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Sacre Investimentos
16 de set. de 20266 min

Varejo & Consumo: Melhor geração de caixa, mesma cautela

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O varejo brasileiro continua sendo um dos setores mais sensíveis ao cenário macroeconômico, com o consumo fortemente ligado às taxas de juros, disponibilidade de crédito e renda disponível. Com os juros ainda elevados, os riscos inflacionários voltando ao debate e as eleições se aproximando (trazendo mais ruído político), o desafio não é apenas sustentar o crescimento, mas também converter lucro líquido em caixa ao longo do ciclo. Neste relatório, revisitamos o perfil de geração de caixa das empresas mais líquidas sob nossa cobertura (utilizando números dos últimos 12 meses do segundo trimestre de 2026), analisando fluxo de caixa operacional, fluxo de caixa para a firma, fluxo de caixa para o acionista, cobertura de juros, capital de giro e retornos em caixa. A principal conclusão é que a geração de caixa melhorou sequencialmente nos últimos 12 meses até o segundo trimestre de 2026, mas o ambiente continua desafiador. A conversão de fluxo de caixa operacional aumentou para 75% (ante 74% nos últimos 12 meses do primeiro trimestre de 2026), o fluxo de caixa para a firma/EBITDA subiu para 35% (ante 34%) e a cobertura de juros pelo fluxo de caixa operacional melhorou para 2,4x (ante 2,1x), mas os três indicadores continuam abaixo dos níveis observados um ano antes (79% de conversão de fluxo de caixa operacional, 38% de conversão de EBITDA e 3,1x de cobertura de juros pelo fluxo de caixa operacional).

Monitorando a geração de caixa; melhora sequencial

O varejo brasileiro continua sendo um dos setores mais sensíveis ao cenário macroeconômico, com o consumo fortemente ligado às taxas de juros, disponibilidade de crédito e renda disponível. Com os juros ainda elevados, os riscos inflacionários voltando ao debate e as eleições se aproximando (trazendo mais ruído político), o desafio não é apenas sustentar o crescimento, mas também converter lucro líquido em caixa ao longo do ciclo. Neste relatório, revisitamos o perfil de geração de caixa das empresas mais líquidas sob nossa cobertura (utilizando números dos últimos 12 meses do segundo trimestre de 2026), analisando fluxo de caixa operacional, fluxo de caixa para a firma, fluxo de caixa para o acionista, cobertura de juros, capital de giro e retornos em caixa. A principal conclusão é que a geração de caixa melhorou sequencialmente nos últimos 12 meses até o segundo trimestre de 2026, mas o ambiente continua desafiador. A conversão de fluxo de caixa operacional aumentou para 75% (ante 74% nos últimos 12 meses do primeiro trimestre de 2026), o fluxo de caixa para a firma/EBITDA subiu para 35% (ante 34%) e a cobertura de juros pelo fluxo de caixa operacional melhorou para 2,4x (ante 2,1x), mas os três indicadores continuam abaixo dos níveis observados um ano antes (79% de conversão de fluxo de caixa operacional, 38% de conversão de EBITDA e 3,1x de cobertura de juros pelo fluxo de caixa operacional).

Uma recuperação parcial do caixa

Os últimos 12 meses até o segundo trimestre de 2026 mostraram uma recuperação sequencial da conversão de caixa, mas não uma normalização. O EBITDA agregado cresceu aproximadamente 1% t/t, enquanto o fluxo de caixa operacional aumentou aproximadamente 2,5%, elevando a conversão de fluxo de caixa operacional/EBITDA para 75% (ante 74% nos últimos 12 meses do primeiro trimestre de 2026), embora ainda abaixo dos 78% observados ao final de 2025 e dos 79% dos últimos 12 meses até o segundo trimestre de 2025. A conversão de fluxo de caixa para a firma seguiu a mesma direção, melhorando para 35% (ante 34% sequencialmente), mas ainda abaixo dos aproximadamente 38% registrados tanto ao final de 2025 quanto um ano antes. Importante destacar que a melhora veio mais da geração operacional de caixa do que de menores investimentos, com o capex permanecendo amplamente estável em aproximadamente 3,5% da receita líquida. A cobertura de juros também melhorou sequencialmente, com o fluxo de caixa operacional/juros subindo para 2,4x (ante 2,1x nos últimos 12 meses do primeiro trimestre de 2026), voltando aproximadamente aos níveis observados ao final de 2025, embora ainda abaixo dos 3,1x registrados um ano antes (os pagamentos de juros em caixa continuam materialmente mais altos a/a).

