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Sacre Investimentos
20 de jul. de 202612 min

Setor Financeiro: Reuniões no Rio de Janeiro com Investidores

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Realizamos mais uma edição da nossa conferência no Rio de Janeiro, que teve início com o presidente do Conselho do BTG Pactual, André Esteves, compartilhando suas visões mais recentes sobre o cenário global, macroeconômico e político, além de uma atualização sobre a estratégia e as perspectivas do BTG. 

Reuniões no Rio de Janeiro com Investidores

Itaú, XP, BTG, B3 e Nubank participaram do evento 

Realizamos mais uma edição da nossa conferência no Rio de Janeiro, que teve início com o presidente do Conselho do BTG Pactual, André Esteves, compartilhando suas visões mais recentes sobre o cenário global, macroeconômico e político, além de uma atualização sobre a estratégia e as perspectivas do BTG. O evento também contou com discussões com Itaú, XP, B3 e Nubank. O Itaú comentou que, apesar das expectativas de uma possível pressão sobre a qualidade dos ativos no setor, o banco está bem-preparado para enfrentá-la. A XP disse que atingir um crescimento de receita de dois dígitos este ano dependerá, em grande parte, de uma recuperação das receitas de Investment Banking no segundo semestre de 2026. Esteves reforçou as substanciais oportunidades de crescimento do BTG não apenas no Brasil, mas também em toda a América Latina e nos mercados globais. A B3 destacou que a modernização tecnológica continua central para sua estratégia, enquanto não se espera uma mudança estratégica significativa sob o novo CEO, Chris Egan, que assumiu apenas na semana passada. Por fim, o Nubank espera que a margem financeira ajustado ao risco melhore no 2T à medida que as pressões sazonais diminuem, e reiterou que não está implementando nenhuma desaceleração intencional de crédito. A seguir, compartilhamos mais detalhes sobre o que acreditamos terem sido as principais mensagens do evento. 

Itaú: Um cenário desafiador, mas sem uma crise de crédito semelhante a 2015-16

O RI do Itaú, Gustavo Rodrigues, reconheceu que 2026 tem se mostrado desafiador, mas afirmou que o banco tem conseguido atravessar bem o cenário. Embora já seja possível observar sinais de deterioração na qualidade dos ativos do setor, o Itaú não espera um cenário tão severo quanto o de 2015-16. O ciclo atual parece materialmente diferente: o desemprego permanece baixo, a inflação está sob controle e o sistema financeiro é menos dependente de bancos públicos. Portanto, o cenário-base do Itaú continua sendo alguma deterioração no ciclo de crédito do setor, em vez de um choque abrupto, embora o próprio Itaú esteja bem-posicionado para o que possa ocorrer. A qualidade dos ativos do banco continua a performar amplamente em linha com as expectativas. A demanda por crédito permanece mais fraca no atacado, enquanto as PMEs vêm performando melhor, parcialmente apoiadas por programas governamentais, e o crescimento do varejo continua sendo impulsionado por crédito imobiliário e consignado privado.

Itaú: Serviços mais fracos e alíquota efetiva menor; o 4T deve ser o trimestre mais forte

A linha de receita de serviços permanece sob pressão, refletindo tanto a fraca atividade de investment banking quanto a compressão estrutural de serviços, e a administração acredita que os investidores devem olhar mais para número inferior do guidance de 2026. O 2T deve incluir praticamente nenhum reconhecimento de taxa de performance, enquanto as tarifas de conta corrente devem continuar a cair. A alíquota efetiva de imposto, no entanto, deve ser menor do que inicialmente esperado, apoiada por um maior uso de Juros sobre Capital Próprio (JCP) em meio a um ambiente de juros mais altos. A margem financeira com o mercado está caminhando próximo ao ponto médio do guidance, embora atingir esse patamar continue sendo desafiador, enquanto o crescimento da margem financeira de clientes deve se concentrar mais no fim do ano, devido a uma concentração de operações estruturais no 4T. O último trimestre também deve apresentar o menor crescimento de despesas a/a do ano, criando um bom carrego de custos para 2027. Para o ano completo, as despesas devem convergir gradualmente para o ponto médio do guidance, à medida que o Itaú equilibra ganhos de eficiência com investimentos contínuos em tecnologia.

