atingiu aproximadamente US$ 31,0 bilhões, enquanto o iPhone gerou cerca de US$ 57,0 bilhões, com forte demanda mesmo com restrições de oferta. O conselho aprovou recompras de US$ 100 bilhões e aumento de dividendo de 4,0%, reforçando a política de retorno aos acionistas. O capex segue inferior aos pares, enquanto P&D cresceu mais de 30,0%, sinalizando aceleração em IA.
Tesla | TSLA34 / TSLA | Consumo
Resultados do 1T26 foram em linha; Capex sobe e reforça investimentos em IA e robotáxis
A companhia reportou receita líquida de US$ 22,4 bilhões, abaixo do consenso de US$ 22,6 bilhões, com LPA diluído GAAP de US$ 0,13 e fluxo de caixa de US$ 1,4 bilhão. O principal destaque foi o aumento do plano de capex para mais de US$ 25 bilhões em 2026, acima da indicação anterior de US$ 20 bilhões, para financiar IA, robótica, chips e a expansão da plataforma de veículos autônomos. As entregas somaram 358 mil veículos, alta de 6,0%, enquanto a administração passou a indicar fluxo de caixa negativo no restante do ano.