A qualidade da geração de caixa continua bastante desigual

A Lojas Renner, Assaí e Raia Drogasil continuam aparecendo como algumas das melhores histórias de geração de caixa, combinando escala com perfis mais saudáveis de capital de giro e investimentos. A Lojas Renner continua sendo uma das empresas mais fortes e consistentes, com conversão de fluxo de caixa operacional de 98% e conversão de fluxo de caixa para a firma de 61%. O Assaí apresentou melhora relevante (fluxo de caixa operacional/EBITDA de 74%, ante 65% nos últimos 12 meses do primeiro trimestre de 2026; fluxo de caixa para a firma/EBITDA de 61%, ante 48%), enquanto a Raia Drogasil avançou para 67% e 30%, respectivamente (ante 55% e 17%). A Azzas apresentou os indicadores mais fortes em termos absolutos (126% de conversão de fluxo de caixa operacional e 101% de conversão de fluxo de caixa para a firma), embora beneficiados por liberação de capital de giro. A Vivara permaneceu sólida (75% de conversão de fluxo de caixa operacional; 64% de conversão de fluxo de caixa para a firma), com um perfil de geração de caixa mais saudável do que no passado. A C&A continuou sendo uma forte geradora de caixa (94% de conversão de fluxo de caixa operacional; 41% de conversão de fluxo de caixa para a firma), enquanto a Pague Menos apresentou melhora relevante (58% e 25%, ante 47% e 17%), apesar da pressão temporária sobre estoques decorrente do novo centro de distribuição da Paraíba. No outro extremo, o Grupo SBF continua pressionado, com a geração operacional de caixa dos últimos 12 meses passando a ser levemente negativa e a conversão de fluxo de caixa para a firma em -66%, refletindo um exigente ciclo de capital de giro relacionado à Copa do Mundo (vendas concentradas em maio e junho aumentaram os recebíveis) e maiores investimentos. A Smart Fit permanece como uma empresa de elevada conversão de fluxo de caixa operacional (87%), mas seu capex estruturalmente elevado continua mantendo o fluxo de caixa para a firma em território negativo (-12%).

Qualidade como proteção

Em um cenário macroeconômico ainda incerto, acreditamos que a qualidade deve continuar sendo o principal critério de seleção de ações. O risco de um novo ciclo inflacionário, combinado com uma política monetária ainda restritiva, sugere um ambiente desafiador para o varejo brasileiro. Nesse contexto, acreditamos que os planos acelerados de investimento (expansão e esforços de infraestrutura) devem continuar em segundo plano, enquanto as companhias provavelmente seguirão buscando mecanismos para otimizar seus ciclos de caixa. Naturalmente, empresas expostas a margens estruturalmente menores em um ambiente de crescimento mais fraco (e, portanto, sob maior pressão para sustentar a alavancagem operacional) tendem a enfrentar maiores dificuldades para navegar o cenário atual. Em resumo, o ambiente reforça uma postura cautelosa, enquanto os riscos positivos dependem principalmente de duas variáveis: (i) a perspectiva de queda dos juros reais (e seus impactos sobre crédito, endividamento das famílias e aversão ao risco dos investidores); e (ii) a sustentabilidade do momento de resultados (com pouquíssimas revisões positivas por enquanto). A Raia Drogasil e a Smart Fit continuam sendo nossas empresas preferidas no setor.

Gráfico 1: Fluxo de Caixa Operacional Consolidado dos Últimos 12 Meses e Conversão de Fluxo de Caixa Operacional Gráfico 2: Fluxo de Caixa para a Firma Consolidado dos Últimos 12 Meses e Conversão de Fluxo de Caixa para a Firma
 
Fonte: Companhias, BTG Pactual. Fonte: Companhias, BTG Pactual.
Tabela 1: Conversão de Fluxo de Caixa Operacional em EBITDA dos Últimos 12 Meses Tabela 2: Conversão de Fluxo de Caixa para a Firma em EBITDA
 
Fonte: Companhias, BTG Pactual. Fonte: Companhias, BTG Pactual.
Tabela 3: Geração de Fluxo de Caixa Operacional dos Últimos 12 Meses por Companhia (R$ milhões) Tabela 4: Geração de Fluxo de Caixa para a Firma dos Últimos 12 Meses por Companhia (R$ milhões)
 
Fonte: Companhias, BTG Pactual. Fonte: Companhias, BTG Pactual.
Tabela 5: EBITDA dos Últimos 12 Meses por Companhia (R$ milhões) Tabela 6: Investimentos Reportados dos Últimos 12 Meses por Companhia (R$ milhões)
 
Fonte: Companhias, BTG Pactual. Fonte: Companhias, BTG Pactual.
Tabela 7: Geração de Fluxo de Caixa para o Acionista dos Últimos 12 Meses por Companhia (R$ milhões) 
 
Fonte: Companhias, BTG Pactual. 