XP: O banking é uma evolução da estratégia, não uma mudança abrupta

O RI da XP, Antonio Guimarães, explicou que a expansão para o banking é uma estratégia de longo prazo que começou com a obtenção da licença bancária em 2019 e ganhou tração após a chegada de José Berenguer em 2020. Guimarães enfatizou que se trata de uma evolução gradual, e não de uma mudança estratégica repentina, e concordou com os pontos levantados sobre como isso pode apoiar e fortalecer o negócio de investimentos, conforme destacado em nosso último relatório. Nos últimos anos, a companhia trouxe ex-executivos do Bradesco, Santander, BV e Banco Pan para seu conselho de administração, ao mesmo tempo em que construiu um balanço patrimonial de atacado mais robusto e direcionou incentivos para métricas como ROE, em vez de EBITDA. O banking de atacado, no entanto, não deve se tornar o negócio central da XP, e a recente mudança de CFO representa a continuidade de um plano já em execução. À medida que o atacado cresce, os ativos ponderados pelo risco devem aumentar, e o payout estrutural dependerá, em última instância, do mix entre negócios. No curto prazo, a XP permanece bem capitalizada, e a administração não vê motivo relevante para que dividendos e recompras de ações caiam materialmente em 2026 ou 2027.

XP: Espera-se um crescimento dos resultados no final no 2T, e o investment banking pode melhorar no segundo semestre de 2026

Guimarães indicou que os resultados do 2T devem melhorar sequencialmente, já que os efeitos de marcação a mercado devem ser menos negativos, embora esse benefício deva ser parcialmente compensado por receitas mais fracas de investment banking, amplamente em linha com as tendências de mercado. Excluindo esses dois efeitos, a administração acredita que a companhia estaria no caminho para entregar crescimento de receita de dois dígitos em 2026. Atingir essa meta para o ano ainda é possível, especialmente considerando uma melhora na atividade de investment banking no segundo semestre de 2026. O índice de eficiência deve permanecer amplamente estável em relação ao ano passado, implicando reinvestimento contínuo da alavancagem operacional, embora os custos possam ser ajustados caso o crescimento de receita permaneça mais fraco do que inicialmente esperado. A queda no revenue yield é explicada principalmente pelo ambiente de aversão a risco e por um mix mais forte de produtos de renda fixa com menor take-rate, enquanto a XP continua aumentando sua penetração em assessoria baseada em serviços no contexto de um modelo de atendimento aprimorado. A assessoria baseada em serviços já representa cerca de 25% do AuC, e a XP continua a ver isso como a direção correta para o setor, com os assessores de investimento se tornando gradualmente planejadores financeiros mais completos.

BTG: "Mais do mesmo, de um jeito um pouco diferente"

O presidente do Conselho, André Esteves descreveu a estratégia do BTG daqui para frente como "mais do mesmo, de um jeito um pouco diferente". O banco deve continuar se apoiando nos negócios e na cultura de sociedade (partnership) que vêm gerando retornos consistentemente fortes, mas as operações internacionais e o banking de varejo devem se tornar cada vez mais relevantes. Diversas franquias ainda oferecem espaço substancial para expansão: as receitas bancárias do BTG permanecem bem abaixo das dos maiores bancos no primeiro semestre; e o banco continua a aprofundar sua presença em toda a América Latina, onde os negócios bancários historicamente geraram retornos atrativos. O BTG também está se expandindo nos EUA, inicialmente com foco em oferecer uma linha completa de produtos para a população latina, e na Europa, principalmente por meio de wealth management. A ambição mais ampla é oferecer produtos globais para clientes latino-americanos e oportunidades latino-americanas para investidores globais. As exigências para grandes M&As permanece muito alta, particularmente para transações que introduzem risco de balanço, já que o BTG não precisa de uma aquisição transformacional para manter sua trajetória de crescimento atual. Esteves também destacou a estrutura de sociedade (partnership) distintiva do BTG - única entre os 200 maiores bancos do mundo.

