Governo sinaliza acesso gratuito a medicamentos GLP-1. O Presidente Lula afirmou que o governo pretende disponibilizar gratuitamente injeções para perda de peso por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade e indicação médica. A iniciativa ainda está em estágio inicial: o Ministério da Saúde está desenvolvendo o protocolo clínico e ainda não divulgou critérios de elegibilidade, cronograma, estrutura de compras ou orçamento. Atualmente, o governo conduz o estudo Real-Bari com 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou obesidade associada a comorbidades, inicialmente focado em pacientes que, de outra forma, poderiam necessitar de cirurgia bariátrica.
O que observar hoje - Governo planeja levar medicamentos para perda de peso ao SUS
Governo sinaliza acesso gratuito a medicamentos GLP-1
O Presidente Lula afirmou que o governo pretende disponibilizar gratuitamente injeções para perda de peso por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade e indicação médica. A iniciativa ainda está em estágio inicial: o Ministério da Saúde está desenvolvendo o protocolo clínico e ainda não divulgou critérios de elegibilidade, cronograma, estrutura de compras ou orçamento. Atualmente, o governo conduz o estudo Real-Bari com 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou obesidade associada a comorbidades, inicialmente focado em pacientes que, de outra forma, poderiam necessitar de cirurgia bariátrica.
Uma população elegível potencialmente enorme
A obesidade afeta aproximadamente um quarto dos adultos brasileiros, o que implica dezenas de milhões de potenciais pacientes, embora um eventual programa do SUS quase certamente comece com uma população elegível muito mais restrita. Isso ocorre em um momento em que a queda de preços já está melhorando a acessibilidade no mercado privado: o fim da exclusividade da semaglutida em março desencadeou uma onda de novas aprovações e aumento da concorrência, com 14 novos medicamentos injetáveis para diabetes/obesidade aprovados no Brasil apenas em 2026 — 10 à base de semaglutida, três de liraglutida e uma nova apresentação do Mounjaro. A combinação de preços menores, aumento da oferta e potencial expansão dos mecanismos de reembolso pode acelerar de forma relevante a penetração da categoria.
Mais concorrência para as farmácias, mas continuamos vendo um mercado muito maior
A principal questão para as redes de farmácias listadas em bolsa é como o programa do SUS efetivamente distribuirá esses medicamentos. Compras centralizadas e distribuição por unidades públicas poderiam competir com as farmácias privadas por parte do volume, enquanto um modelo envolvendo farmácias credenciadas poderia criar uma oportunidade diferente; o governo ainda não definiu essa estrutura. Enquanto isso, o mercado comercial está se tornando muito mais competitivo: além de Ozempic/Wegovy da Novo Nordisk e Mounjaro da Lilly, as aprovações recentes incluem Ozivy e semaglutida genérica da EMS, Semaclique e semaglutida genérica da Germed, Semavy da Hypera/Mantecorp, além de Owozy, Seemasun, Zempneo e Orsema — embora seja importante destacar que vários desses novos produtos à base de semaglutida possuem atualmente aprovação da Anvisa para diabetes tipo 2 e não especificamente para obesidade. Ainda assim, conforme destacamos no modelo detalhado de mercado de GLP-1 que publicamos nos últimos meses (Além dos GLP-1: vetores estruturais de crescimento para o varejo farmacêutico brasileiro), nossas estimativas apontam para um mercado endereçável enorme e significativa elasticidade de volume à medida que a acessibilidade melhora. Dessa forma, continuamos esperando que os GLP-1 sejam um importante vetor de crescimento para o varejo farmacêutico independentemente de qualquer programa governamental: a oferta pública pode alterar onde parte das prescrições será atendida, mas preços menores, mais fornecedores e uma penetração em rápida expansão devem tornar o mercado total significativamente maior.