Ativos Analisados

Logo do ativo ALPA4
ALPA4
Alpargatas SA
Logo do ativo AMAR3
AMAR3
Marisa
NEUTRO
Alvo: R$ 2.00
Logo do ativo AMER3
AMER3
Americanas S.A.
Logo do ativo ARZZ3
ARZZ3
Arezzo
COMPRA
Alvo: R$ 72.00
Logo do ativo ASAI3
ASAI3
Assaí
COMPRA
Alvo: R$ 11.00
Logo do ativo AUAU3
AUAU3
Petz Cobasi
NEUTRO
Alvo: R$ 5.00
AZ
AZZA3
Azzas 2154
COMPRA
Alvo: R$ 40.00
BH
BHIA3
Casas Bahia
NEUTRO
Alvo: R$ 3.00
Logo do ativo CEAB3
CEAB3
C&A
COMPRA
Alvo: R$ 19.00
Logo do ativo CRFB3
CRFB3
Carrefour Brasil
NEUTRO
Alvo: R$ 10.00
Logo do ativo CVCB3
CVCB3
CVC
NEUTRO
Alvo: R$ 3.00
Logo do ativo ENJU3
ENJU3
Enjoei
NEUTRO
Alvo: R$ 2.00
Logo do ativo ESPA3
ESPA3
Espaço Laser
NEUTRO
Alvo: R$ 4.00
Logo do ativo GMAT3
GMAT3
Grupo Mateus
COMPRA
Alvo: R$ 9.00
Logo do ativo HGTX3
HGTX3
Hering
NEUTRO
Alvo: R$ 20.00
Logo do ativo LAME4
LAME4
Lojas Americanas
COMPRA
Alvo: R$ 38.00
Logo do ativo LJQQ3
LJQQ3
Lojas Quero Quero
COMPRA
Alvo: R$ 3.50
Logo do ativo LREN3
LREN3
Lojas Renner
COMPRA
Alvo: R$ 20.00
Logo do ativo MGLU3
MGLU3
Magazine Luiza
COMPRA
Alvo: R$ 12.00
Logo do ativo MOSI3
MOSI3
Mosaico
COMPRA
Alvo: R$ 34.00
Logo do ativo NATU3
NATU3
Natura
NEUTRO
Alvo: R$ 12.00
Logo do ativo NINJ3
NINJ3
GetNinjas
NEUTRO
Alvo: R$ 4.00
Logo do ativo PCAR3
PCAR3
Grupo Pão de Açúcar
NEUTRO
Alvo: R$ 4.00
Logo do ativo PGMN3
PGMN3
Pague Menos
COMPRA
Alvo: R$ 9.00
Logo do ativo PNVL3
PNVL3
Dimed
COMPRA
Alvo: R$ 19.00
Logo do ativo POSI3
POSI3
Positivo
COMPRA
Alvo: R$ 13.00
Logo do ativo RADL3
RADL3
Raia Drogasil
COMPRA
Alvo: R$ 30.00
Logo do ativo RIAA3
RIAA3
Guararapes
COMPRA
Alvo: R$ 14.00
Logo do ativo SBFG3
SBFG3
Grupo SBF
COMPRA
Alvo: R$ 16.00
Logo do ativo SMFT3
SMFT3
Smart Fit
COMPRA
Alvo: R$ 30.00
Logo do ativo SOMA3
SOMA3
Grupo Soma
COMPRA
Alvo: R$ 9.00
Logo do ativo TFCO4
TFCO4
Track & Field
COMPRA
Alvo: R$ 19.00
Logo do ativo TRAD3
TRAD3
TradersClub
NEUTRO
Alvo: R$ 7.00
Logo do ativo VIIA3
VIIA3
Via
Logo do ativo VIVA3
VIVA3
Vivara
COMPRA
Alvo: R$ 36.00
VS
VSTE3
Veste
COMPRA
Alvo: R$ 12.00
VU
VULC3
Vulcabras
COMPRA
Alvo: R$ 21.00
Logo do ativo WEST3
WEST3
Westwing
NEUTRO
Alvo: R$ 2.00
ZA
ZAMP3
Burger King Brasil
COMPRA
Alvo: R$ 14.00