BTG: ROE sustentável de ~25% apesar do cenário macro 

O CFO Renato Cohn reiterou a expectativa do BTG de entregar um ROE sustentável de cerca de 25%, apoiado pela maior escala e diversificação do banco. Embora o cenário macro tenha mudado e a Selic média deva ficar mais próxima de 14% do que os 12,5% inicialmente esperados, a administração não antecipa um impacto relevante sobre a rentabilidade. O crédito continua sendo uma das oportunidades de crescimento mais claras, com o BTG ainda muito menor do que os bancos incumbentes em todos os principais segmentos de crédito, incluindo sua maior franquia, grandes empresas, deixando espaço para mais uma década de forte crescimento. O segmento de special situations devem continuar relevantes e altamente rentáveis, enquanto a capacidade de crédito internacional se expandiu materialmente após o desenvolvimento de plataformas bancárias no Chile, Colômbia, Luxemburgo e EUA. As PMEs também vêm performando bem, com uma operação desenvolvida internamente e já rentável, que continua a crescer apesar de ainda não contar com produtos como adquirência e crédito não garantido. O crédito consignado privado está crescendo mais rápido do que inicialmente esperado tanto no Banco Pan quanto no Meu Tudo, com inadimplência abaixo das expectativas. Cohn descreveu o BTG como, na prática, sete bancos complementares operando sob uma única plataforma, e destacou sua estrutura de sociedade (partnership).

B3: Expansão de produtos e atualização sobre o ambiente competitivo

O CFO André Milanez disse que a B3 continua a endereçar a migração de capital brasileiro para investimentos internacionais, ampliando a gama de ativos globais disponíveis localmente e fortalecendo as conexões com investidores internacionais e infraestruturas de mercado. Os BDRs continuam sendo um componente importante dessa estratégia, com o recente BDR da SpaceX ilustrando como os investidores brasileiros podem acessar oportunidades globais relevantes sem transferir seus investimentos para o exterior. A B3 também vem buscando parcerias com players internacionais para atrair investidores estrangeiros ao mercado doméstico e continua a fazer benchmark do seu roadmap de produtos com as principais bolsas globais. A administração acredita que listagens no exterior continuam relevantes para um grupo limitado de companhias, mas a premissa de que emissores brasileiros necessariamente obtêm melhor liquidez e valuation no exterior não tem se mostrado consistentemente verdadeira. Ao longo do tempo, a B3 vem trabalhando para reduzir as diferenças regulatórias e estruturais entre listar localmente e no exterior, tornando o mercado doméstico o ambiente mais natural para a maioria das companhias brasileiras. Em aluguel de ações, a liquidez melhorou, mas ainda há espaço para aprofundamento, e uma possível mudança regulatória do Banco Central poderia liberar ações adicionais de propriedade estrangeira para aluguel. A dinâmica competitiva permanece amplamente inalterada, com a administração não observando uma aceleração relevante nos testes conduzidos por potenciais entrantes locais.

B3: Sem mudança relevante de estratégia sob o novo CEO

A modernização tecnológica continua central para a estratégia da B3, já que a companhia precisa gerenciar uma grande infraestrutura legada que concorrentes mais novos não possuem - um desafio similar ao enfrentado pelos bancos incumbentes. Atualizar esses sistemas é essencial tanto para preservar a competitividade quanto para melhorar a experiência do cliente. Recebíveis eletrônicos representam outra oportunidade de crescimento relevante: a fase de produção assistida começou com um número limitado de clientes e emissores, e a B3 espera que o mercado se desenvolva gradualmente junto com a Nuclea e a CERC. Em relação a questões regulatórias, a recomendação negativa do CADE na disputa com a CSD BR não foi uma surpresa, já que as alegações envolvendo exclusividade e interoperabilidade já haviam sido discutidas ao longo do processo. A administração espera que a próxima etapa envolva negociações sobre um possível acordo, possivelmente incluindo ajustes na tabela de preços, com uma resolução que deve levar de seis a doze meses. As contingências tributárias caíram de cerca de R$15 bilhões para próximo de R$4 bilhões após decisões favoráveis do CARF, enquanto a reforma tributária não deve ter um impacto direto relevante, apesar de sua transição longa e complexa. Embora o novo CEO, Chris Egan, tenha assumido o cargo apenas na semana passada, Milanez já teve diversas conversas com ele e não espera uma mudança estratégica significativa. Dito isso, a chegada de alguém com experiências e perspectivas diferentes pode proporcionar um reforço estratégico positivo.

Nubank: Margem financeira ajustada ao risco deve se recuperar; Desenrola é positivo 

O RI Artur Vieira disse que a margem financeira ajustado ao risco deve retornar gradualmente aos níveis do 2S25 ao longo dos próximos trimestres, já que o 1T foi afetado pela sazonalidade, pelo rápido crescimento da carteira, por um mix maior de empréstimo pessoal e por uma expansão intencional para produtos de maior risco, particularmente cartões de crédito. A administração permanece confortável tanto com o crescimento da carteira quanto com as tendências de qualidade dos ativos, e reiterou que o Nubank não está atualmente implementando nenhuma desaceleração deliberada de crédito. Em relação ao Brasil, os indicadores de inadimplência têm, até o momento, se desenvolvido em linha com as expectativas, sem nada materialmente diferente do cenário-base da companhia. O Desenrola deve ser positivo em termos líquidos para o Nubank: para empréstimos renegociados classificados como Estágio 3, o banco reverte a provisão associada a 100% da dívida original, reconhece a perda referente ao desconto concedido ao cliente e provisiona parte do novo empréstimo, em um nível de cobertura menor devido à garantia do FGO. O efeito líquido desses lançamentos é positivo, enquanto as provisões devem cair. Empréstimos previamente baixados a prejuízo (write-off) também devem gerar uma receita positiva. Na DRE gerencial, esses efeitos são incluídos no custo de risco, enquanto na demonstração contábil parte do impacto é registrada em outras receitas e afeta a comparabilidade da margem financeira.

Nubank: Índice de eficiência deve subir; operação no México agora pode focar em execução

O Nubank manteve seu guidance de índice de eficiência de 20% para 2026 e permanece confiante de que novos ganhos de eficiência devem surgir a partir de 2027. Isso já implica que o índice de eficiência do 2T deve aumentar, particularmente considerando a sazonalidade do 2T em compensação baseada em ações e os investimentos contínuos em expansão internacional, retorno ao escritório e IA. A meta já incorpora maiores gastos com tokens de IA e infraestrutura computacional, enquanto os ganhos de produtividade começam a aparecer nas equipes de engenharia. No México, receber a autorização para operar como banco deve aumentar os limites de transação, ampliar a proteção de depósitos, permitir que os clientes recebam salários diretamente e possibilitar que o Nubank ofereça produtos para empresas. Mais importante, a administração acredita que a equipe local agora pode dedicar seu tempo integral a operar e desenvolver o negócio, ao passo que anteriormente dedicava uma quantidade significativa de tempo a questões regulatórias. Grande parte da infraestrutura bancária necessária já havia sido preparada antes da autorização.

Ativos Analisados

Logo do ativo ITUB4
ITUB4
Itaú Unibanco
COMPRA
Alvo: R$ 52.00
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B3SA3
B3
NEUTRO
Alvo: R$ 20.00
Logo do ativo ROXO34
ROXO34
Nubank
COMPRA
Alvo: R$ 20.00
Logo do ativo XPBR31
XPBR31
XP Inc.
COMPRA
Alvo: R$ 120.00